Paris 8 (Crítica)

Ricardo Rocha

“Não gosto de imagens. Gosto de filmes.”

Etienne (Andranic Manet) é um jovem que deixa sua família e namorada no interior da França, e parte rumo a Paris para estudar cinema. Assim como muitos jovens que sonham em expor suas ideias com a máxima boêmia de verdade, beleza, liberdade e amor. Etianne parece mais perdido em seus conflitos existenciais, em suas aventuras românticas com garotas que cruzam seu caminho, ao mesmo tempo que tenta se manter fiel com sua namorada com qual manteve uma relação de mais de 6 anos.

Paris 8 não só título do filme, mas também nome de uma faculdade de cinema. É clara homenagem ao movimento Francês Nouvelle Vague (Nova Onda) famoso no final da década de 50 e anos 60. Com seus representantes maios conhecidos como Jean Luc Godard e François Truffaut. Filmado em preto e braco, com uma fotografia que destaca as sombras, e o rosto dos personagens, é claramente um exercício de metalinguagem com o filme dentro de um filme, que fala sobre filmes. Mas ao longo de suas mais de 2 horas pretensiosas, o longa se perde em querer contar sobre a história de um personagem apático, mimado e cheio de frustrações que irritam não só os personagens ao redor dele, mas como quem acompanha sua história.

Na Faculdade, Etianne conhece o difícil e romântico Mathias (Corentin Fila)que rouba a cena toda vez que resolver argumentar sobre um filme, a discussão enriquece quando o personagem entra em cena, pois ele causa um certo desconforto e encanto ao mesmo tempo em seus colegas por defender aquilo que ele chama de velho, mas não morto.

Etianne vive as sombras de Mathias, que distorce todos os comentários de seus colegas de classe em busca de um cinema verdadeiro, mais autêntico, que não seja feito só para agradar com técnicas, ele deseja fazer algo que tenha essência e que referência o cinema mais clássico.

Paris 8 (Crítica)

O cinema aqui é quase como um personagem a parte, poderia dizer que é um verdadeiro deleite para um cinéfilo presenciar um debate sobre diretores italianos e seus gêneros de filmes ao longo dos anos 60 e 70. Muito disso vem da própria experiência e influência do diretor e roteirista Jean-Paul Civeyrac que se formou na conceituada escola de cinema La Fémis. Eu adoraria viver num mundo onde as pessoas só conversassem sobre cinema ao mesmo tempo em que tocasse Bach como música de fundo. Falando em música é um tanto engraçado que Etianne adore e venere o compositor Bach, várias de suas obras são tocadas ao longo do filme, mas quando a música que mais representa o personagem e mais se repete é justamente a melancólica sinfonia nº 5 de Gustav Mahler.

Etianne passa a grande parte de seu tempo (do filme também) trancado em seu quarto, escrevendo e reescrevendo seu roteiro, ou transando com garotas, ou conversando com sua colega de quarto Valentina (Jenna Thiam) que sempre fala com sinceridade tudo que pensa, e se destaca por ser uma personagem forte e independente.

Imagens são filmes? O que são filmes se não imagens em movimentos. Seria este um filme de um cinéfilo feito exclusivamente para cinéfilos? Pode nascer um filme de um simples comentário? O que representa a cor dos olhos num filme em preto e branco, quando a personagem não revela verbalmente? E qual seria a verdade máxima em um filme? Ao final temos uma certeza: A janela dos olhos, é a mesma janela que invoca o desejo de representar o mundo através de uma câmera.

Pôster de divulgação: Paris 8

Pôster de divulgação: Paris 8

SINOPSE

Etienne se muda para Paris com a intenção de realizar o seu sonho de estudar cinema. Na faculdade ele conhece Mathias e Jean-Noel, dois jovens que compartilham objetivos similares aos seus. No entanto, ao longo do ano, nem tudo sai como o planejado e ele vivencia junto com os amigos uma série de situações inusitadas e inéditas.

DIREÇÃO

Jean-Paul Civeyrac Jean-Paul Civeyrac

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jean-Paul Civeyrac
Título Original: Mes Provinciales
Gênero: Drama, Comédia
Duração: 2h 17min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 17 de maio de 2018 (Brasil)

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