Quase Memória (Crítica)

Emílio Faustino

Com estreia marcada para hoje, dia 19 de abril, o novo filme de Ruy Guerra, “QUASE MEMÓRIA”, apresenta os atores Tony Ramos e Charles Fricks que dão vida ao mesmo personagem em idades diferentes.

A trama do filme narra um encontro filosófico entre o Eu do passado e do Futuro, que acontece de forma abrupta sem maiores delongas ou explicações. É como se em determinado momento você acordasse e se deparasse com o seu Eu mais novo ou mais velho.

A partir deste encontro inusitado, o filme se desenrola através de um fio condutor muito tênue: a memória vívida do jovem Carlos que investiga os rumos do seu futuro através da “Quase Memória” do Carlos velho que sofre com a perca de sua memória e vê no seu Eu do passado a oportunidade de relembrar parte de sua vida.

Um preceito muito interessante, porém mal desenvolvido, uma vez que a história se limita a destrinchar as memórias que o personagem tem de seu pai, ignorando os demais aspectos da vida de Carlos.

O que se vê na tela são duas histórias que se revezam: a história do encontro do passado e do futuro e a história saudosista sobre a vida do pai de nosso personagem. (Que me perdoem a franqueza: mas essa segunda parte é absurdamente chata e desinteressante).

Ainda sim, dentro do que se propõe o filme tem seus méritos, tais como a fotografia que marca bem a transição entre um núcleo e outro. Deixando mais sombrio o núcleo do encontro e abusando das cores vivas nos terrenos onde a memória vive.

É interessante observar dentro desse aspecto que a fotografia do filme traduz muito bem a reprodução de uma memória, buscando sempre contar a história de um ângulo não convencional, com uma leve inclinação. Transmitindo de forma brilhante a ideia de que nossas memórias não são lineares, claras ou definitivas.

É notável também a diferença das atuações de um núcleo para o outro. Transitando entre um drama mais realista e o exagero das memórias que beira as atuações de teatro de tão caricatas.

O filme é baseado no best-seller do jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, a dramédia é inspirada nas histórias vividas pelo pai de Cony, um homem que acreditava em tudo o que fazia e convencia todos a sua volta que era tudo verdade.

É neste ponto que fica nítido que se trata de um trabalho autoral, uma vez que o melhor do filme são as explanações filosóficas propostas pelo diretor Ruy Guerra através do encontro do Eu do Passado com o Eu do futuro. Uma ideia tão interessante que faz o telespectador se interessar mais por este aspeto, do que a história que originou o filme.

Por fim é preciso dizer que o filme não se sustentaria sem o peso dramático da atuação de Tony Ramos que mais uma vez da show de interpretação, destoando de certa forma da atuação do seu Eu do passado e trazendo uma verdade cênica que consegue te convencer que aquilo que você esta vendo na tela é real.

Inevitável não sair do filme se perguntando o que diríamos se pudéssemos ao nosso Eu do passado. E só de nos fazer sair do cinema refletindo algo o filme já cumpre o seu papel.

Pôster de divulgação: Quase Memória

Pôster de divulgação: Quase Memória

SINOPSE

Carlos (Charles Fricks) é um jornalista que, em um dia qualquer, recebe um pacote diferente. Através da letra e do embrulho, ele logo nota que o remetente é seu próprio pai, Ernesto (João Miguel), que morreu há alguns anos. Espantado, Carlos fica em dúvida se deve ou não abrir o pacote. Enquanto isso, relembra divertidas memórias que teve ao lado do pai.

DIREÇÃO

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ruy Guerra, Bruno Laet, Diogo Oliveira
Título Original: Quase Memória
Gênero: Drama
Duração: 1h 35min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 19 de abril de 2018 (Brasil)

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