Sicario: Dia do Soldado (Crítica)

Kadu Silva

Bem atual

Sicario para quem não sabe é o adjetivo dado a uma pessoa sedenta por sangue, cruel, malfeitor, muitas vezes pago para matar.

Em 2015 o elogiadíssimo filme Sicario: Terra de Ninguém apresentava uma operação da CIA, que tinha como meta, deter o líder do cartel de drogas mexicano, e para isso passava por todos os limites morais e éticos a fim de ter a missão finalizada. Três anos após, na sequência da franquia, os cartéis mudaram a mercadoria, agora, o ser humano é o produto que eles querem trazer até aos Estados Unidos através da fronteira mexicana.

No filme “Dia do Soldado”, após um ato terrível de terrorismo num supermercado lotado dos Estados Unidos, o presidente resolve convocar a CIA para uma ação secreta que visa criar uma guerra na fronteira e acabar com o quartel que lucra com o desespero dos imigrantes em busca da terra da oportunidade. Matt Graver (Josh Brolin) avisa ao presidente que para isso terá que fazer escolhas nada cordiais, como usar da filha de um chefão das drogas, Isabelle (Isabella Moner) na missão.

O roteiro de Taylor Sheridan (Terra Selvagem) consegue um ótimo equilíbrio em mesclar os bastidores que envolve uma ação secreta de guerra, com todas as suas estratégias e a ação propriamente dita dos soldados em campo, dando espaço preciso para que cada momento crie o clima de tensão necessário para o filme.

Sicario: Dia do Soldado (Crítica)

O diretor italiano Stefano Sollima (Suburra), com diversos projetos no cinema e TV sobre guerra, trouxe para a franquia o suspense latente de uma história de batalha. Já na cena inicial vemos que o longa não terá pudor em mostrar mortes, sangue e muita violência. Para ajuda-lo nesse resultado, vemos a trilha sonora presente e evidente que quase não some durante todo o longa, e a fotografia que busca trazer a aridez do deserto mexicano, que muito tem a ver com o estado de espírito da maioria dos personagens.

Apesar desses acertos, há quem possa achar o filme é mais do mesmo, pois o formato do primeiro longa é mantida, a novidade é que a crítica ganha um outro olhar, seja pela condescendência do presidente em usar de todas as armas na guerra, além de trazer a crise imigratória como pano de fundo do enredo, assunto totalmente atual. Mas, além disso, a escolha de humanizar o personagem de Benicio Del Toro (Star Wars: Os Últimos Jedi) e mostrar o outro lado, do porque os jovens acabam caindo no cartel, acaba fazendo da obra algo ainda mais interessante, o conteúdo de reflexão se torna ainda mais rico. O interessante é que mesmo assim, as cenas de ação são de grande desconforto (de tirar o fôlego), fundamentais para uma obra que apresenta tal assunto.

Sicario: Dia do Soldado é bruto, sanguinário e sem pudor ao abordar sua história de guerra, mas nem por isso, se torna irrelevante nas discussões éticas, políticas e morais fundamentais em nossa sociedade.

Pôster de divulgação: Sicario: Dia do Soldado

Pôster de divulgação: Sicario: Dia do Soldado

SINOPSE

Depois de Scicario – Terra de Ninguém, acompanhe o misterioso Alejandro Gillick (Benicio Del Toro) e o oficial da CIA, Matt Graver (Josh Brolin), trabalhando juntos em uma audaciosa ação secreta. Na missão que envolve a filha de um chefão das drogas, Isabelle (Isabella Moner), Alejandro acaba se vendo em uma encruzilhada moral e suas escolhas podem acabar desencadeando uma sangrenta guerra de cartéis.

DIREÇÃO

Stefano Sollima Stefano Sollima

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Taylor Sheridan
Título Original: Sicario: Day of the Soldado
Gênero: Suspense, Ação
Duração: 2h 2min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 28 de junho de 2018 (Brasil)

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