PROCURANDO DORY (Crítica)

Kadu Silva

Encantador, mas inferior ao que o originalizou

Se tem um estúdio de animação, que causa expectativas sempre que anuncia algum filme, certamente esse é o da Pixar, por mais que as vezes eles derrapem em algumas produções, a maioria dos longas e curtas são de níveis elevadíssimos. E isso não foi diferente quando anunciado Procurando Dory, ainda mais por reviver o universo de um dos clássicos do estúdio Procurando Nemo, no entanto, ainda que seja um filme encantador, é inferior a obra da qual foi originalizado.

Nesse filme muda-se a busca, não é o pai superprotetor a procura do filho perdido e sim a filha em busca dos pais, que ela por sofrer de perda de memória recente não lembra onde estão. Nessa aventura Dory encontra vários amigos e ainda acaba parando nas mãos dos humanos.

O roteiro do também diretor Andrew Stanton (Wall-E), infelizmente apresenta alguns problemas graves, primeiro, não consegue criar uma história criativa e que não seja tão dependente do anterior, e pior, encontra soluções ilógicas para alguns conflitos do arco dramático (principalmente no terceiro ato) que não parecem proveniente de um estúdio como a Pixar. Mas o roteiro também tem seus acertos, ele novamente sabe destacar uma deficiência e transforma-la em algo especial para quem a possuí, sabe usar o flashback de forma a agregar a trama, já que Dory tem a perda da memória, esse recurso se torna fundamental e muito bem encaixado na narrativa. Além disso, a relação pais e filhos é novamente retratada de forma inspiradora.

A versão nacional também precisa ter um destaque todo especial, afinal a tradução das falas dos personagens é simples genial. Houve uma preocupação interessante de usar as gírias locais para tornar a identificação com o público ainda mais fácil. Além disso, tem Marília Gabriela, que faz uma participação, sendo ela mesmo, através de sua voz. Seus momentos dentro da história são responsáveis por diversão garantida, ainda que a piada acerca de sua presença se torna repetitiva ao longa da projeção.

Por falar em personagens o filme apresenta novas e carismáticas figuras marinhas, agregando encantamento e ainda mais humor para a narrativa, mesmo não tendo nenhum de grande destaque o que chama mais atenção é o polvo Hank, que está em quase todo o filme e a baleia (amiga de infância de Dory) que acaba sendo interessante pelo baleiês que ela dialoga com a peixinha desmemoriada.

Como ocorreu em Procurando Nemo, a trilha sonora dessa animação é magnifica, além da seleção caprichada, as canções acabam em diversos momentos sendo responsáveis por auxiliar na narrativa da trama, como por exemplo quando a canção “What A Wonderful World” surge, é um momento mágico do filme, um dos poucos momentos que existe o brilho criativo dos roteiristas. É um momento em que não tem didatismo a imagem fala (e muito) por si só (momento para refletir).

Como é de se esperar o capricho dos elementos gráficos continua presente, vale reparar o cuidado na mudança de iluminação no mar de acordo com a profundidade dos personagens, um cuidado aos detalhes que impressiona.

Procurando Dory é encantador, divertido, mas não é uma obra-prima autentica como Procurando Nemo, vale como um bom passatempo, ainda que tenha as suas mensagens inspiradoras e educacionais para a criançada.

PROCURANDO DORY

SINOPSE

Um ano após ajudar Marlin (Albert Brooks) a reencontrar seu filho Nemo, Dory (Ellen DeGeneres) tem um insight e lembra de sua amada família. Com saudades, ela decide fazer de tudo para reencontrá-los e na desenfreada busca esbarra com amigos do passado e vai parar nas perigosas mãos de humanos.

DIREÇÃO

Andrew Stanton, Angus MacLane

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Andrew Stanton
Título Original: Finding Dory
Gênero: Aventura, comedia
Duração: 1h 35min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: Livre
Lançamento: 30 de junho (Brasil)

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2 Comentários

  1. Dany Costa

    Gostei, ótima crítica, parabéns!

    • Kadu Silva

      Obrigado Danny. Voltei sempre e deixe sua opinião ela é muito importante para o desenvolvimento do site. Abraço