SERRA PELADA (Crítica)

Serra Pelada

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Por Emílio Faustino

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Confesso que cheguei ao cinema sem esperar muito desse filme, pensei: “vou lá ver o Wagner Moura porque é o que tem pra hoje”, massssssss, devo admitir que “Serra Pelada” é muito mais que uma passagem brilhante do ator (que pra variar rouba a cena). Sem maiores exageros, “Serra Pelada” é um dos melhores filmes produzidos este ano no Brasil. (Impressionante como eles conseguiram rodar o longa em apenas cinco semanas e meia de gravações).

Dirigido por Heitor Dhalia (O Cheiro do Ralo) e produzido por Wagner Moura (o eterno Capitão Nascimento de Tropa de Elite), o filme apresenta uma espécie de faroeste amazônico tendo como plano de fundo a maior mina a céu aberto dos tempos modernos. Para se ter uma ideia, foram extraídas pelas mãos de 90 mil homens, cerca de 30 mil toneladas de ouro em Serra Pelada.

O que o longa faz, é dar recorte histórico do garimpo no Brasil, humanizando a figura do garimpeiro em um enredo muito bem escrito que nos prende do inicio ao fim. Destaque para a edição de imagens do filme que mescla cenas do longa, com imagens de arquivo da época de ouro onde a serra mais parecia um formigueiro de gente.

O ano é 1980. Os amigos Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) deixam São Paulo rumo à Floresta Amazônica como outros milhares de homens, repletos de sonhos e ilusões. Interessante observar que embora cada um tenha tido a sua motivação pessoal, o desejo de mudança acaba sendo o denominador comum dos que ousaram apostar em Serra Pelada.

Porém… A vida no garimpo muda tudo. A obsessão pela riqueza e pelo poder põem em cheque antigos valores de amizade e moral da dupla de amigos. Juliano se torna um gangster, enquanto Joaquim esquece qual era o real motivo que o tinha levado até ali. Se o filme tivesse que ter a sua mensagem sintetizada em apenas uma frase, seria: “Quer conhecer uma pessoa de verdade, dê poder a ela”.

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Entre os aspectos que chamam atenção no filme, destaques para a fotografia que proporciona imagens belíssimas, a quantidade de figurantes que foram usados, a trilha sonora que faz uso de músicas bregas que conversam muito bem com o universo e sentimentos dos personagens e a atuação que tem sem momentos altos com: Wagner Moura, que esta hilário e cruel, Matheus Nachtgaerle que surpreende em um papel totalmente diferente dos personagens cômicos que esta acostumados a ver e Juliano Cazarré que protagoniza ótimas cenas de tensão ao lado da bela Sophie Charlotte, que por sua vez também não decepciona no papel de ex-prostituta / acompanhante de luxo / mulher objeto.

A montagem e edição do filme fizeram escolhas felizes e proporcionaram ao longa ritmo e fluidez. Terem optado por começarem a história justamente pelo fim, ao invés de tirar a graça da história, proporciona aos telespectadores a curiosidade de descobrir quais foram os caminhos que o personagem trilhou até chegar à situação apresentada.

O filme pode não ter o cartaz mais elaborado, pode não ter o plano de fundo mais bonito ou agradável,pode não chamar atenção pelo trailer, mas ACREDITEM: é um filme que vale a pena ser visto. Tanto pelo ponto de vista histórico, quanto para quem gosta de uma história bem contada.

É o tipo de filme que eu adoraria ter assistido na época do meu colegial enquanto estudava sobre o garimpo em Serra Pelada, com certeza seria um jeito muito mais interessante e eficaz de se aprender sobre o assunto.

“Serra Pelada” estreia nesta sexta dia 18 de outubro nos cinemas brasileiros.

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SINOPSE

1980. Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) são grandes amigos que ficam empolgados ao tomar conhecimento de Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado no estado do Pará. A dupla resolve deixar São Paulo e partir para o local, sonhando com a riqueza. Só que, pouco após chegarem, tudo muda na vida deles: Juliano se torna um gângster, enquanto que Joaquim deixa para trás os valores que sempre prezou.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Heitor Dhalia” espaco=”br”]Heitor Dhalia[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Heitor Dhalia e Vera Egito
Título Original: Serra Pelada
Gênero: Aventura
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 anos

TRAILER

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2 Comentários

  1. Des

    Gostei da crítica, gostei do filme. Mas reconstituição histórica aquilo não é. Bem água com açúcar só se for.