RIO, EU TE AMO (Crítica)

RIO EU TE AMO

3estrelas

Por Emílio Faustino

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“Muito Rio, pouco amor, filme “Rio eu te amo” funciona bem como cartão postal em forma de vídeo, mas se esquece de falar de amor”.

Depois de “Nova York eu te amo” e “Paris eu te amo”, chegou a vez do Rio de Janeiro integrar a franquia “Cities of Love”. A proposta inicial do filme é celebrar o amor na cidade do Rio de Janeiro na visão de alguns dos mais importantes diretores do cinema mundial contemporâneo, entre eles os brasileiros: Fernando Meirelles (Cidade de Deus/ O Jardineiro fiel) e José Padilha (Tropa de Elite/ Robocop).

Tinha tudo para dar certo, atores expressivos como Fernanda Montenegro (Central do Brasil), Rodrigo Santoro (300), Wagner Moura (Tropa de Elite), Jason Isaacs (Harry Potter),diretores consagrados e é claro: o Rio de Janeiro, uma cidade que como já diria a música é bonita por natureza.

Contudo, porém, mesmo com toda essa matéria prima em mãos, o filme não consegue cumprir a missão que deveria ser contar histórias de amor tendo como plano de fundo o Rio de Janeiro. Não que não existam histórias de amor no filme, elas existem, mas em proporção bem menor se comparar com os demais filmes da franquia.

Um dos maiores deméritos do filme foi à necessidade de criar cenas que contextualizassem os seus patrocinadores. Em vários momentos somos contemplados com propagandas em evidência, que vão desde cerveja, perfume, até a prefeitura do Rio de Janeiro. Sabe quando a cena em si não tem nenhum propósito senão vender a marca? Então… Faltou sutileza, tudo bem haver patrocinadores no filme, mas também não precisa focar toda hora na marca, isso acaba por tirar o brilho do filme, que poderia muito bem trocar o nome de “Rio eu te amo”, para: “Rio eu te vendo”, porque né…

Se existe um aspecto positivo e linear nessa coletânea de curtas que se cruzam é a fotografia, que de modo geral esta muito bem feita. Explorando ao máximo as belezas naturais do Rio, em suas formas e cores vibrantes.

Sem dúvida, é um filme esteticamente interessante de se apreciar, destaque para o curta dirigido por Fernando Meirelles que faz algumas experimentações com sons e ângulos proporcionando através da história do escultor de areia um curta bastante conceitual e bem executado.

As músicas do filme são boas, porém pra lá de previsíveis, de qualquer forma, somos acolhidos ao som arrebatador de Gilberto Gil que dá tom e cara a tudo o que veremos a seguir. Também temos na trama muita bossa nova, MPB, samba e músicas também em inglês e francês. (Aliás, o que foi a cena com a música em francês!? Do nada a mulher começa a dublar a música e o que era pra ser um curta, mais parece um clipe de música que simplesmente não funciona…. Mas verdade seja dita, a música em questão é linda).

Fernanda Montegro e Wagner Moura pra variar roubam a cena. Logo no primeiro curta sua aparição arrebatadora no papel de moradora de rua sábia nos emociona e nos faz crer que teremos pela frente um grande filme.

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Já Wagner Moura surge no meio da história no papel do desacreditado fiel que resolve questionar o Cristo, uma passagem hilária que por conter um potencial polêmico quase não entrou no filme. Mas que bom que no fim a cena entrou, pois o cunho crítico deste curta nos faz refletir sobre os contrastes da beleza e da pobreza do Rio. (Tudo bem que os motivos que levaram o personagem de Wagner a questionar o Cristo ficaram muito vagos, mas de qualquer forma a cena proporciona boas risadas).

