PATTI CAKE$ (Crítica)

Igor Pinheiro

A vida de uma adolescente branca e acima do peso em New Jersey que quer se tornar uma rapper pode se tornar um roteiro completamente bagunçado nas mãos das pessoas erradas. Geremy Jasper, porém, consegue entregar um filme repleto de camadas e discussões e passear entre o humor extremo e o drama familiar sem tirar a história dos eixos.

Sem nenhuma reviravolta muito surpreendente, vale ressaltar que clichês não são um problema e tornam ruins apenas quando mal utilizados. Jasper consegue, na direção e no roteiro de seu primeiro longa, emocionar e divertir com alguns dos principais clichês das histórias de superação e família que já vimos por aí.

É claro que, sem outros fatores, isso não seria possível. O elenco, por exemplo, é formado por uma das melhores químicas de comédia que vi recentemente. Danielle Macdonald chama atenção no papel da protagonista e consegue se destacar em todas as cenas sem dificuldades para isso, mesmo a as dividindo com outros excelentes profissionais. Siddharth Dhananjay, em seu primeiro trabalho, também parece não se esforçar muito para arrancar boas risadas. Mamoudou Athie convence no papel do assustador Basterd, que ajuda a protagonista em seus arranjos. Mas o destaque é da mãe e da avó da protagonista, vividas respectivamente por Bridget Everett e Cathy Moriarty. A construção da família pelas mulheres é um dos focos do filme e não teria tanta força se o elenco fosse outro. Bridget, aliás, consegue com que fiquemos irritados e amemos sua personagem ao mesmo tempo. É impressionante.

PATTI CAKE$ (Crítica)

Tudo isso ainda é envolvido por uma trilha sonora original hilária e bem produzida, desde os arranjos até as piadas com Jogos Vorazes em suas letras (vale procurar a trilha depois, tem no Spotify). O roteiro, aliás, é repleto de piadas de cultura pop atual e isso pode ter ajudado na minha imersão e paixão pelo filme. Tão atual que algumas pessoas mais velhas da sessão em que assisti ao filme não tiveram reação alguma a momentos em ri alto na sala de cinema, mas acontece…

E é muito interessante ver um filme com a temática de mulheres lutando pelo que querem sem necessariamente falarem sobre isso durante a história. Não que a maneira mais didática não esteja correta, mas é uma outra maneira que também funciona para se falar de um problema social tão grave quanto o machismo.

Quero prêmios para Jasper, Macdonald e Everett, mas não sei se já estou sonhando demais. De qualquer forma, PattiCake$ é um dos meus filmes favoritos do ano e te desafio a não ficar com Tuff Love na cabeça depois que assistir. Enfim, um enredo superclichê trabalhado de uma forma surreal e que diverte do início ao fim, por mais banalizada que essa frase seja. Patti Cake$ é um dos filmes mais geniais do ano.

Pôster de divulgação: PATTI CAKE$

Pôster de divulgação: PATTI CAKE$

SINOPSE

Diretamente de Nova Jersey, Patricia Dombrowski (Danielle Macdonald), também conhecida como Killa P ou ainda Patti Cake$, é uma aspirante a rapper. Com suas comoventes músicas originais, ela luta busca pela improvável glória no cenário do hip hop. Aplaudida pela avó (Cathy Moriarty) e amigos, Jheri (Siddharth Dhananjay) e Basterd (Mamoudou Athie), Patti precisa apoiar a mãe (Bridget Everett), que está passando por dificuldades.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Geremy Jasper
Título Original: Patti Cake$
Gênero: Drama
Duração: 1h 49min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 30 de novembro de 2018 (Brasil)

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