PICASSO E O ROUBO DA MONA LISA (Crítica)

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Por Elisabete Alexandre

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O roubo que fez da Mona Lisa uma das pinturas mais conhecidas do mundo tem uma história tão bizarra que por um momento você pode até achar que tudo no filme de Colomo não passa de ficção.

O ano é 1911, Pablo Picasso não era um artista conhecido, o Cubismo ainda dava seus primeiros passos, enquanto todos tentavam entender o que viria a ser a mais conhecida e célebre obra do pintor, “Les demoiselles d’Avignon”. Rodeado por conhecidos artistas e amigos, o escritor Guillaume Apollinaire (Pierre Benezit), o poeta Max Jacob (Lionel Abelanski), o escultor Manolo Hugue (Jordi Vilches) e a modelo e musa do pintor, Fernande Olivier (Raphaelle Agogue), Picasso vive seus dias de boêmia, até tonar-se suspeito de um dos mais famosos roubos da história, o da Mona Lisa de Leonardo da Vinci, que na época nem era tão conhecida, mas ficou depois desse acontecimento.

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O diretor e roteirista espanhol Fernando Colomo é conhecido por suas comédias, por isso, talvez, tentou trazer um pouco desse humor para “Picasso e o rouba da Mona Lisa”, mas não acho que foi uma boa escolha. As locações são maravilhosas e os atores incrivelmente parecidos com os artistas que representam, inclusive, o filme retrata muito bem a vida boêmia que eles levavam no começo do século XX, mas o longa não é muito mais do que isso. Conhecemos a amizade entra Picasso e Apollinaire, seus problemas e, posteriormente, seu fim, quando o primeiro abandona o amigo a fim de se livrar de uma acusação, a de fazer parte de uma quadrilha especializada em roubar os museus da França. Sem muitas voltas, vemos como nenhuma amizade entre artistas prevalece quando o que se está em risco, mesmo que apenas possivelmente, são suas obras. Apollinaire, por sua vez, diz que não teve participação no roubo do quadro, mas assumiu a culpa pelo roubo de dois artefatos do Louvre, que foram encontrados com Picasso e que serviram de inspiração para a maior obra de arte dele, já mencionada aqui, a “Les demoiselles d’Avignon”. Pela traição, Picasso não só perdeu o amigo, como também a sua musa, Fernande, que ficou do lado do escritor. Entenda, nada disso é spoiler, todas essas informações são facilmente encontradas no Google, de fato, o assunto que menos importa no longa é o roubo do quadro em si, aliás, Apollinaire é a grande estrela do filme, não Picasso, como o título sugere.

Colomo tinha em suas mãos a história de um acontecimento que parece mais ficção do que realidade, uma vez que tudo é tão absurdo, mas não soube explorá-la de forma satisfatória e inteligente. O roteiro ficou travado e sem muitas surpresas, o filme cumpre seu papel em explorar o estilo de vida desses artistas, que, por coincidência, tem o mesmo ritmo boêmio que levavam no século passado. Para sustentar alguma coisa do roteiro, Colomo exagera no uso de figuras conhecidas, tais como Gertrude Stein (Cristina Toma) e Henry Matisse (Tony Gaultier), há até um suposto desentendimento entre Picasso e esse último, meio que coisa de ego de artista. É relevante dizer que esse filme é de 2012, lembrando que estamos a um pé de 2016, e a julgar pelo que vi, acho desnecessário o seu lançamento nos cinemas brasileiros, ele poderia muito bem ter sido lançado direto em DVD, ou mesmo esperar para que fosse adicionado ao catálogo do Netflix, assim o assistiríamos quando não houvesse nenhuma outra opção melhor, situação pouco provável.

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SINOPSE

Começo do século XX, o Cubismo nascia e Pablo Picasso ainda não era o renomado artista que conhecemos hoje, e antes disso acontecer, ele foi acusado de participar do roubo da obra de arte mais conhecida de Leonardo da Vinci, a Mona Lisa.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Fernando Colomo
Título Original: La banda Picasso
Gênero: Comédia
Duração: 1h 41min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 19 de novembro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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