ROA (Crítica) Mostra SP

Roa

3estrelas

Por Kadu Silva

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Uma das coisas mais interessantes de festivais e mostras como a de São Paulo é a possibilidade de assistir a filmes de países que só são exibidos no Brasil nessas ocasiões, fato que além de nos mostrar novas linguagens, nos apresentam também fatos históricos que pouco temos conhecimento. Como por exemplo, Roa um filme colombiano, com víeis novelístico, muito bem produzido e que apresenta uma versão de como aconteceu um dos mais famosos atos de protestos populares da história do país, conhecido como “La Violencia”.

1950 e a Colômbia estava prestes a eleger um novo presidente, o candidato mais popular era Jorge Elicier Gaitan do partido Liberal, o de maior cotação para ganhar a eleição, e assim dando fortes esperanças de um futuro melhor para o povo. Mas sem grandes explicações o politico foi assassinado a sangue frio ao sair de seu escritório, transformando o país num verdadeiro cenário de guerra.

Mas quem teria matado Gaitan? E por quê? Várias teses surgiram e Miguel Torres no livro O crime do século conta de onde possivelmente começou a história e de forma incrível, conhecemos o ingênuo e simples cidadão Juan Roa Sierre, que acabou virando o responsável principal por tal tragédia.

O diretor Andrés Baiz e Patricia Castañeda roteirizaram o livro apresentando para o público em detalhes a personalidade de Juan, deixando de lado o fato histórico e focando na construção do protagonista.

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Uma escolha que confere ao longa um quase pedido de desculpas para a família de Roa, pelo mal entendido que ocasionou tudo aquilo, afinal a forma como Juan é apresentado, é fácil nosso apego pelo homem simples e lutador, que acabou sendo manipulado, devido a sua ingenuidade, se tornando o pivô desse grande equivoco histórico.

É uma produção de acabamento primoroso, com reconstituição de época de encher os olhos, tanto na direção de arte como nos figurinos, mas quem apresenta em sua narrativa uma característica que lembra mais uma novela, com alguns momentos de grande genialidade.

Por ter uma trama bem amarrada e interessante o envolvimento do público acontece já nos primeiros minutos, ajudado pelo o ritmo da narrativa que vai aos poucos introduzindo elementos e personagens dentro do arco dramático.

Mauricio Puentes que faz Juan confere ao personagem toda a complexidade e descontrole psicológico que a falta de perspectiva x realidade ruim vão acrescentando ao seu estado emocional. É um brilhante trabalho de entrega, visto a cena final que é de uma poesia maravilhosa.

O filme carece de uma linguagem mais autoral ou mesmo de um roteiro que mostra mais sobre o pano de fundo, (conchavos políticos), principalmente quando a obra almeja ter um alcance mundial, da forma que está funciona mais para os colombianos que sabem a fundo sobre o acontecido, no entanto é de se ressaltar que o produto final é excelente como entretenimento.

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DESTAQUE

Para o responsável pelo desenho de produção. Os cartazes que Juan cola nos muros da cidade, quando finalmente consegue um emprego, são maravilhosos. É uma lembrança da época em que não existiam computadores para criar cartazes, tudo era feito a mão.

SINOPSE

Juan Roa Sierre é um homem ingênuo e supersticioso que também é o suposto assassino de Jorge Elicier Gaitan, político e advogado colombiano que era o candidato dissidente para o Partido Liberal nas eleições de 1950. Baseado em fatos reais, o filme retrata um homem acusado de causar um dos episódios mais violentos da história da Colômbia, caso que ficou conhecido como “La Violencia”.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Andrés Baiz, Patricia Castañeda
Título Original: Roa
Gênero: Drama
Duração: 1h 38min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 anos

TRAILER

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