PARA ROMA, COM AMOR (Crítica)

Pedro Vieira

FICHA TÉCNICA

Título Original: To Rome with Love
Ano do lançamento: 2012
Produção: EUA, Espanha, Itália
Gênero: Comédia
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: O longa é dividido em quatro segmentos. Em um deles, um casal americano (Woody Allen e Judy Davis) viajam para Roma para conhecer a família do noivo de sua filha. Outra história envolve Leopoldo (Roberto Benigni), um homem comum que é confundido com uma estrela de cinema. Um terceiro episódio retrata um arquiteto da Califórnia (Alec Baldwin) que visita a Itália com um grupo de amigos. Por último, temos dois jovens recém-casados que se perdem pelas confusas ruas de Roma.

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Uma das características mais marcantes dos filmes de Woody Allen é a transformação do espaço e das cidades que servem de cenário para seus filmes em personagens que influenciam as situações a serem abordadas. Durante uma fase focada em cidades europeias, Allen resolveu aplicar tal estratégia a partir da criação de uma homenagem à capital italiana que foi palco de diversos filmes marcantes da história do cinema europeu em “Para Roma, Com Amor”.

Utilizando o método de apresentação de diversas narrativas, o diretor resolve expor a cidade de Roma ao espectador de forma similar a um guia turístico, fazendo o espectador passar de uma história à outra de forma ágil. São histórias com personagens interessantes, como o jovem arquiteto apaixonado, ou os pais de uma americana que está noiva de um italiano, mas pouco cativantes, uma vez que tal urgência em expor cada uma das várias situações impossibilita que o filme se aprofunde em seus temas.

E por falar em temas, essas histórias também apresentam alta desconexão quanto a temática. Embora o título do filme exponha que poderiam se tratar de histórias românticas, apenas dois “contos” possuem casais como foco, o que cria uma estranheza em relação às pretensões do longa, que se perde a toda a hora focando em um e outro assunto. O olhar turístico de Allen também impede que a cidade em si se sobressaia, embora o diretor tenha o cuidado em filmar belas tomadas que exibem edificações e cenários únicos de Roma.

Há, entretanto, um aspecto positivo que fica bem visível nessa fragmentação de histórias de Allen: a sua atemporalidade. A vontade do diretor em criar uma narrativa que não se prenda ao tempo é expressa não somente pelos assuntos da história, como fama, amor ou adultério, que estão sempre em evidência, como também pelo fato de que cada narrativa apresenta seu próprio tempo (por isso uma história acontece durante um único dia, enquanto outra parece durar semanas) e há um caso em particular em que passado e presente se misturam (não posso revelar qual é o caso por motivos de spoilers).

O filme também se beneficia de um bom elenco, embora atores carismáticos como Alec Baldwin e Penélope Cruz acabem ficando sub-aproveitados. E por falar em Penélope, é bom citar que ela e as outras atrizes acabam presas a papéis inexpressivos, sendo suporte de personagens masculinos, o que demonstra uma falta de tato do filme em retratar figuras femininas.

Embora com boas intenções e com alguns aspectos positivos, “Para Roma com Amor” acaba se mostrando como um resultado muito abaixo do esperado para um filme com o nome de Woody Allen na direção.

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