SABOR DA VIDA (Crítica)

SABOR DA VIDA

4estrelas

Por Elisabete Alexandre

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Sentaro (Masatoshi Nagase, de O Pacto) é o gerente de uma pequena loja de dorayakis (doce japonês recheado com pasta de feijão azuki) e é completamente sozinho, tanto na loja, quanto em casa. Precisando de ajuda com os dorayakis, ele coloca uma placa na loja informando que há uma vaga de emprego em aberto. A Sra. Tokue (Etsuko Ichihara) aparece se oferencendo para o trabalho, Sentaro logo a dispensa devido a sua idade avançada, mas ela insiste e volta trazendo a pasta de feijão que fez para que ele a experimente. Sentaro fica surpreso com o sabor e decide aceitar Tokue como funcionária, mas um motivo pelo qual ninguém pode fazer nada a respeito irá impedir que ela continue a trabalhar.

O Japão é o país com o maior número de idosos do mundo, aliás essa é a tendência para o futuro em muitos outros lugares, que a população de idosos cresça, devido ao avanço da medicina e a melhoria na qualidade de vida, inclusive no Brasil. Graças a esse fenômeno, estamos com dificuldades em saber o que fazer com esse número cada vez maior de pessoas em idade avançada, pois não adianta viver mais se isso também não significar viver bem. Ociosidade não é uma boa opção, ninguém gosta de se sentir inútil, mesmo quando se é já velhinho, a impressão é de estar apenas ocupando espaço e dando trabalho. Os idosos precisam se sentir úteis, mas essa utilidade pode ser encarada de duas formas diferentes: a que produz capital, ou seja, interessa ao Estado, pois o idoso gera renda e não apenas gastos; e a utilidade que satisfaz o indivíduo, no caso, o próprio idoso, independente se ela gera retorno financeiro ou não. O negócio é que passamos toda a nossa vida adulta produzindo, gerando renda, trabalhando, sendo útil financeiramente para nós e para o Estado e tentando nos sentir importantes de alguma forma.

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Somos todos tão condicionados a isso que passamos pela vida sem percebê-la. Já com certa idade, pensando que tudo o que poderíamos foi feito, notamos a insuficiência da vida e como ela passou sem que a realmente vivêssemos.

Sabor da Vida, que tem roteiro e direção da cineasta japonesa Naomi Kawase (O Segredo das Águas) e foi baseado no livro An, de Durian Sukegawa (sem tradução para o português), nos traz os três períodos mais importantes pelos quais passamos: a impaciente adolescência; a inércia da fase adulta; e a sabedoria tardia que vem com a idade, todos representados de uma só vez, como um grande panorama de uma vida inteira. E é justamente esse panorama que, quando observado com a devida sensibilidade, nos atinge em cheio na ferida que o tempo faz em nós, gradativamente, com o passar dos anos, essa ferida que só é percebida muitas vezes quando já é tarde demais para de fazer algo por ela. “Viemos a este mundo para ver e ouvir, não precisamos ser alguém.”, diz Tokue. O filme estreia oficialmente só em dezembro, mas para quem está em São Paulo, ele terá algumas sessões na Mostra Internacional que vai até dia 04/11, vale a pena conferir.

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SINOPSE

Tokue (Etsuko Ichihara), uma senhora de mais de 70 anos, se oferece para trabalhar em uma loja de dorayakis (um tipo de doce japonês feito com pasta de feijão azuki), inicialmente, Sentaro (Masatoshi Nagase), o gerente, não a aceita devido a sua idade já bem avançada, mas após provar a pasta de feijão feita por ela, ele muda de ideia e a contrata. Porém, há um motivo que impedirá que Tokue continue trabalhando.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Naomi Kawase” espaco=”br”]Naomi Kawase[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Naomi Kawase
Título Original: An
Gênero: Drama
Duração: 1h 53min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 03 de dezembro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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