PENDULAR (Crítica)

Kadu Silva

A arte que não comunica

Eu estudei cinema por 2 anos, nesse período, entendi diversos “troques”, e caminhos que fazem com que uma mensagem chegue até o espectador, nesse período realizei diversos projetos de curtas e comerciais para TV, e a minha principal busca era sair do obvio, se mostrar criativo, no entanto para fazer isso, você precisa ter uma bagagem enorme para que seu discurso seja claro para quem assiste. Um dos professores ao analisar um dos meus curtas, disse: – criar um filme cheio de alegorias e simbologias, não o tornará mais interessante do que um que passa a mensagem de forma clara. É bobagem querer se mostrar intelectual e restringir sua mensagem a um grupo seletivo, pense nisso. Desde então comecei a enxergar o cinema de outra forma, por isso que o slogan do Ccine10 é o cinema como você vê.

Toda essa introdução, para dizer que “Pendular” é uma obra autoral, artística, que não consegue apresentar nada além de belas imagens, é uma obra cult feita para um grupo pequeno de supostos entendidos que apreciam o nada.

PENDULAR (Crítica)

Falando de Pendular, se trata de uma história de dois artistas, ela uma dançarina contemporânea, ele um escultor. O casal resolve morar num galpão abandonado para ali encontrar inspiração para suas novas obras. Tudo vai além do trabalho, já que o casal transfere para a arte a relação amorosa que eles possuem, a questão do espaço um do outro, o desejo, a vontade de ficar só, e principalmente a vontade de ampliar a família.

O roteiro da também diretora Júlia Murat e Matia Mariani cria uma analogia da arte com a relação amorosa, no entanto o desenvolvimento dessa alegoria é morna e de pouca conexão com o público, tudo parece uma grande mistura de cenas de sexo, DRs e ensaios que não fluem para uma história realmente clara.

Apesar disso, a dupla de atores protagonistas Raquel Karro e Rodrigo Bolzan se mostram completamente entregues a proposta do longa, se despindo de pudor para dar vida a esse casal de artistas.

Ainda sobre acertos, a fotografia do filme é brilhante, realmente de encher os olhos, é talvez o grande triunfo do filme, vale menção a montagem que ainda que as cenas sejam pouco claras para a maioria da plateia existe uma fluidez na narrativa do início ao fim.

Pendular acaba sendo um exercício criativo pessoal de sua autora, que infelizmente terá pouca conexão com o grande público.

Pôster de divulgação: PENDULAR

Pôster de divulgação: PENDULAR

SINOPSE

Em um galpão abandonado, um casal de artistas contemporâneos observa a arte, a performance e sua intimidade se misturarem. A partir de sequentes contradições, eles vão aos poucos perdendo sua capacidade de distinguir o que faz parte dos seus projetos artísticos e o que nada mais é que a relação amorosa, criando até mesmo um conflito com seu passado.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Júlia Murat” espaco=”br”]Júlia Murat[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Júlia Murat, Matias Mariani
Título Original: Pendular
Gênero: Drama
Duração: 1h 48min
Classificação etária: 18 Anos
Lançamento: 21 de setembro de 2017 (Netflix)

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2 Comentários

  1. miguel

    Bom, se a maior crítica que vc faz ao filme é a “falta de capacidade de alcançar o grande público”, Que dizer da sua crítica que como comentador só tem este único desgraçado…Aliás, parabéns, vc e Veja foram os únicos a dar avaliação péssima a este filme. Diga com quem andas…

    • Kadu Silva

      Olá Miguel

      Confesso que não consegui entender muito bem seu comentário. Por acaso você leu a crítica? No texto eu exalto as qualidades do filme, meu apontamento negativo em relação a obra é que ela não tem clareza para se comunicar ao grande público, quesito primordial para um grande filme. E outra, nunca busquei ser igual a todo mundo, eu sempre busco nos meus textos ter a minha visão das produções, que pode ou não ser igual a maioria, enfim…