SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO (Crítica)

SOB O SIGNO DE CAPRICORNIO

4estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Under Capricorn
Ano do lançamento: 1949
Produção: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Gênero: Romance, Suspense
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Hume Cronyn, James Bridie
Classificação etária: Livre

Sinopse: Em 1831 o irlandês Charles Adare (Michael Wilding) viaja à Austrália para começar uma nova vida. Logo ao chegar conhece o poderoso Sam Flusky (Joseph Cotten) e descobre que a esposa deste, Henrietta (Ingrid Bergman), foi sua colega de infância. Bela e instável, Henrietta é agora uma atormentada alcoólatra e sua reaproximação de Charles desperta ciúmes em Sam.

Por Carlos Pedroso

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Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de ler Hitchcock/Truffaut, livro quais muitos acreditam ser a bíblia do Cinema. Também, comecei há pouco tempo minha tour pela cinematografia de Alfred Hitchcock. Mesmo assim, com 9 filmes inclusos na minha lista, já pude notar quais eram suas preferências e como funcionava um pouco da mente do eterno mestre do suspense. Finalizando minha maratona pelos anos 40, tive a sorte de ver Sob o Signo de Capricórnio (tradução, essa, que não condiz nada com o título original do filme – que se refere ao trópico). Fracasso na época e renegado pelo próprio Hitchcock em entrevista à Truffaut, o filme (que é o último de Hitchcock ao lado de Ingrid Bergman) é talvez um dos mais subestimados do diretor.

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Ambientado no século XIX, e aparentemente uma obra utópica à cinematografia de Hitchcock, ao longo dos mesmos planos prolongados que o diretor experimentara na obra prima Festim Diabólico, somos introduzidos ao universo típico da cobiça humana – e da ironia hitchcockiana -, caracterizado por uma atmosfera clássica dos filmes de época lançados até então. Produção bastante meticulosa seja pelas cores saturadas ou pela fotografia que não nega a atmosfera romântica, o melodrama orquestrado por Hitchcock aqui é na verdade um veículo subversivo qual ele utiliza para desmitificar a trama de um triângulo amoroso. Bergman é uma mulher marcada pela culpa, e (des)fragmentada no tempo, que descobre na chegada de um conterrâneo (Michael Wilding) uma espécie de fuga da geografia qual agora é escrava. Seu marido, interpretado delicadamente por Joseph Cotten, é um ex-condenado que luta para a relação entre os dois ainda ter um sentido. Através do escopo desta aparentemente familiar narrativa, Hitchcock refina a técnica usada em Festim Diabólico, que ao contrário deste, tinha o propósito de sufocar os personagens dentro do quadro. Em Sob o Signo, a intenção está justamente na fluidez dos atores por entre os sumptuosos cenários, permitindo à narrativa e os personagens (des)construirem seus ideais e a moral da trama, diversas vezes, deixando o espectador à mercê das facanhas do diretor.

Por ser um filme não habitual de Hitchcock, talvez as expectativas do espectador não sejam completamente preenchidas, mas é interessante como toda a construção de Sob o Signo surge duma intenção e ironia bastante hitchcockianas. O desdém curioso para com a contracultura da época, além dum estudo muito mais complexo na superfície da trama sobre os primórdios das colonizações, e a submissão à riqueza e crueldade do ego ferido, Hitchcock confronta aqui o ser humano em sua forma mais obscura (e mais frágil).

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TRAILER

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