Submersão (Crítica)

Ricardo Rocha

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra…”

John Donne

Este pequeno fragmento da poeta inglês John Donne resume bem os sentimentos que o filme tenta passar com muita dificuldade ao seu expectador.

Temos aqui o que poderia ser uma grande obra, de um grande e renomado diretor, estamos falando do alemão Win Wenders, que continua na ativa com seus mais de 70 anos, acumulando obras como “Asas do Desejo”(1987), “Paris, Texas”(1984) e meu favorito “Um Truque de Luz”(1995).

Mas como disse: o caminho que o filme escolhe para nos contar um romance existencial, que envolve, crise política, ensaio sobre a vida marítima, conflitos religiosos e até mesmo uma possível pauta sobre questões metafisicas, sai de nenhum lugar e termina no ponto em que saiu. Ou seja, o filme por mais que tente em toda sua estranheza na montagem(talvez o grande problema do filme) não se conecta a nada, nem aos seus dois personagens, nem a narrativa que as vezes soa artificial, nem aos temas citados acima, que parecem todos desconjuntados.

Danielle( Alicia Vikander) é uma especialista naquilo que ninguém se interessa,(pelo menos a grande maioria das pessoas) a vida marítima, para ser mais exato, a vida nas profundezas ocultas dos oceanos. Ao se hospedar num hotel aconchegante para dá continuidade a suas pesquisas, ela conhece o misterioso James(James McAvoy) um espião escocês que acaba entrando em conflito com um grupo extremista islâmico na Somália(África), que o mantém prisioneiro. Antes de ambos seguirem com seus projetos, algo acontece num passeio pela praia, algo que o mar trás a vida destes jovens aventureiros que buscam respostas as suas causas, sejam elas qual forem. É neste momento que descobrimos mais um do outro, como se conectam e criam uma sintonia ao mesmo tempo em que vivem um romance sincero. Existe sim uma química entre o casal, mas uma química que exala intelectualidade e paixão naquilo que ambos fazem. Há um respeito, uma troca de gestos afetuosos e todo um desenvolvimento para que mais tarde possa ser usado para que a distância os deixe em conflito. Mas aí que mora alguns do problemas que permeiam as quase 2h dessa trama intricada. Quando Danielle se ver em sua missão, a qual tentou, esperou e lutou para conseguir, parece que existe um vazio, um vazio maior do que qualquer profundeza do oceano, ao mesmo tempo em que o personagem de James parece não querer lutar e se entrega de forma passiva a toda aquela situação, e estes são os momentos mais realistas e memoráveis do filme. Entre eles existe todo um jogo de palavras, poesias metafísicas, ensaios sobre a vida, mas nada é ligado naturalmente, falta uma conexão entre as cenas, falta um cuidado com os flashbacks que são apenas jogados, falta profundidade naquilo que se almeja contar, e estamos falando de Win Wenders, um dos grandes diretores do cinema Alemão.

Dito isso, resta a bela fotografia que viaja por paisagens infinitas, que enche nossos olhos com uma vista bucólica, ou quando nos presenteia com a imersão dos mares. A trilha sonora do espanhol Fernando Velazquez é outra parte boa que se encaixa com as imagens que são mostradas, sempre num tom melancólico mas sem ser manipuladora. E claro, James McAvoy (Fragmentado) e Alicia Vikander (Tomb Raider) ambos se esforçam com o texto que tem em mãos, e não decepcionam, mas infelizmente dois talentos desperdiçados que poderiam ter sido um de seus melhores trabalhos.

Submersão não é um filme ruim, é uma experiência sem um resultado lógico, você conseguirá assistir e se levar pelo romance que permeia todo primeiro ato, melhor momento do filme, de fato eu queria está submerso a trama, e todo conceito que ele tenta passar, mas não consegui sai da superfície, e depois se você não se sentir mais perdido do que os dois personagens, talvez aproveite algo.

Pôster de divulgação: Submersão

Pôster de divulgação: Submersão

SINOPSE

Danielle (Alicia Vikander) é uma exploradora do oceano que descobre um novo desafio: uma terrível, porém pioneira, descida ao abismo Ártico. James (James McAvoy) é um empreiteiro acusado de ser um espião e interrogado por jihadistas africanos que irá se unir à moça para ajudá-la em sua missão.

DIREÇÃO

Wim Wenders Wim Wenders

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Erin Dignam
Título Original: Submergence
Gênero: Suspense, Romance
Duração: 1h 52min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 19 de abril de 2018 (Brasil)

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