POLÍCIA FEDERAL – A LEI É PARA TODOS (Crítica)

Kadu Silva

Apartidário?

Um dos filmes mais polêmicos e discutíveis do cinema nacional esse ano deve ser sem dúvida “Polícia Federal – A Lei é para todos”, tudo porque ele chega para mostrar os bastidores do início da Operação Lava-Jato, uma das maiores investigações sobre corrupção já realizado no país, e que continua em curso. O “problema” é que ainda que esteja sendo vendido como um filme apartidário, algumas escolhas provam que esse discurso não é realmente verdadeiro.

Na trama um grupo de investigadores e delegados da polícia federal, após uma batida policial sobre tráfico de drogas, acaba descobrindo um esquema bilionário de dinheiro envolvendo diversos políticos e empresas, dando início a Operação Lava-Jato.

O roteiro do estreante em longas-metragens Thomas Stavros e Gustavo Lipsztein (Tensão em Alto Mar), apresenta um thriller extremamente bem elaborado, com reviravoltas e clima de tensão na dose certa. O roteiro consegue rapidamente apresentar as características dos principais personagens, ainda que esse desenvolvimento usa como base o maniqueísmo em seu arco dramático.

Com um orçamento gigantesco, que não se sabe ao certo a origem, o diretor Marcelo Antunez (Qualquer Gato Vira-Lata 2), pode abusar de diversas locações entre Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, ele também utilizou um número enorme de câmeras para criar cenas empolgantes e hipnotizantes de ação com planos abertos, perseguições e afins, mas além disso, Marcelo soube extrair do elenco interpretações consistentes e precisas. Vale destacar também que a montagem do filme é incrivelmente bem realizada, o ritmo narrativo de thriller de suspense fica presente em quase todo a sua projeção.

POLÍCIA FEDERAL - A LEI É PARA TODOS (Crítica)

O único problema técnico do filme se encontra em sua trilha sonora, mesmo sendo adequada e marcante, ela é invasiva em diversas cenas, o que acaba por incomodar ora ou outra.

Apesar de tantos elogios, o filme tem alguns problemas que o torna menor diante do que poderia ser. Primeiro o filme usa nomes reais ao mostrar a história, e pior, existe uma escolha por só apresentar as denúncias da esquerda, deixando de lado os casos graves cometidos pela direita. A “desculpa” do diretor foi que para desenvolver um filme é necessário fazer escolhas, será que foram as melhores? Outro problema é que ao usar os nomes reais para representar a história ele precisou transformar tais personagens em heróis e vilões para seu enredo e isso tornou o que seria um filme sério e importante para trazer à tona as lembranças da Operação Lava-Jato numa representação cômica, tudo é caricato e exagerado, ainda mais por que toda a história aconteceu em 2014, e temos as lembranças frescas na mente, assim sendo, você acaba rindo daquela representação.

Ao assistir ao filme a sensação que fica é que não era a forma e nem o momento certo para sua realização, já que o discurso e a transformação do Lula em um grande vilão parecem uma enorme propaganda de diminuição do poder da esquerda.

Toda essa história tão bem contada, e tecnicamente quase impecável, poderia ter sido usada num filme que deixasse nas entrelinhas os nomes reais dos envolvidos na história, para que o discurso dito pelos realizadores sobre ser um grande filme de ação com o objetivo de entreter o público e apartidário, tivesse sentido de ser falado.

Pôster de divulgação: POLÍCIA FEDERAL - A LEI É PARA TODOS

Pôster de divulgação: POLÍCIA FEDERAL – A LEI É PARA TODOS

SINOPSE

O filme conta a saga da maior e mais bem-sucedida operação de combate à corrupção da história do país – a Operação Lava Jato. Pelo ponto de vista do delegado Ivan (Antonio Calloni) e de sua equipe da Polícia Federal, em conjunto com a força-tarefa do Ministério Público Federal, o longa revela os esforços para desvendar o esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a executivos de uma estatal de petróleo, empreiteiras, partidos políticos e parlamentares. O thriller mostra ainda o papel decisivo da Justiça para que a investigação não fosse destruída pelas forças políticas envolvidas.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Marcelo Antunez” espaco=”br”]Marcelo Antunez[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Thomas Stavros e Gustavo Lipsztein
Título Original: Polícia Federal – A lei é para Todos
Gênero: Drama
Duração: 1h 33min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 7 de setembro de 2017 (Brasil)

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2 Comentários

  1. Paulo

    Kadu, procure outra coisa p ganhar a vida. Foi a melhor tri sonora q ouvi num fIlme nacional. Qto a direita q Vc citou na tua cRitica q ninguem comentou salvo este Que escreve, seria o psdb? Pmdb? RS

    • Kadu Silva

      Oi Paulo. Obrigado pelo comentário. Que bom que você achou a trilha a melhor de todos os tempos no cinema nacional, mostra que cada um consegue ter uma leitura própria e individual da trama. Quanto a citações politicas foram citadas simplesmente porque tive acesso mais próximo dos envolvidos na produção.