Já Rodrigo Santoro, esta tão expressivo quanto a sua participação em “As Panteras”, com a diferença que nesse filme ele tem falas. Seu personagem bailarino simplesmente não convence e não passa a emoção que poderia passar. As cenas de dança também não funcionam. Motivo: o dublê tinha um corpo muito diferente de Santoro e ficou discrepante a diferença, evidenciando desta forma as limitações do ator que diferentemente da Natalie Portman em Cisne Negro, só atua, mas não dança.

Dois curtas se destacaram pelo mau gosto, um deles Marcelo Serrado e um gringo estão escalando o Pão de Açúcar em um contexto pra lá de forçado e quando atingem o cume são surpreendidos por uma entidade espiritual cantante. Oi?!?! Esta cena ultrapassou a fronteira do trash e caiu no que chamamos de vergonha alheia. Antes desse desfecho que parece ter sido idealizado por uma criança de 5 anos, o curta até que tem uma evolução interessante, mass….

O outro curta que mais parece ter sido dirigido pelo Zé do Caixão, conta a história de um vampiro, com direito a uma cena de carnaval de rua com vampiros. Não bastasse a cena ser ultra trash, ela também é mal feita, uma vez que alguns figurantes tinham prótese de dente de vampiros e outros não. (Sim, eu reparei nisso).

A única coisa que eu pensava quando via esses 2 curtas que nada falavam sobre amor era: “Quer dizer que é assim que o mundo vai ver o Rio de Janeiro/Brasil? Que triste…”

No calculo mental que fiz baseado única e exclusivamente na minha opinião, de todos os curtas apresentados, apenas 50% mereciam estar ali, os demais poderiam ter sido substituídos por histórias que tivessem mais haver com a proposta da franquia.

Em “Rio eu te amo”, temos o Rio de sempre, com muito sol, mulheres, futebol e afins. Faltou mais historias que falassem sobre amor. Infelizmente erraram a dose e o amor foi plano de fundo do Rio de Janeiro e não o oposto. O jeito é torcer para que um dia façam “SP eu te amo” mostrando que é possível promover a cidade e falar de amor ao mesmo tempo. Ainda que segundo a musica há quem diga que não existe amor em São Paulo…

Se vale a pena o ingresso para ver “Rio eu te amo”? Vale, não é exatamente o que se espera, mas em meio a alguns erros grotescos, existem ótimas atuações e boas histórias como a dos gringos que por telefone se passam por Jesus para ajudar um garotinho.

Essa história assinada, dirigida e atuada por Nadine Labaki, ajuda a dar ao filme a graça e o amor que alguns podem sentir falta nos demais curtas. Destaque para o garotinho dessa história que esta simplesmente espetacular no papel. (Há tempos não via uma atuação mirem tão boa e cativante). Só por essa história já vale a pena conferir o filme que estreia hoje em todo o Brasil.

Mas sim, eu esperava mais.

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SINOPSE

Terceiro longa-metragem da série Cities of Love Rio, Eu Te Amo é uma celebração do amor na cidade do Rio de Janeiro na visão de alguns dos mais importantes diretores do cinema mundial contemporâneo. Na forma de um caleidoscópio cinematográfico capaz de refletir a diversidade humana e física da cidade, o filme conta histórias de amores passageiros, eternos, em crise, amargos ou repletos de ternura, com um elenco internacional que reúne Harvey Keitel, Emily Mortimer, John Turturro, Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Vincent Cassel, Vanessa Paradis, Ryan Kwanten e Jason Isaacs, entre muitos outros.

DIREÇÃO

Andrucha Waddington, Carlos Saldanha, Fernando Meirelles, Guillermo Arriaga, Im Sang-soo, John Turturro, José Padilha, Nadine Labaki, Paolo Sorrentino, Stephan Elliott e Vicente Amorim

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Im Sang-soo, Nadine Labaki, Carlos Saldanha, John Turturro e Andrucha Waddington
Título Original: Rio, eu te amo
Gênero: Romance, Drama
Duração: 1h 47min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 10 Anos

TRAILER

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