Rampage: Destruição Total (Crítica)

Ricardo Rocha

“- Preciso desligar (o celular). Um carro acabou de explodir na minha frente! – diz a personagem enquanto olha o noticiário na tv, pega uma bolsa e sai de sua casa, enquanto vemos uma foto de um jovem rapaz.”

Lendo essa cena, parece que estamos diante de algum drama com uma mirabolante reviravolta. Mas não se engane. Essa cena vai fazer você rir involuntariamente sem você perceber o porquê daquela fala inserida propositalmente para parecer ridícula.

Junte “Kong – A Ilha da Caveira”, “A Falha de San Andreas” e “Viagem a ilha misteriosa” e teremos; “Rampage – Destruição Total”. Como o subtítulo já deixa bem claro, destruição é o que não vai faltar neste cansativo e despretensioso blockbuster que veio para se juntar a famosa galeria dos filmes esquecíveis.

Aqui temos um verdadeiro parque de diversão para o super astro do momento brincar à vontade, estamos falando do brucutu mais adorado do cinema Dwayne Johnson (Jumanji: Bem-Vindo à Selva).

Davis (Dwayne Johnson) é um homem que prefere os animais do que os humanos, e eu até preferiria também nos dias de hoje. Ele cuida de um centro de pesquisa de animais selvagens junto com uma equipe que parece ter sido tirado do filme “Jumanji: Bem-Vindo à Selva” (2018). Mas logo esse grupo é descartado, para a inserção de outros dois personagens, digamos… mais aproveitáveis. Davis, tem uma ligação muito sincera com um dos gorilas do qual cuida desde que achou perdido e indefeso dos caçadores. A cor deste primata o faz se destacar dos outros por ser albino, também nos cria uma conexão imediata, já que ele é tão brincalhão e brucutu quanto o próprio Dwayne. E já aponto o primeiro grande erro do filme. Essa apresentação do gorila que se comunica através de Libras, e muito bem trabalhado digitalmente, não vai muito longe, não é bem aproveitado, parece que fica faltando alguma parte, que mesmo no final, quando tememos pelo pior, parece que nossa torcida não é tão sincera. Eu gostaria de ter visto mais a relação do Davis com o Gorila, mais de ter visto eles em ação juntos como uma dupla, algo que só foi explorado no final do filme, e ainda sim, de forma muito rápida.

Rampage: Destruição Total (Crítica)

Depois de um terrível acidente espacial de uma pesquisa feita sob as coxas (melhor momento 3D no filme, e que quase me engana com um… “Nossa esse filme começou bem…”) Os fragmentos/capsulas com resíduos tóxicos da pesquisa caem na terra, e alguns animais enxeridos, incluindo o gorila do Davis, resolvem colocar o nariz onde não foi chamado e o componente desta pesquisa a qual sugere nome do filme acaba se fundindo ao DNA dos animais, fazendo com que eles evoluam (assim como os Digimon) deixando-os maiores, mais fortes e com poderes especiais.

Claro que nesse filme sobra espaço para os terríveis vilões, uma dupla de irmãos que parecem terem saídos da galeria de vilões das meninas superpoderosas.

Davis então decide ajudar seu melhor amigo, o gorila, que foi infectado e está transformando-se numa criatura feroz e sem controle. No meio do caminho ele cruza com a Naomie Harris (que saiu do excelente Moonlight, e não sei como veio parar aqui) uma cientista que trabalhou na empresa dos vilões e ajudou a desenvolver essa pesquisa mirabolante que carrega tudo de forma explicada em um tablete. Ela tem até um arco interessante, com um passado afetado que liga a empresa onde trabalhou e seu irmão, mas que logo se perde no meio do caminho. Outro personagem que parece ter saído do universo de “Kingsman” é o Agente Russel (Jeffrey Jean Morgan, de “The Walking Dead”) um agente cowboy canastrão, que possui uma presença por horas irritante, por horas engraçada. Aparecendo em quase todos os momentos e lugares que te faz perguntar como ele foi parar ali?

Um lobo gigante que sabe voar, um jacaré que parece um dinossauro, a criatividade parece ter sido cortada neste ponto. Podiam ser explorados vários tipos de monstros, mas estes três, que mal aparecem exceto em sua hora final, destroem tudo que tiver no seu caminho, e tudo por conta de um sinal que os atraiu para o centro de Chicago, e por qual motivo mesmo? Não existem motivos importantes e convincentes. É tanto absurdo, tantos furos e ainda sim… O diretor Brad Peyton parece não saber exatamente o que quer mostrar, horas o filme se torna violento demais, horas parece levar a sério com a personagem da Naomie Harris, horas parece ser um filme de monstros gigantes destruindo tudo, horas parece um filme sobre amizade, ou na verdade pode ser tudo isso de forma genérica.

O filme se arrasta ali no meio de uma forma que fica cansativo. Se não fossem o carisma de Dwayne em tela, e um pouco de simpatia que criamos pelo gorila, acho que este filme estaria ali na disputa de piores do ano com “Círculo de Fogo: A Revolta. Mas é bem provável que muita gente vai se divertir, e até deixar umas lágrimas caírem pelo Gorila albino sarcástico. E isso, é mérito, do elenco esforçado, que faz o que pode com nada de roteiro, pelos efeitos bem construídos, e mais uma vez pelo tamanho que é Dwayne em tela.

Pôster de divulgação: Rampage: Destruição Total

Pôster de divulgação: Rampage: Destruição Total

SINOPSE

Davis Okoye é um primatologista (Dwayne Johnson), um homem recluso que compartilha um vínculo inabalável com George, um gorila muito inteligente que está sob seus cuidados desde o nascimento. Quando um experimento genético desonesto é feito em um grupo de predadores que inclui o primata, os animais se transformam em monstros que destroem tudo em seu caminho. Agora Okoye tenta conseguir um antídoto e impedir que seu amigo provoque uma catástrofe global.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Brad Peyton” espaco=”br”]Brad Peyton[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Carlton Cuse, Ryan J. Condal, Adam Sztykiel
Título Original: Rampage
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 1h 47min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 12 de abril de 2018 (Brasil)

VEJA TAMBÉM

Comente pelo Facebook