PARCEIROS DA NOITE (Crítica)

PARCEIROS DA NOITE

FICHA TÉCNICA

Título Original: Cruising
Ano do lançamento: 1980
Produção: EUA
Gênero: Suspense
Direção: William Friedkin
Roteiro: William Friedkin

Sinopse: O policial Steve Burns (Al Pacino) foi destacado para investigar uma série de assassinatos de homossexuais em Nova York. Com a intenção de crescer dentro da corporação, aceita o desafio de se passar por gay, sabendo que terá que frequentar a comunidade e mergulhar nos clubes de sadomasoquismo. Só não sabia que a sua caçada ao maníaco poderia ser longa e que ninguém sai normal de uma experiência tão brutal como esta.

Por Jason

PARCEIROS DA NOITE02

A trama policial de Parceiros da Noite é simples. Há um assassino de homossexuais à solta na cidade. Ele escolhe um tipo de homem padrão, o atrai para o sexo e o mata a facadas. O personagem Steve (Al Pacino, com uma cabeleira trash), é chamado para ajudar nas investigações. O seu superior explica a Steve que ele deverá se infiltrar no mundo gay para atrair o assassino, uma vez que ele tem um perfil que se encaixa no padrão das vítimas. A partir daí, o policial entra na noite gay, povoada por drogas e sexo da cidade, se fazendo de potencial vítima, ao passo que faz amizades e entende como funciona o meio. A polícia nesse meio tempo conta com a ajuda e um travesti, que conhece os grupos de homossexuais e auxilia indiretamente na investigação.

A direção de William Friedkin, de clássicos como Exorcista e Operação França e mais recentemente do elogiado “Killer Joe” consegue criar cenas tensas, como no momento em que uma vítima é assassinada no parque, e cenas bizarras, como o assassinato a punhaladas de uma das vítimas amarrada à cama. Exibe pedaços de corpos e sangue – além de cenas de grande teor sexual sem nenhum incômodo ou constrangimento. Um dos destaques é a sequência em que um dos suspeitos, de nome Skip, é torturado. A violência visual aqui não tem limites. O ritmo do filme é um ponto a favor – ele passa bem – e Al Pacino se dedica inteiramente, como de costume, usando seu talento em favor de um produção diferente e, porque não, pesada para os padrões de Hollywood.

PARCEIROS DA NOITE01

Mas o filme peca em alguns aspectos. Como se não bastasse o visual do personagem, há ao menos uma cena protagonizada por Pacino capaz de arrancar risos – a da dança desengonçada no meio dos gays em uma boate. A questão do preconceito contra os homossexuais é apenas pincelada aqui e ali – nos travestis que são pegos pelos policiais no começo, no grupo de homens que soltam piadas para Steve e no tratamento dado pela polícia aos gays. O filme também antecipa e muito o assassino, cujo perfil psicológico se resume a problemas com a figura paterna – um deslize em se tratando de filmes policiais como este onde a investigação policial constrói um perfil psicológico para o vilão.

Quase não há, assim, profundidade dramática em relação ao tema: o drama está mesmo no relacionamento entre Pacino e sua mulher Nance, resumido a alguns poucos diálogos também com o seu chefe. A transformação do personagem engolido pelo submundo é mais mérito do ator do que do trabalho do roteiro em cima do personagem. E a visão do mundo gay é a pior possível. Em todas as boates, os homossexuais estão enlouquecidos, cheios de drogas, transando o tempo todo, em ambientes de promiscuidade e onde todos os homens são bonitos, com corpos bem torneados – uma visão um tanto exagerada e superficial.

Para coroar, o final é subjetivo.

PARCEIROS DA NOITE03

PRÊMIOS

TROFÉU FRAMBOESA 
Indicações: Pior Diretor – William Friedkin, Pior Filme – Jerry Weintraub e Pior Roteiro – William Friedkin

SATELLITE AWARDS 
Indicações: Melhor DVD Clássico

TRAILER

3estrelas

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