PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA (Crítica)

Kadu Silva

Um belo final para trilogia!

Planeta dos Macacos, sem dúvida é uma das mais brilhantes franquias ainda em andamento. E seu terceiro e final capitulo, A Guerra, chega para ratificar toda magnifica visão social e filosófica sobre o ser humano.

Apesar de não ser necessário ter assistido aos anteriores, “A Origem” e “O Conforto”, vale situar a trama por completo. Tudo começou quando um grande laboratório buscava a cura para o Alzheimer, e nos testes iniciais os macacos eram as cobaias, no entanto, a situação saiu do controle e a droga que tornava os macacos inteligentes, se mostrava nociva aos humanos, o que provocou uma quase extinção da espécie no planeta. Alguns humanos se mostraram imunes a essa droga e se uniram para tentar novamente refazer a sociedade como era anteriormente, no entanto, eles precisariam invadir o local aonde viviam os macacos inteligentes, para colocar para funcionar a usina de energia, mas essa aproximação causou desconfiança de ambas as partes, iniciando um conforto pelo poder local.

Nesse filme, os macacos estão vivendo isolados em suas terras depois de ter vencido o conforto com os humanos, quando um grupo de militares invadem o local para exterminar os primatas restantes, tudo porque surgiu uma nova doença que todos acreditavam ser pela existência dos macacos. Nessa luta, César o líder dos primatas perde alguns familiares, o que o leva a buscar vingança.

O roteiro de Mark Bomback (Planeta dos Macacos: O Confronto) é muito inteligente em não se sustentar em cenas de ação, que poderia ser natural diante do título do longa, o roteiro busca mostrar a filosofia do protagonista para se descobrir mais humano que o próprio humano diante das situações impostas pela vida, essa inversão de papeis é primorosa, ainda mais quando mostra que essa nova doença está levando o ser humano a se “portar” quase como um primata irracional, primitivo, com isso é possível fazer diversas leituras incríveis como por exemplo: a forma como o mundo caminha hoje em dia, – mostrando a selvageria “humana” de alguns que fazem atrocidades em nome de Deus, de dogmas, de ideais e assim por diante.

Mas o roteiro acaba por trazer alguns equívocos, principalmente no terceiro ato, dentre esses “problemas” o mais grave é o arco do vilão, ele que não tem espaço suficiente para marcar sua figura maléfica dentro da trama, ainda que o final dele acaba por ratificar tal escolha do roteirista.

Matt Reeves que tudo indica será o responsável pelo novo filme solo do Batman, mostra mais uma vez seu domínio na condução da trama, sabendo explorar o tempo, a contemplação da ação para causar o impacto que ele busca. Seu pequeno escorregão foi pelo abuso do melodrama durante a narrativa, mas por ser sua despedida da franquia, é até compreensível.

Vale prestar atenção nas diversas referências ao primeiro Planeta dos Macacos, são inúmeros momentos de homenagem ao brilhante filme de 1968 de Franklin J. Schaffner, para os nostálgicos cinéfilos é um grande presente.

O elenco é mais um ótimo acerto da franquia, Andy Serkis (Franquia O Senhor dos Anéis), mais uma vez, mesmo sendo captado em efeitos visuais consegue entregar alma e uma interpretação arrebatadora ao César, de levar a plateia as lágrimas. A mudança física do personagem do primeiro para esse terceiro filme são impressionantes, o próprio acabamento técnico dos efeitos chama atenção pela precisão dos macacos em cada detalhe. Tecnicamente ainda vale destacar a marcante e delicada trilha sonora de Michael Giacchino (Ratatouille).

Planeta dos Macacos: A Guerra é um belo desfecho para essa brilhante e inesquecível trilogia, ainda que não seja o melhor dos três.

Pôster de divulgação: PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA

Pôster de divulgação: PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA

SINOPSE

Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

DIREÇÃO

  • Matt Reeves Matt Reeves

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Mark Bomback
    Título Original: War For The Planet Of The Apes
    Gênero: Ficção científica, Ação, Aventura
    Duração: 2h 20min
    Classificação etária: 14 anos
    Lançamento: 3 de agosto de 2017 (Brasil)

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