STEVE JOBS (Crítica)

STEVE JOBS

4estrelas

Por Kadu Silva

Uma forma diferente de descrever uma lenda

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Narrar a vida de uma celebridade mundialmente conhecida nunca foi tarefa fácil, no entanto, acostumou-se em produções audiovisuais, sempre contar essas histórias de forma padrão, começo, meio e fim e durante esse caminho alguns flashbacks, mas Danny Boyle (127 Horas) ao topar relatar a trajetória de Steve Jobs ousou nessa forma. O diretor britânico constrói a personalidade nada fácil do megaempresário, com diálogos do passado e do presente se entrelaçando e assim revelando porquê Jobs se tornou essa lenda admirada e também odiada por muitos.

O filme tenta em três importantes momentos da história de Steve Jobs edificar essa trama: os bastidores do lançamento do computador Macintosh, em seguida da empresa NeXT e por fim do iPod, em 2001.

Baseando-se na biografia autorizada, o roteirista Aaron Sorkin (A Rede Social), humaniza o empresário, mas não deixa de lado seu temperamento difícil de lidar. A forma como o roteiro foi escrito requer do espectador um certo conhecimento antecipado dos fatos que cercam a vida de Jobs, já que nada é aprofundado, essa pode ser uma queixa de muitos, ao assistir ao filme, mas Sorkin e Boyle devem ter escolhido esse formato, já que em 2013 a história de Jobs já foi contada no cinema e para muitos ela ainda deve estar fresca na memória.

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Podemos dizer que Steve Jobs não é uma cinebiografia convencional e sim um filme de arte, já que Boyle utiliza de seu timing certeiro para envolver o espectador em diálogos quase claustrofóbicos, sim, a escolha dos diálogos entre o passado e o presente junto da trilha sonora de Daniel Pemberton (O Agente da U.N.C.L.E.) e a montagem ágil, deixam a plateia em êxtase. A cada avanço de tempo na narrativa, essa sensação ganha em intensidade, até o apoteótico final.

Depois de Ashton Kutcher física e visualmente compor Steve Jobs perfeitamente no filme de 2013, muitos ficaram curiosos para saber como seria ver um novo ator interpretando o empresário. Foi uma escolha tão difícil, que alguns nomes foram cogitados, começou com Leonardo DiCaprio, passou por Christian Bale, mas Michael Fassbender acabou sendo o escolhido, o ator alemão caiu como uma luva no personagem, ele conseguiu mostrar a conhecida arrogância, uma leve sensibilidade, uma certa loucura e até um humor que não parecia fazer parte da personalidade do personagem, sem exageros, tudo no tom perfeito. E todo o elenco do filme se mostra igualmente perfeito em seus personagens, além da sempre competente Kate Winslet em excelente química com Fassbender, vale mencionar, Seth Rogen, conhecido pelos papeis cômicos o ator impressiona no difícil papel dramático no longa, destaque para a cena da discussão com Jobs antes do lançamento do iPod é uma troca de farpas de arrepiar.

Steve Jobs não pode ser considerada a cinebiografia definitiva do fundador da Apple, mas certamente é um filme que vai agradar muitos pela criativa forma de narrar uma história inspiradora.

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SINOPSE

Três momentos importantes da vida do inventor, empresário e magnata Steve Jobs: os bastidores do lançamento do computador Macintosh, em 1984; da empresa NeXT, doze anos depois e do iPod, no ano de 2001.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Aaron Sorkin
Título Original: Steve Jobs
Gênero: Drama
Duração: 2h 2min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 14 de janeiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

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