ROBOCOP (Crítica)

Robocop

4emeio

Por Emílio Faustino

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Ele voltou!!! Vinte e sete anos depois de sua primeira aparição, o ícone pop da década de 80 esta de volta aos cinemas. A frente dessa superprodução que custou mais de U$100 milhões esta o brasileiríssimo José Padilha, aclamado diretor de Tropa de Elite 1 e 2, que topou o desafio de fazer o remake do policial de lata mais famoso do planeta.

Por não ficar apenas na zona de conforto da ação generalizada, o filme vem dividindo opiniões. O novo RoboCop ganha contornos mais complexos ao apresentar uma trama elaborada que critica a mídia alienadora e os abusos militares dos Estados Unidos. Um verdadeiro feito, haja vista que o dinheiro do filme saiu das terras do Tio Sam.

É claro que tamanha ousadia teria o seu preço, e isso esta se refletindo nas bilheterias norte-americanas onde o filme ficou em terceiro lugar na semana de seu lançamento. (Perdendo para “Uma aventura Lego”).

Mas não se deixem enganar com os números ou com a baixa empolgação com que a mídia vem tratando o filme. A mídia só esta defendendo o interesse dela que é o de não promover um filme que fala mal da mesma.

O filme esta longe de ser ruim, ele consegue manter o telespectador vidrado na telona do começo ao fim, sem economizar nas cenas de ação, explosões e afins (Que é o que a maioria deve querer ver). O que talvez desagrade alguns é que se trata de algo mais cabeça do que a média dos filmes de ação que estamos acostumados a ver por ai.

Mas vamos à história, pois embora se trate de um remake, existem diferenças consideráveis. A história se passa em 2028, em uma época onde robôs substituirão soldados. E é claro, onde existe robô, existe tecnologia e onde existe tecnologia, existe dinheiro e onde existe dinheiro existe interesse.

Utilizando a mesma receita de Tropa de Elite 2, Padilha opta por desenvolver uma trama mais politizada, mostrando os bastidores de um sistema repleto de corrupção.

Paralelo a isso, temos o drama existencial do nosso cyborg protagonista, Alex Murphy (Joel Kinnaman ) um policial integro, bom pai e marido que após sofrer um atentado e perder boa parte do corpo se vê obrigado a coexistir com a roupa de Robocop.

Do outro lado dessa história, esta a OmniCorp, uma megacorporação comandada por Raymond Sellars (Michael Keaton) que fabrica robôs-soldados e que resolve com segundas e terceiras intenções financiar a armadura de Murphy.

Diferentemente da primeira versão que a família de Murphy some quando ele se torna um homem robô, na nova versão, a mulher e o filho de Murphy são parte ativa do enredo do filme contribuindo de forma efetiva para levantar a dúvida: É o homem que controla a máquina ou a maquina que controla o homem? (Uma questão sempre pertinente)

Em meio a essas questões éticas, surge Dennett Norton (Gary Oldman), que rouba a cena ao interpretar um cientista eticamente ambíguo, que ajuda a desenvolver um RoboCop com a precisão de um robô e as emoções de um ser humano.

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Um dos momentos mais inspirados do filme, é a comparativo que é feito da produtividade dos robôs soldados frente à produtividade do Robocop. Como era de se esperar, o fator “emoção” que é o que diferencia o nosso protagonista dos demais robôs acaba por interferir em seu rendimento. (Mas isso não é algo necessariamente ruim).

Do ponto de vista técnico, a presença marcante das câmeras de mão (marca registrada de Padilha) confere ao filme dinamismo e um ar de realismo as cenas. Os efeitos especiais também não deixam a desejar.

O filme ainda encontra espaço para algumas piadas bem sacadas e também explora o drama da relação do Robocop com a sua família, mas infelizmente o drama não funciona tão bem quanto as piadas, isso porque falta carisma, química e empatia no casal protagonista.

Aliás, o filme explora tantos aspectos externos, que a trama central do personagem por vezes fica esquecida, dificultando um maior envolvimento do telespectador com o personagem.

Embora não explore tudo aquilo que podia, o filme esta longe de ser uma decepção. É bom filme, inteligente e ousado, que acrescenta alguns aspectos que não foram explorados na primeira versão, o que de certa forma justifica a existência do remake.

Além de Padilha, o longa conta com os brasileiros Lula Carvalho (Tropa de Elite) na direção de fotografia e Daniel Rezende (Cidade de Deus) na montagem.

O novo RoboCop estreia nesta sexta em todo país e é uma boa opção para quem curte o gênero ação/ficção. Vale apena prestigiar o trabalho de Padilha e dar o nosso apoio a seu começo de carreira hollywoodiana. Acreditem: não será nenhum favor, o filme é bom mesmo!

Curiosidades:

Esta nova versão das aventuras do policial ciborgue marca o sexto filme da série, após Robocop, O Policial do Futuro(1987), Robocop 2 (1990), Robocop 3 (1993), RoboCop (1994) e a série de televisão RoboCop: Prime Detectives (2000).

O sucesso da franquia Robocop foi tão grande que as duas últimas produções da saga foram produzidos por uma empresa criada especificamente para os filmes deste personagem: a Robocop Productions Ltd.

Fonte: Adoro Cinema

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SINOPSE

2028. Já há vários anos os drones têm sido usados para fins militares mundo afora e agora a empresa OmniCorp deseja que eles sejam usados também para o combate ao crime nas grandes cidades. Entretanto, esta iniciativa tem recebido forte resistência nos Estados Unidos. Na intenção de conquistar o povo americano, Raymond Sellars (Michael Keaton) tem a ideia de criar um robô que tenha consciência humana, de forma a aproximá-lo à população. A oportunidade surge quando o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado, que o coloca entre a vida e a morte.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”José Padilha” espaco=”br”]Jose Padilha[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: José Padilha, James Vanderbilt, Edward Neumeier, Josh Zetumer e Michael Miner
Título Original: RoboCop
Gênero: Ficção Científica
Duração: 1h 57min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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