SPLENDOR (Crítica)

Splendor

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Splendor
Ano do lançamento: 1989
Produção: Itália
Gênero: Drama
Direção: Ettore Scola
Roteiro: Ettore Scola
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Jordan tem seu próprio cinema na Itália, chamado Splendor. Chantal é sua esposa e caixa do cinema, enquanto Luigi é um amigo da família e projecionista dos filmes. E tudo parecia tranquilo até que as pessoas se desinteressaram pelo cinema.

Por Gabriela Miranda

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Um pano branco estendido e um menino sentado em frente dele. Esse é o cinema de Ettore Scola. Nessa emocionante narrativa, o diretor italiano provoca a nostalgia no espectador ao projetar, na tela do cinema Splendor, alguns dos sucessos que conquistaram o mundo. Filmes dentro do filme. A metalinguística aqui não é apenas um diálogo, mas também uma homenagem.

Como acontece em Cinema Paradiso, filme que estreou no mesmo ano e que ofuscou o sucesso de Scola, o longa-metragem carrega um contexto baseado na ascensão e decadência de uma sala de cinema, que é gerenciada por Jordan como herança do pai. No entanto, embora ambos esbocem a mesma temática o olhar que Scola apresenta no filme dele traz mais relevância com a realidade e com a dicotomia entre vida e cinema, em contraste com a história de amizade e amor que é o foco abordado no Paradiso.

Na trama de Scola o declínio do cinema implica Por conta da crescente disseminação da televisão, a bilheteria não vende e a frágil situação financeira desencadeia a visita ao passado. A memória de Jordan, interpretado por Marcello Mastroianni, ganha forma a partir da mecânica de como funcionava o cinema quando era criança: de dentro de um carro, um rolo de filme vai correndo quadro por quadro diante da luz, projetada em um lençol, ao mesmo tempo em que o som acompanhava, sendo tocado à manivela.

O progresso segue até a cabine de projeção. Lá quem reina é a personagem de Massimo Troisi, Luigi. Ele é acima de tudo um cinéfilo, apaixonado pelas lindas musas do cinema mundial. Troisi rouba a cena nesse filme com o entusiasmo e a emoção que deixa fluir, bombeando o coração da personagem dele.

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Em linhas gerais fica visível que a trama se trata do relacionamento com o cinema. É ele que aproxima os personagens. Amores chegam, conquistam, mas de alguma forma seguem e se transformam, mas o amor pela sétima arte se mantém acima das nuances do cotidiano. Não existem imprevistos no cinema.

Com idas e vindas temporais, a fotografia se divide entre cenas em preto e branco e colorido. Isso resulta em um paralelo que caminha ao mesmo tempo demonstrando o progresso e a transformação dos personagens e como a passagem do tempo transforma a maneira como a sociedade aprecia o cinema.

O grau de importância da sala de cinema deixa de ser um acontecimento social de magia para ser uma alternativa de entretenimento. Em meio a esse processo, as histórias impelem o espectador a se emocionar com as diversas vidas que passam na telona e fora dela.

O filme que dá o fechamento dentro desse longa-metragem é A Felicidade Não se Compra. Um apoio inesperado da sociedade local preenche as cadeiras do cinema que está para fechar as portas. Do teto que se abre começa a cair neve, reconstituindo em certa medida a cena final deste marco do cinema dirigido por Frank Capra.

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PRÊMIOS

FESTIVAL DE CANNES
Indicação: Palma de Ouro

TRAILER

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