SENSE8 – 2ª Temporada | (Crítica)

Kadu Silva

Ampliando os horizontes

Depois da primeira e bem-sucedida primeira temporada, Sense8, acaba de chegar com sua segunda e mais ambiciosa temporada. As irmãs Wachowski conhecidas pela franquia Matrix, conseguiram novamente nessa série a atenção e respeito da crítica e do público, principalmente porque a primeira temporada da série falava muito da intimidade delas, que estavam em processo da descoberta de sua identidade de gênero (para quem não sabe, as irmãs nasceram homens e ao longo do tempo perceberam que eram na verdade mulheres transgêneras), já nessa segunda temporada o olhar sobre a identidade é global e não tão íntimo como na primeira, pois a série amplia os horizontes para temas mundiais, colocando o indivíduo como peça fundamental do todo em que vivemos.

A segunda temporada da série traz a sequência do episódio de natal, mostrando os oitos sensitivos tentando descobrir todo o mistério que envolve o esquema “maléficos” que está tentando acabar com eles. Diferente da primeira temporada os oitos personagens já têm domínio de seu poder e assim eles trabalham em harmonia na tentativa de se livrarem do mau que os ronda. Nessa trajetória em busca de respostas e soluções, eles conhecem novos sensitivos e a assim a visão sobre a história cresce enormemente, trazendo muito mais arcos para serem explorados.

Apesar de novas nuances e tramas ganharem espaço na história, não é esquecido nessa temporada de amarrar alguns pontos que estavam abertos na primeira temporada, a visão sobre todo o esquema sombrio, ganha ainda mais detalhes e o clima de suspense cresce ainda mais na narrativa.

Outro detalhe interessante é que a série deixa de lado a “exploração” da nudez e dos momentos sexuais, e foca mais na trama, deixando claro para seu público a real intenção da série, mas para quem se acostumou com isso na primeira, fique tranquilo, tudo isso continua, mas dosado de forma harmonia e sutil dentro da história.

Assim como na primeira temporada os diálogos são memoráveis, são diversos discursos de coragem em ser como é, de viver em harmonia mesmo tendo diferenças e assim por diante.

E como todos devem saber, a série fala em vários episódios do Brasil, já que o Lito vivido por Miguel Ángel Silvestre é convidado para abrir a Parado do Orgulho LGBT em São Paulo e fazer o discurso para dar início a festa, além dos belos momentos na avenida Paulista, durante a parada, é mostrado lindas ângulos da cidade e ainda uma das personagens veste a camisa da seleção brasileira, um gostinho a mais para nós ver numa produção tão gigante de âmbito mundial.

Apesar da temporada sofrer com problemas devido a saída de Aml Ameen que vivia o Capheus, atrasando o seu retorno, as Wachowski capricharam em todos os detalhes técnicos, que são extremamente complexos e delicados, já que como todos sabem, diversas cenas são filmadas em país diferentes que se juntam na edição para parecer uma coisa só, um trabalho superdelicado de montagem que acabou nessa temporada tendo um pequeno erro de continuidade, mas nada que atrapalhe o entendimento da trama.

A trilha sonora que foi muito elogiada na primeira temporada continua excelente, mas um pouco mais discreta, já que como foi citado, a intenção era dar foco na trama, que começa a ganhar corpo e complexidade, mas uma das canções que muitos atribuem já ser a “cara” da série volta a tocar e é um momento para arrepiar os fãs.

A 2ª temporada de Sense8 traz todos os elementos que a fizeram ser o sucesso que é, e ainda amplia seu olhar para discutir mais sobre o mundo e o indivíduo complexo e muitas vezes problemático que vive nele.

Pôster de divulgação: SENSE8 – 2ª Temporada

Pôster de divulgação: SENSE8 – 2ª Temporada

FICHA TÉCNICA

Título Original: Sense8
Ano: 2017
País: EUA
Criação: Lilly Wachowski, Lana Wachowski
Direção: Lilly e Lana Wachowski, Tom Tykwer, James McTeigue, Dan Glass
Elenco: Doona Bae, Jamie Clayton, Tina Desai
Duração: 10 episódios de 49 a 59 minutos cada

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