PETER PAN (Crítica)

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Por Pedro Vieira

LONGA INFATIL DE JOE WRIGHT É UM GRANDE PRAZER VISUAL

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É notável nos filmes de Joe Wirght a preocupação do diretor com a construção do espaço visual e as colocações da câmera. Graças a esses aspectos, “Desejo e Reparação” possuía ótimos planos e uma fotografia que conseguia enaltecer o tom melancólico da história, enquanto “Anna Karenina” tinha um exuberante cenário fabricado dentro de um teatro. Por isto, não é de se estranhar que “Peter Pan” (Pan), primeiro filme de fantasia e infantil do diretor, mantenha essa característica marcante.

A narrativa é uma história de origem que se passa durante a Segunda Guerra Mundial (o que já causa certo estranhamento em relação ao seu material de origem que foi escrito por J.M. Barrie em 1904) sobre um Peter (Levi Miller), abandonado pela mãe ainda bebê em um orfanato. Certo dia ele encontra uma carta misteriosa deixada pela mãe, ao mesmo tempo em que resolve investigar o desaparecimento de várias crianças no orfanato.

Não demora muito e Peter descobre que as crianças estão sendo levadas até a Terra do Nunca para trabalharem para o pirata Barba Negra (Hugh Jackman) em minas que visam encontrar os preciosos “Pó de Fadas” – pedras mágicas que podem rejuvenescer uma pessoa. Peter acredita que sua mãe se encontra na Terra do Nunca e por isso decide fugir das minas e se unir a uma tribo indígena para enfrentar Barba Negra e proteger o Reino das Fadas.

Por ser um filme voltado para um público infantil, Wright ambiciona um visual colorido e agradável ao longa. As cores fortes que a diretora de arte Aline Bonetto traz ao filme fazem com que as cenas pareçam de fato terem saído de um livro ou peça infantil, e se unem perfeitamente com os figurinos de Jacqueline Durran (que já trabalhou com Wright em outros projetos) atraindo a atenção de crianças e adultos.

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Os efeitos visuais também fazem sua parte e tornam todo aquele universo palpável, ao mesmo tempo em que o filme não deixa de perder seu ar jovem (e considere esse adjetivo como um elogio) e surreal – algo que Wright parece querer realçar em diversas cenas, como no momento em que Peter brinca com estrelas e planetas, ou quando cortinas de fumaças afetam pessoas que sofrem injúrias. Esse visual todo poderia ficar ainda mais interessante junto ao 3D, porém, as cenas de ação, por serem agitadas demais, podem se tornar borrões em telas de cinema que não tenham uma boa projeção unida a esta tecnologia.

A história, porém, não acompanha essa ótima construção visual proporcionada pelo filme. O roteiro de Jason Fuchs apresenta diálogos que variam de aceitável a pífio, e há vários momentos em que os personagens são pegos agindo de forma pouco convincente ou interagindo entre si como grandes amigos quando acabaram de se conhecer. Em outras cenas, objetos e personagens surgem do nada sem a menor explicação. As coisas pioram quando o próprio Peter acaba se mostrando “adulto” demais para um garoto que ficou conhecido como “o menino que não quer crescer”. O lado positivo é que a narrativa se desenrola de forma rápida, o que torna o longa pouco cansativo.

Por sorte o filme possui um ótimo elenco que consegue segurar essa história. Miller possui carisma e está bem à vontade durante a maior parte da projeção. Jackman parece se divertir no filme todo com o seu vilão que possui seus momentos de maldade, mas que não deixa de ter suas horas mais cômicas, e por mais que seja estranho ver Rooney Mara interpretando uma índia, é inegável que o esforço da atriz para se mostrar como uma mulher forte faz o espectador esquecer o fato dela não ter nada de indígena. Quem fica apagado mesmo é Garrett Hedlund, que faz um Gancho (ainda sem o “Capitão” no nome) que tenta ser canastrão e sedutor, mas que se mostra apenas como um personagem sem graça.

Joe Wright consegue tornar seu “Peter Pan” uma experiência visual prazerosa, unida de um bom grupo de protagonistas, mas deixa de lado a narrativa, que se torna sem graça, destoando demais do restante do longa.

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SINOPSE

Aos 12 anos de idade, Peter (Levi Miller) é conhecido pelo comportamento rebelde, que sempre o coloca em problema nos orfanatos por onde passa. Uma noite, ele recebe uma chamada para conhecer um mundo mágico: a Terra do Nunca. Neste local, Peter conhece novos amigos, como a guerreira Tiger Lily (Rooney Mara), e enfrenta vilões, como o pirata Barba Negra (Hugh Jackman). O garoto também descobre pistas sobre o mistério de sua mãe, que o abandonou num orfanato. Ao longo desta aventura, o menino comum transforma-se no famoso Peter Pan.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jason Fuchs
Título Original: Pan
Gênero: Fantasia, Aventura
Duração: 1h 51min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: Livre
Lançamento: 08 de outubro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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