PARATODOS (Crítica)

Kadu Silva

Nossos “heróis” humanos

Num país que praticamente só dá valor ao futebol, imagina como é a vida de um atleta de outro esporte e ainda mais ele tendo algum tipo de necessidade especial? Foi num dia em casa durante suas férias que o diretor Marcelo Mesquita (Cidade Cinza) ao assistir à final dos 100m rasos nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, teve um insight, que visava decifrar essa e outras questões que envolvem o universo paraolímpico brasileiro.

Mesquita no documentário Paratodos, apresenta o dia-a-dia do ciclo paraolímpico de alguns dos atletas brasileiros da natação, atletismo, canoagem e futebol, destacando a superação, os obstáculos, as alegrias, as tristezas e principalmente humanizando cada personagem ao mostra-lo sem mascaras ou uma falsa armadura de um super-herói e talvez a principalmente contribuição, não dando a eles uma imagem de coitados devido a deficiência.

O cineasta junto com o roteirista Peppe Siffredi divide o longa em quatro partes distintas, mas que tem o mesmo pano de fundo. Como bem disse Mesquita em entrevista é uma espécie de Relatos Selvagens com outro contexto. Essas histórias que aparecem nesses “contos” ainda que seja documental e retrato da vida real, se mostra de uma forma narrativa que lembra muito grandes obras ficcionais, vemos o drama, o suspense, a comedia e devido a isso causa rapidamente uma empatia com o público, principalmente por apresentar história de pouco domínio público, então naturalmente torcemos como se aquilo fosse uma história em andamento, ou seja a obra te envolve e te emociono de uma forma certeira.

E mais interessante que tudo isso é que conseguimos conhecer melhor esses atletas (geniais) que são grandes inspirações para a vida, já que eles, mesmo diante da dificuldade (física), conseguiram dar a volta por cima e se tornarem grandes nomes mundiais de seu esporte, ainda que internamente tenham pouco reconhecimento do grande público.

Conhecer essas histórias e ganhar intimidade com esses atletas nos faz pensar que ainda que o país seja tão atrasado em desenvolvimento, existe caminhos para superar todos as dificuldades. A equipe brasileira paralímpica, é a sétima melhor do mundo, mesmo sem grandes incentivos. Eles são exemplos de superação e de vida, coisa que muito atleta olímpico e principalmente a maioria dos jogadores de futebol (tão adorado por todos) esqueceram ou fazem pouco caso de buscar (a superação pela vitória). O grande exemplo disso é a equipe de futebol de cegos, mostrada no documentário, não vou contar o que é mostrado, mas é triunfante assistir a trajetória deles no último mundial, mesmo não recebendo salários milionários como os jogadores ditos “normais”, são capazes de feitos grandiosos e que nos fazem encher o peito de orgulho.

Paratodos é uma obra necessária, já que faz você refletir sobre diversas coisas, e mesmo sem tentar ser um produto de autoajuda, o documentário consegue nos inspirar a realizar sonhos mesmo que eles possam parecer tão distantes ou inatingíveis.

PARATODOS

SINOPSE

A trajetória, a vida e os desafios de alguns atletas paralímpicos, que fazem parte das delegações brasileiras de natação, atletismo, canoagem e futebol, em fase de preparação para os Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. O dia-a-dia, a superação, os obstáculos, as alegrias, as tristezas de cada um dos atletas são objeto deste documentário, que também debate a questão da inclusão dos deficientes físicos na sociedade brasileira em geral.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Marcelo Mesquita” espaco=”br”]Marcelo Mesquita[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Peppe Siffredi
Título Original: Paratodos
Gênero: Documentário
Duração: 1h 50min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 10 Anos
Lançamento: 23 de junho (Brasil)

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