PERFEITA É A MÃE (Crítica)

Kadu Silva

Um feminismo torto

Esse ano diversas produções hollywoodianas estão trazendo em seus discursos certos assuntos voltados para os grupos ditos como marginalizados (negros, mulheres, asiáticos, lgbts), fato que pode ser fruto da polêmica dentro das últimas edições do Oscar, que trazia em sua maioria, homens brancos nas diversas categorias. Perfeita é a Mãe é um filme que coloca a mulher como protagonista vivendo situações que aparentemente não seria voltada para ela, no entanto o longa pesa a mão na desconstrução do estereótipo da mãe, esposa e boa profissional.

Essa mulher é Amy (Mila Kunis), uma mãe dedicada, uma profissão aplicada e uma esposa perfeita, mas o estresse que esse acumulo de função te proporcionava, a levou a surtar e encontrar no apoio de outras mães o incentivo para tentar mudar o ciclo natural das coisas que toda mulher como ela passa.

A dupla Jon Lucas e Scott Moore que assina o roteiro e também dirige o longa tenta reproduzir na trama o formula do sucesso também realizada por eles, do filme Se Beber não Case, no entanto, dar para a mulher o papel de protagonismo e também não a menosprezando pelo fato de ser do sexo feminino, não quer dizer que elas precisem passar pelas mesmas situações para quebrar a barreira de gênero e é exatamente isso que eles fazem. A produção parece muito um Se Beber não Case, inclusive com a semelhança na composição das personagens e nos diálogos dito por elas. Vale ressaltar ainda, que quando um filme quer dialogar com uma mudança, precisa encontrar um tom mais naturalista e não algo que parece uma fabula teen (escapista).

A união de Amy com as outras mães que também se sentem pressionadas a serem perfeitas beira a união de adolescentes que querem descontar no mundo suas frustações, e não se unirem para encontrar um rumo melhor para a vida que elas até então levam.

Se não bastasse esse “problema” o filme é didático e com uma narrativa bem previsível e talvez o mais grave, não consegue o êxito primário de uma comedia, o tom correto para tirar graça da plateia.

Além disso, a trilha sonora do filme é constante (excessiva), a ponto de em determinados momentos parecer que estamos assistindo a um videoclipe e não ao um filme, uma música emenda na outra e assim vai do começo ao fim.

O elenco se esforça para entregar um filme descente, mas os diálogos poucos inspirados tornam algumas performances caricatas e sem carisma nenhum.

Perfeita é a Mãe tinha um enredo bem interessante para trabalhar, mas preferiu repetir uma formula masculina dentro do universo feminino e o resultado é uma desiquilíbrio que possivelmente não agradará a maioria.

PERFEITA E A MAE

SINOPSE

Reuna um time dos super vilões mais perigosos já encarcerados, dê a eles o arsenal mais poderoso do qual o governo dispõe e os envie em missão para derrotar uma entidade enigmática e insuperável que a agente Amanda Waller (Viola Davis) concluiu que só pode ser vencida por indivíduos desprezíveis e com nada a perder. Quando os membros do improvável time percebem que não foram escolhidos para vencer, mas sim para falharem inevitavelmente, será que o Esquadrão Suicida decide ir até o fim tentando concluir a missão ou a partir daí é cada um por si?

DIREÇÃO

Jon Lucas e Scott Moore

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jon Lucas e Scott Moore
Título Original: Bad Moms
Gênero: Comédia
Duração: 1h 38min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos

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