REFÉM DA PAIXÃO (Crítica)

Refem da Paixao

4emeio

Por Kadu Silva

Competente, mas poderia ir além

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Eu não sei se é consenso geral, mas alguns filmes fascinam por tudo que está envolvido nele, elenco, direção, roteirista, enfim. Refém da Paixão, apresenta alguns elementos que podem causar tal efeito em muitas pessoas. O elenco é forte, o diretor, vem de grandes filmes, e o livro, Fim de Verão, de Joyce Maynard, da qual o roteiro se baseia é super interessante, então essa produção, deve ter muitos espectadores esperando para conferir o resultado.

De antemão, posso garantir, que o filme não decepciona, no entanto, algumas falhas tiraram a possibilidade de um resultado bem mais impactante, que todos elementos já citados, poderiam causar.

Em linhas gerais o filme que acontece no final dos anos 80, na véspera do feriado do dia do trabalho, apresenta Adele (Kate Winslet) um mulher solteira e marcada por fortes e ruins acontecimentos do passados, ela vive com seu filho Henry, um adolescente sensível que diante da situação depressiva da mãe se senti responsável por cuidar dela. O dia a dia deles andava normal, até que, numa ida ao supermercado, ambos são forçados a dar carona para Frank (Josh Brolin) um fugitivo misterioso, que acaba se instalando na casa deles e mudando a vida dessa família.

O roteiro também escrito pelo diretor Jason Reitman, é extremamente eficiente em quase toda sua execução. Ele consegue sem pressa desenvolver com grande competência a personalidade dos personagens centrais, sabe encontrar caminhos para sair do obvio na narrativa, criar como poucos uma tensão que segue numa crescente, mas infelizmente em seu desfecho, busca soluções fáceis, que acaba por tirar o peso criativo que em todo restante havia sido apresentado.

Reitman se mostra brilhante na direção, utilizando de elementos cênicos fortes, para agregar valores extra a história, como por exemplo na decoração do quarto de Henry, onde podemos ver que o garoto é fã de quadrinhos e filmes que mostra semelhança na vida dele.

O diretor ajudado pelo ótimo elenco, consegue construir o clima de romance entre Adele e Frank, com raízes fortes, já que não pula etapas e o espectador consegue comprar esse sentimento e torcer pela felicidades do casal.

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A mesma eficiência podemos notar na forma em que o clímax final é elaborado, a tensão e a angustia se estila na telona é quase sufocante acompanhar esse terceiro ato, mesmo que a tal desconstrução, apresentada pelo clímax, não seja exatamente o que todos esperam.

Tecnicamente o filme também se mostra perfeito, fotografia, direção de arte, figurino. A reconstituição de época é impressionante, por que não é exagerada, querendo ser mais importante que a história. Um parênteses (em muitos filmes, existe um exagero no ornamento estético, que encobre falhas no roteiro ou na execução da trama), aqui é discreto, por isso se torna tão interessante, o mesmo podemos dizer da trilha sonora, que quase não é notada, mas é de suma importante, principalmente na construção do romance e do clima tenso, só reforçando, também sem querer ser o centro da atenção.

Outro grande trunfo do filme é o já citado ótimo elenco. A começar pelo garoto que faz Henry mais novo, Gattlin Griffith se mostra excelente, já que ele precisa e consegue dizer muito pelo seu olhar marcante, além disso o garoto tem um carisma muito forte, fundamental na presença cênica que o personagem precisa. O sempre competente Josh Brolin também não decepciona, sua química perfeita com Kate Winslet é o ponto alto. E ela para variar, dá um novo show de interpretação, a forma natural que a personagem muda do estagio sentimental de depressão profunda para a felicidade plena, pelos novos acontecimentos de sua vida, se mostram brilhantes. Tudo acontece sem pressa, o que acaba por mostrar verdade ao assistir.

Refém da Paixão além do desfecho decepcionante, também poderia ir além numa análise mais profunda dos sentimentos dos três personagens que viviam uma profunda mudança sentimental, mas que a escolha por privilegiar o romance, acabou deixando de lado e frustrando quem via nesses víeis psicológicos, conteúdos mais ricos para serem abordados.

Ainda assim Refém da Paixão é um filme inteligente, bem executado, que consegue segurar o espectador nessa trama de tensão que só cresce com o seu desenrolar pragmático.

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SINOPSE

Quando o Dia do Trabalho se aproxima, Henry Wheeler, de 13 anos, e sua mãe, Adele, entram em uma loja para comprar roupas para o início do ano escolar dele. A vida não tem sido fácil para Adele, uma mãe solteira e divorciada que raramente tem saído de casa nos últimos tempos.

Cruzando os corredores, Henry se depara com um homem ferido chamado Frank, que pede a ajuda dele e de Adele. Ele é carismático e dotado de uma persuasão intimidadora. Relutante, Adele aceita levar o desconhecido para casa. Com isso, provoca uma série de acontecimentos que se estendem por esse feriado fatídico e fazem com que eles confrontem o passado e definam seu futuro, mudando para sempre suas vidas.

ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Kate Winslet (Adele)” espaco=”x”]Kate Winslet[/do][do action=”cast” descricao=”Josh Brolin (Frank)” espaco=”x”]Josh Brolin[/do][do action=”cast” descricao=”Gattlin Griffith (Henry Wheeler)” espaco=”br”]Gattlin Griffith[/do][do action=”cast” descricao=”Tobey Maguire (Henry Mais Velho)” espaco=”br”]Tobey Maguire[/do]

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=” Jason Reitman” espaco=”br”]Jason Reitman[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jason Reitman
Título Original: Labor Day
Gênero: Drama
Duração: 1h 51min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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