RIO 2 (Crítica)

RIO 2

2estrelas

Por Pedro Vieira

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É normal a qualquer brasileiro se admirar em ver o seu país e sua cultura sendo bem retratado em um filme de alcance mundial, como aconteceu com o primeiro “Rio”. Dando ênfase na Cidade Maravilhosa e no carnaval, e com uma trilha sonora divertida e cheia de samba, a animação conseguiu agradar muito bem o público do Brasil.

“Rio 2” continua com essa mesma proposta, mas agora abrangendo as belezas da Amazônia, e mostrando rapidamente alguns pontos turísticos do Brasil durante uma divertida cena. Porém, ao contrário de seu predecessor, a nova aventura de Blu e Jade acaba por perde sua vivacidade em uma história cheia de excessos.

Tudo começa quando indícios de novas araras azuis são encontrados pelo ornitólogo Tulio e sua esposa Linda na Amazônia. Após os verem dando uma entrevista na televisão, Jade e Blu decidem deixar o Rio de Janeiro junto de seus três filhos para ir até Manaus investigar o caso. Claro, não demora muito para eles encontrarem a tribo de Araras Azuis na qual Jade nasceu. Ela volta então a se enturmar com antigos conhecidos, como seu pai Eduardo e seu ex-namorado Roberto, enquanto Blu sofre para se adaptar na floresta brasileira e tentar conseguir a aprovação das outras araras – em especial o pai de Jade.

A história do marido que tenta agradar ao sogro e se mostrar superior ao “ex” da esposa já é batida, e aqui não se encontrar nenhum traço de criatividade que faça com que o público se afeiçoe às situações do personagem. Além disto, há pouco espaço para o desenvolvimento da dinâmica entre Blu e Eduardo, e menos ainda para se conhecer a história de Roberto. Isso acontece principalmente graças à grande quantidade de personagens e subtramas do filme, que não se encaixam na narrativa principal, lhe dando um ritmo lento – por mais que o filme tenha apenas uma hora e meia.

O principal exemplo desse efeito é a volta (desnecessária) de Nigel, o vilão do primeiro filme. Primeiramente ele perde o papel de antagonista – que fica a cargo do líder de um grupo de madeireiros que pouco convence – mas ainda assim continua com planos de vingança contra Blu. Entretanto, nenhuma de suas ideias da certo, e quando a projeção termina, ele não interferiu de forma relevante em momento algum. Mesmo aparecendo acompanhado de dois novos personagens divertidos, uma rã tóxica apaixonada e um tamanduá esfomeado, é frustrante vê-lo em cena, pois se sabe que nada do que ele faça trará consequência alguma a Blu ou qualquer outro personagem.

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As belíssimas canções que embalam a animação sofrem do mesmo problema. A música sempre foi vista como elemento essencial do país e ela continua a ser bem tratada pelo músico Carlinhos Brown e o diretor Carlos Saldanha. Isso olhando pelo ponto de vista das músicas fora da narrativa, pois elas não se encaixam no roteiro, e assim não o fazem andar. Estão lá apenas como enfeite, uma acessório a mais, que se fosse retirado, pouco interferiria no produto como um todo. É como se “Rio 2” não fosse pensado como um musical, mas como um filme do se deve inserir músicas para chamar mais a atenção.

Mas apesar dos problemas na história que vão se acumulando (a tal ponto que no clímax todos eles são resolvidos de forma forçada), o filme encontra na parte visual seu aspecto mais positivo. Todos os cenários são realmente muito lindos e quase reais, assim como os personagens bem coloridos. Um verdadeiro deleite para os olhos, que parece só ser superado pela floresta amazônica real. Também há ótimas sequências visuais, como o momento em que as araras azuis dançam para Jade como em uma ritual indígena, ou na cena do jogo de futebol entre araras.

É louvável a preocupação do filme com o problema do desmatamento na floresta amazônica, mas como acaba por ser abordada de forma demasiadamente infantil, chega a lembrar uma dessas cartilhas distribuídas em escolas, com historinhas de pessoas que se preocupam com o meio-ambiente. Se o longa tivesse maior profundidade, poderia ter o mesmo impacto que “Avatar” teve em relação ao tema – a final, é inegável que o filme fará sucesso, tendo em vista o anterior.

Afinal, “Rio 2” parece só estar preocupado em mostrar as belezas brasileiras e os problemas ecológicos enfrentadas pelo país (e nesse ponto se aproxima bastante de seu antecessor), e não em trazer um conteúdo bem elaborado. É um daqueles filmes que poderão agradar as crianças menores, tendo em vista seu visual chamativo e bonito e suas divertidas canções capazes de prender a atenção, mas os adultos ficarão incomodados com sua lentidão, e apenas desejarão retomar as boas lembranças do primeiro filme.

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SINOPSE

Blu (Jesse Eisenberg) vive feliz no Rio de Janeiro ao lado da companheira Jade (Anne Hathaway) e seus três filhotes, Carla (Rachel Crow), Bia (Amandla Stenberg) e Tiago (Pierce Gagnon). Seus donos, Linda (Leslie Mann) e Túlio (Rodrigo Santoro), estão agora na floresta amazônica, fazendo novas pesquisas. Por acaso eles encontram a pena de uma ararinha azul, o que pode significar que Blu e sua família não sejam os últimos da espécie. Após vê-los em uma reportagem na TV, Jade insiste para que eles partam para a Amazônia. Blu inicialmente reluta, mas acaba aceitando a ideia. Assim, toda a família parte em uma viagem pelo interior do Brasil rumo à floresta amazônica sem imaginar que, logo ao chegar, encontrarão um velho inimigo: Nigel (Jemaine Clement).

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Carlos Saldanha” espaco=”br”]Carlos Saldanha[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Carlos Saldanha e Don Rhymer
Título Original: Rio 2
Gênero: Aventura
Duração: 1h 42min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: Livre

TRAILER

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1 Comentário

  1. Yo

    Esto va para el redactor de esta “Crítica” por así decirlo: Me importa un Señor magistrado en telecomunicaciones, electricista carpintero, etc, Si Rio 2 recibe este tipo de crítica, Por que simplemente uno, no puede aceptar que no ha tenido infancia y dos, no acepta que Rio 2 esta de Putas. Hasta pronto.