REI ARTHUR – A LENDA DA ESPADA (Crítica)

Kadu Silva

Versão videoclíptica da lenda

Guy Ritchie (Sherlock Holmes) é um diretor que divide opiniões, ou você ama, ou odeia, mas o fato é que ele tem uma marca que em geral sempre mantem uma coerência em suas obras. Na épica e clássica história do Rei Arthur não foi diferente, ele faz uma versão videoclíptica da trama, com canções empolgantes, grandes efeitos visuais e cenas de tirar o fôlego.

A história é livremente inspirada na versão mais conhecida de Rei Arthur. Aqui Arthur (Charlie Hunnam) é separado de sua família, no momento em que seu tio Vortigern (Jude Law) domina o reino até então comandado pelos pais do garoto Arthur. Já crescido o jovem Arthur acaba tendo o primeiro contato com a espada Excalibur, que foi enfeitiçada para só ser usada pelos descentes do rei, é então que ele terá que aprender a domina-la para unir seu povo contra a tirania de seu tio Vortigern que continua no comando do império inglês.

O roteiro do próprio Guy Ritchie, Joby Harold e Lionel Wigram, usa apenas a estrutura base do arco dramático da história original e faz uma versão mais moderna e cheia de detalhes originais. Existe muita de mitologia e fantasia no enredo, dando para a fita um caráter bem fictício, algo que lembra “Os Senhor dos Anéis” e até a série “Game of Thrones”. A própria construção dos personagens foge do obvio, já que a personalidade do herói é completamente fora da caixinha, ele não é o perfeitinho e correto, o que é naturalmente esperado para o posto, na verdade há uma certa “humanização” do personagem, até o vilão caricato Vortigern, mostra seu lado humano quando é desafiado, ou seja, ainda que seja uma história tipicamente maniqueísta, os personagens são mais “humanos”, o que deve aproximar o público da obra.

E como é esperado num filme de Ritchie, tem muita pirotecnia visual, principalmente nas cenas de ação, e é nesses momentos que o uso do 3D literalmente saltam aos olhos. As músicas bem fora do obvio para um filme de época, embalam as perseguições e a lutas dando para experiência quase que uma história “cantada”, já que parece um grande vídeo clip em alguns momentos. E o ritmo frenético é sempre acelerado na montagem da narrativa da trama, ligando um plano a execução no mesmo momento, Ritchie deixa o espectador sempre ligado na história e na tensão que é crescente dentro da trama.

Apesar de todos esses acertos louváveis, no elenco alguns atores não conseguiram brilhar em seus papeis, como por exemplo Astrid Bergès-Frisbey (Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas) que faz a Margo, sua expressão sempre sofrível não condizia ao poder que ela exercia na história. O próprio Charlie Hunnam (Círculo de Fogo) não tem o carisma esperado para um papel tão icônico como o Rei Arthur, ainda assim ele consegue levar o personagem bem no filme, já que espertamente Ritchie nunca tenta explorar o seu lado dramático ao longo da projeção.

Outro detalhe que em alguns momentos incomoda é o uso excesso do CGI não tão bem-acabado, que acaba ficando evidenciado pela montagem acelerada escolhida pelo diretor, mas nada que torne a experiência desagradável.

Essa nova versão de Rei Arthur é divertida, frenética e principalmente entrega o que promete.

Pôster de divulgação: REI ARTHUR - A LENDA DA ESPADA

Pôster de divulgação: REI ARTHUR – A LENDA DA ESPADA

SINOPSE

Arthur (Charlie Hunnam) é um jovem das ruas que controla os becos de Londonium e desconhece sua predestinação até o momento em que entra em contato pela primeira vez com a Excalibur. Desafiado pela espada, ele precisa tomar difíceis decisões, enfrentar seus demônios e aprender a dominar o poder que possui para conseguir, enfim, unir seu povo e partir para a luta contra o tirano Vortigern, que destruiu sua família.

DIREÇÃO

  • Guy Ritchie Guy Ritchie

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Joby Harold, Guy Ritchie, Lionel Wigram
    Título Original: King Arthur: Legend Of The Sword
    Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
    Duração: 2h 7min
    Classificação etária: 14 anos
    Lançamento: 18 de maio de 2017 (Brasil)

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