REZA A LENDA (Crítica)

REZA A LENDA

4emeio

Por Kadu Silva

Os mercenários do Agreste

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Creio que não é a primeira vez, que falo da importância do Brasil ter um leque de produções com gêneros variados para apresentar para seu público. Um país que tem um rico e diversificado acervo cinematográfico, é um país culturalmente melhor. Apesar dessa terrível crise que estamos vivendo, até o momento o cinema nacional está a cada ano trazendo novos e bons exemplos de filmes que nunca foram recorrentes no nosso cinema. Reza a Lenda é mais um desses filmes que não costumamos ver por aqui – uma produção de ação, com um roteiro bem fora do comum e visualmente deslumbrante.

A história é de um grupo de motoqueiros liderados pelo Pai Nosso (Nanego Lira), que estão em busca de uma santa, que de acordo com uma lenda local, caso, o detentor da santa a coloque no altar correto, o sertão terá chuva e comida novamente. No entanto, essa lenda proferida pelo Galego Lorde (Júlio Andrade), só acontece se o grupo entregar a ele, uma jovem.

Esse roteiro completamente original e criativo foi escrito por Homero Olivetto, Patrícia Andrade e Newton Cannito, e apesar de parecer uma certa provocação para o momento religioso em que vivemos no Brasil, na verdade não tem esse objetivo aparente, – já que segundo Homero, a trama foi pensada a muito tempo por ele, foi somente uma coincidência.

Essa “provocação” é devido ao personagem de Humberto Martins, o Tenório, que é um rico empresário e o detentor da santa, que a usa para tirar dinheiro do povo humilde, e além disso, utiliza a palavra de Deus para justificar suas mais tenebrosas ações contra quem quer que atrapalhe seus planos.

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Apesar da criatividade no arco dramático da trama, o roteiro apresenta problemas em não desenvolver de forma clara os personagens secundários, sobrecarregando os protagonistas em manter o público entretido com o enredo. Apesar disso, vale destacar também a escolha ousada do longa ser quase sem diálogos, boa parte da comunicação entre os personagens acontece com o olhar ou através de suas atitudes perante aos fatos. Para um filme com esse propósito, é necessários atores que cumpram bem esse papel, e nisso Homero, foi bem feliz em suas escolhas, Cauã Reymond, Sophie Charlotte, Luísa Arraes e Jesuíta Barbosa estão perfeitos, mas o grande destaque vai para a composição ímpar de Humberto Martins, para esse homem contraditório, um vilão de encher os olhos.

Tecnicamente o filme é perfeito, a começar pela fotografia de Marcelo Corpanni, que explora muito bem o árido e deslumbrante agreste nordestino, tem também os montadores Manga Campion e Marcio Canella, que conseguem dar um ritmo de thriller de ação na medida certa para a história, mas o grande destaque é para a trilha sonora, que impressiona, ela é peça fundamental no filme, já que consegue elevar as cenas a níveis notáveis de adrenalina, o casamento perfeito para um filme de ação.

O diretor Homero Olivetto que faz sua estreia em longas-metragens, também merece destaque, já que consegue um resultado bem interessante com a produção. Ele soube mesclar um longa de entretenimento, que te prende do começo ao fim e ainda assim, deixa o público com a possibilidade de refletir sobre a trama, que muito diz sobre alguns assuntos atuais que estamos vivemos. E mesmo sem planejar, ele também faz uma ótima homenagem a Mad Max, pois as influências são claras ao assistir ao filme, e Homero confessa ser fã do filme de 1979.

Reza a Lenda, além de apresentar um nordeste fictício e pop, como nunca tínhamos vistos na telona, ainda mostra como a religião quando é usada de forma errado é capaz de ferir muitas pessoas inocentes.

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SINOPSE

Em uma terra sem lei, a sorte favorece apenas os mais fortes e corajosos. Ara (Cauã Reymond), um homem de ação e poucas palavras, é o líder de um bando de motoqueiros armados que acredita em uma antiga lenda capaz de devolver justiça e liberdade ao povo da região. Quando realizam um ousado roubo, acabam despertando a fúria do poderoso Tenório (Humberto Martins). Agora, Tenório vai concentrar todas as suas forças em uma perseguição para destruir o bando de Ara e recuperar aquilo que acredita ser seu por direito. Durante a perseguição, a jovem Laura (Luisa Arraes) é resgatada de um acidente e tem que seguir o bando contra a sua vontade, despertando ciúmes em Severina (Sophie Charlotte), companheira de Ara.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Homero Olivetto” espaco=”br”]Homero Olivetto[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Homero Olivetto, Patrícia Andrade e Newton Cannito
Título Original: Reza a Lenda
Gênero: Ação, Romance
Duração: 1h 26min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 21 de janeiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

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1 Comentário

  1. Léo Campos

    E mesmo sem planejar, ele também faz uma ótima homenagem a Mad Max. Ao meu ver ele planejou sim!!!! E não é só do antigo Mad Max do Mel Gibson, mas nesse novo do Tom Hardy. Tem uma “furiosa”, O Mad Max, O Immortan Joe, promessa de água e ou prosperidade então, repito, ao meu ver ele planejou sim! Não que isso desmereça o filme, muito pelo contrário, acho bom, pois ter essas influencias boas de filmes norte-americanos, ajudam a desenvolver o nosso que ainda está engatinhando!