SOB O DOMÍNIO DO MEDO (Crítica)

SOB O DOMINIO DO MEDO

3estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Straw Dogs
Ano do lançamento: 1971
Produção: EUA
Gênero: Drama eThriller
Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: David Zelag Goodman, Gordon Williams e Sam Peckinpah

Sinopse: O matemático americano David Sumner (Dustin Hoffman) e sua esposa inglesa (Susan George) resolvem se mudar para uma pequena cidade do interior. Logo David se envolve com um grupo de valentões da região e começa a descobrir a violência e o medo. Quando sua mulher é atacada e a sua casa invadida, ele vai começar a lutar para sobreviver e se vingar dos bandidos.

Por Jason

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Um casal, David – um americano – e Amy, se muda para o interior da Inglaterra, morando isolados em uma casa no campo. Um grupo de quatro homens da região está trabalhando em uma reforma na sua casa. Ele é um matemático, que optou pela mudança para trabalhar isolado, ao passo que ela é uma jovem carente, nascida nesse buraco no meio do mundo. Os dois não parecem estar bem. David não lhe dá a devida atenção e existe um abismo entre os dois, tanto de temperamento quanto na forma de ver as coisas. Ela é mais prática e impulsiva, ele é mais tímido e retraído.

O matemático não é bem visto na cidade, logo de começo. Um dos homens que está reformando o telhado da garagem de sua casa é o ex namorado de Amy e há um problema entre os dois, já que a relação deles não está completamente resolvida. Os homens o tratam com desdém, assediam sua mulher e ele a culpa por andar de minissaia e estimular o desejo nos homens. Ela, de certa forma, é provocativa e cobra do marido uma posição em relação aos rapazes, sugerindo até que devem ir embora. A coisa muda de figura quando o gato de Amy é morto e deixado no armário do casal. Os dois discutem sobre o que fazer para descobrir o que aconteceu, mas David é incapaz de tomar uma atitude.

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O ex namorado entra na casa de Amy e a ataca, forçando relações sexuais com ela depois de atrai-lo para fora da residência. Um amigo dele, ao ver a cena, a estupra. David retorna para casa. Em seguida, Amy começa a conviver com o peso, completamente sem reação. Paralelo ao que vemos do casal fora de seu meio e sua incapacidade de se adaptar ao local, acompanhamos a trama do personagem demente Niles que, seduzido por uma garota, acaba estrangulando-a. Os homens partem atrás dele. Na fuga, é atropelado pelo casal e se fere, sendo levado para a casa onde os outros homens vão buscá-lo, o que resulta num ataque ao casal. David começa então a surtar contra os homens, numa luta que dura todo o terceiro ato e começa a agir se mostrando um homem violento e intimidando até mesmo sua mulher.

É verdade que Sob o domínio do medo faz um estudo sobre a sociedade. Os homens da cidadela naquele fim do mundo não conhecem leis ou direito – a lei, representada por um policial é ineficiente e o grupo o mata. São homens rudes que passam o dia todo enchendo a cara, que caçam, que fazem justiça com as próprias mãos, fazendo o que acreditam ser o certo a fazer independente das consequências. As relações se deterioram facilmente numa espiral de violência. A cenografia é um ponto a favor, bem como a fotografia, pois tudo tem um tom terroso e ordinário como o próprio lugar e a própria vida do casal. Mas enquanto Dustin Hoffman faz cara de idiota até o momento em que surta, Susan George, a Amy, é o peso morto e está péssima o filme todo. A trama também não engrena – a última parte é a única interessante – e nenhum personagem, incluindo David, é interessante (talvez o demente Niles, o estopim de toda a violência final, seja o melhor).

Se o original já tem seus pecados, imagine então o remake fiasco de 2011.

O filme é dirigido por Sam Peckinpah, que realizou a obra prima Meu Ódio Será Sua Herança dois anos antes. Sob o domínio do medo não chega a empolgar e nem se compara a obra anterior do diretor, mas terceira parte vale a visita.

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TRAILER

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