SOB A PELE (Crítica)

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Por Gui Pereira

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Mais do que uma ficção científica, “Under the Skin”, do diretor Jonathan Glazer, é um filme de terror urbano que majestosamente inverte o papel do homem dentro da sociedade machista, colocando-o como a vitima de uma exploração sexual. “Under the Skin” consegue estuprar o estuprador. O filme é baseado no livro homônimo de Michael Faber e traz Scarlett Johansson como uma alienígena encarregada de seduzir andarilhos e homens solitários em uma cidadezinha da Escócia.

Assim como no filme “O Homem Que Caiu Na Terra” de 1976, “Under the Skin” não se preocupa em mastigar a história e a origem de sua personagem principal para o espectador. Em ambos filmes, acompanhamos um alienígena perambulando pela Terra em busca de um objetivo principal. Ao interagir com seres humanos, os alienígenas desenvolvem uma crise existencial que os leva a loucura.

O titulo do filme apresenta um elemento explorado em diferentes momentos. As personagens dos alienígenas assumem uma pele humana para poder circular pela cidade, escondendo por debaixo da pele o que eles realmente são. Os humanos caçados no filme são abduzidos em um vácuo negro, aonde somente sua carne é aproveitada (somente o que há debaixo da pele). Em determinado momento, a alienígena de Johansson come um bolo de chocolate que visualmente é apetitoso, mas ao morde-lo, Johansson cospe-o provando que, apesar da aparência, o bolo é ruim.

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E finalmente, o momento mais importante do filme, é quando a alienígena tenta abduzir mais uma vitima. Desta vez trata-se de um rapaz deprimido que sofre de neurofibromatose. A alienígena descobre que por debaixo da aparência grotesca e deformada do rapaz, esconde-se um homem doce e solitário, gerando empatia com a alienígena. Esse então é momento crucial para a narrativa da história.

Visualmente melancólico, o filme não se preocupa em seguir um ritmo acelerado, muito pelo contrario, Glazer aposta no estilo documental vérité para criar um universo mais próximo da realidade. Outro fato que torna o filme mais realista, é que o diretor utilizou não-atores para as vitimas de Johansson. Câmeras foram colocadas estrategicamente dentro da vã cujo a personagem alienígena dirigi durante o filme, para captar reações dos “não-atores”, algo semelhante ao neo-realismo italiano.

Scarlet Johansson entrega a melhor performance de sua carreira até hoje. Como uma alienígena sem nome, acompanhamos Scarlet seduzindo homens e levando-os para uma eterna tumba de escuridão. A sedução no entanto vai muito além de palavras, já que a protagonista mal fala durante o filme. A sedução da alienígena está, obviamente, em seu corpo. Scarlet fica maravilhosamente nua no filme. O interessante é que Johansson não é necessariamente magra para os padrões de beleza de Hollywood, ela tem um corpo extraordinariamente humano e real, o que faz com que sua personagem pareça ainda mais sedutora perante as câmeras.

Muito mais do que um filme, “Under the Skin” é uma viajem hipnotizante. Assistir a este filme requer muito mais do espectador do que ele possa imaginar. O filme é uma viajem existencialista que nós faz decifrar e julgar as atitudes da raça humana e sua relação com todos ao redor.

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SINOPSE

Um alienígena (Scarlett Johansson) chega à Terra e começa a percorrer estradas desertas e paisagens vazias em busca de presas humanas. Sua principal arma é sua sexualidade voraz… Mas ao longo do processo, ela descobre uma inesperada porção de humanidade em si mesma.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Jonathan Glazer” espaco=”br”]Jonathan Glazer[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jonathan Glazer, Michael Faber e Walter Campbell
Título Original: Under the Skin
Gênero: Ficção Científica
Duração: 1h 47min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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4 Comentários

  1. Jimi

    O filme é ótimo,uma das melhores ficções que assisti com certeza.Recomendo.

  2. Clever Rey

    Filme maravilhoso, uma dica para quem é burro metido a crítico de cinema olha mas não comenta, ou não olha.

  3. Juan Rossi

    Oh! Interessantíssima ficção fugindo de lugares-comuns ao gênero. A atriz compõe bem a estranheza por inteiro da personagem alienígena, uma estranha ao ninho humano. E até a metade, após ela carregar suas escolhas à destruição pelo quarto terrível do lago escuro que mata, ocorre o contrário, quando homens a tomam por fêmea humana e a seduzem e pouco a pouco ela se vê como portadora de sentimentos. Então o final é ótimo, além das imagens locais e dela como Scarlett e também extraterrestre!