SUPER 8 (Crítica)

SUPER 8

3estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Super 8
Ano do lançamento: 2011
Produção: EUA
Gênero: Ficção Científica
Direção: J.J. Abrams
Roteiro: J.J. Abrams
Classificação etária: 10 Anos

Sinopse: Durante as gravações de um filme amador, um grupo de adolescentes filma acidentalmente um desastre de trem que liberta uma força desconhecida.

Por Douglas Ricardo Müller

[Contém Spoilers] Filme de E.T. com direção de J.J. Abrams e produção de Steven Spielberg. Dá para esperar alguma inovação no gênero?

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Desde o sucesso de E.T. – O Extra Terrestre dirigido por Spilberg em 1982, o tema virou mania e foi repetido em diversos exemplares posteriores, alguns bons e outros nem tanto assim. Tal conceito estimula as pessoas a irem ao cinema, pois é algo desconhecido e que chama nossa atenção, por vivermos em uma sociedade que cultua tais lendas urbanas (considero como lendas urbanas, pois não acho que extra terrestres realmente vieram a este planeta e/ou até mesmo raptaram pessoas como os boatos contam. Mas sim, considero como verdade o fato da existência de tais seres). Portanto, sempre que há um filme sobre estes seres que vivem em outros planetas e galáxias, é sinônimo de boa bilheteria, pois queremos ir ao cinema motivados pelo impulso de assistir a projeção de seres medonhos atacando a Terra por algum motivo. O problema é que isso virou “mania” nos dias atuas. Todo ano temos pelo menos um exemplar diferente deste tipo de filme, e isso torna o gênero saturado, principalmente quando apresentados nos mesmos moldes que seus predecessores.

Como já mencionado, o filme conta com direção e roteiro de J.J. Abrams (Missão Impossível II, 2006; Cloverfield – Monstro, 2008; Star Trek, 2009) e produção de Steven Spielberg (E.T. – O Extre Terrestre, 1982; Poltergeist – O Fenômeno, 1982; De Volta para o Futuro, 1985; Além da Eternidade, 1989; MIB – Homens de Preto, 1997; Impacto Profundo, 1998; A.I. – Inteligência Artificial, 2001; Transformers, 2007; Bravura Idômita, 2010) e relata a história de um grupo de amigos realizando uma filmagem amadora de um filme de zumbi, utilizando a câmera título do filme (Super 8), para realizar tal fato. Porém, em uma tentativa noturna de filmar uma cena bem próxima a um trem que está passando por perto, um terrível acidente ocorre, fazendo o trem descarrilar, assim quase atingindo as crianças. Deste momento em diante, coisas estranhas começam a acontecer na cidade, como tremores, pessoas desaparecendo, luzes piscando, até que a cidade se vê em batalha com uma força que não pertence a este planeta.

O elenco do filme faz bonito, realizando papéis de forma extremamente convincente e fluente. Temos vários destaques nas atuações, como o garoto principal Joe Lamb, vivido de forma extraordinariamente bem pelo jovem Joel Courtney em seu papel de estréia no mundo do cinema. Realmente, para um iniciante, ele atua de forma extremamente convincente e comovente, assim como seu pai no filme, o delegado Jackson Lamb, estrelado por Kyle Chandler (O Preço da Traição. 1996; King Kong, 2005; O Reino, 2007; O Dia em que a Terra Parou, 2008) que realmente mostra química na relação com Joel no filme. O garoto gordinho, Charles, vivido pelo ator Riley Griffiths (que também faz sua estréia aqui) atua de forma bastante carismátca. Quem não pode ficar de fora nessa é a atriz Elle Fanning (Meu Amigo Toroto, 1998; Uma Lição de Amor, 2001; A Creche do Papai, 2003; Provocação, 2004; Meu Melhor Amigo, 2005; Déjà Vu, 2006; Traídos pelo Destino, 2007; Um Lugar Quaquer, 2010) que parece ter herdado o mesmo talento de sua irmã mais velha, Dakota Fanning.

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O filme agrada pela atuação e pela história comovente, onde o garotinho Joe, após perder sua mãe em um acidente causado pelo pai de Alice (Fanning), tenta superar tal tragédia fazendo maquiagens em moldes de bonecos e posteriormente ajudar na maquiagem para o filme de zumbi que os amigos querem realizar. Após o terrível acidente, no qual segue com os mistérios pela cidade, ficamos realmente nos perguntando o que é e como é criatura por trás de tais acontecimentos, bem como sua origem. O diretor é hábil em trazer uma história trágica e tocante como pano de fundo para o ataque alienígena. A equipe de fotografia, efeitos e edição também desempenha um ótimo papel (principalmente na cena inicial do acidente com o trem).

Mas o filme perde por questão de originalidade, pois o extraterrestre está para o mostro Cloverfield (em menor escala) como a história está para E.T. – O Extra Terrestre. Algumas incongruências assolam a trama e ficamos sem respostas para perguntas como: “De onde e como vieram os Extraterrestres sem serem ao menos notados?” “Como conseguiram permanecer durante anos no subsolo com uma passagem direta no cemitério?”. Além disso, fica muito superficial e muito vago a questão do menino ser o único que o ET não mata, fazendo o mostro o largar quando o mesmo tenta manter um diálogo com a criatura. A cena final, apesar de ser bem realizada (ao mostrar com elegância a tentativa do alienígena querer somente retornar a seu lar, ser visualmente bonita, além de ser comovente quando a força que atrai os objetos metálicos atrai também o colar de metal com a foto da mãe Joe e o mesmo tenta impedir que isso ocorra, quando, após olhar uma última vez para a foto decide largá-la, [uma figura de linguagem para tentar se curar da dor da perda de sua mãe ao largar aquele objeto que nunca mantinha longe de si, principalmente nas horas de mais perigo, servindo como um amuleto da sorte]) se torna muito mais irreal do que a trama toda, quando de uma maneira inexplicável os objetos metálicos se transformam em parte de uma nave que nada a tem a ver com as formas que possuíam anteriormente, causando estranheza na cena. O filme não possui muitas cenas de destruição, com exceção do acidente inicial com o trem, há somente ataques isolados da criatura que nem são mostrados nos detalhes e temos a luta final dos soldados que realmente deixa muito a desejar, primeiro porque não foca na batalha e sim nas crianças que estão correndo tentando achar o esconderijo do alienígena.

Por fim, Super 8 é um filme bom, com muitos clichês do gênero, mas agrada pela história das crianças e mais ainda do personagem principal do que pelo alienígena em si (que só é mostrando em detalhes ao final). Quem quiser assistir um filme de alienígenas e invasões, pode ficar um pouco frustrado ao assistir um filme que foca mais na história das crianças que, embora seja boa, não faz jus ao que o filme prega. Bem que poderia ser um filme contando o drama do personagem principal e não ter monstro nenhum, que aqui, atua apenas como um mero coadjuvante.

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PRÊMIOS

CCINE10
Ganhou: Melhor Atuação Mirim – Elle Fanning

Indicação: Melhor Atuação Mirim – Joel Courtney

MTV MOVIE AWARDS
Indicação: Revelação – Elle Fanning

TRAILER

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