TANGERINE (Crítica)

TANGERINE

4emeio

Por Kadu Silva

A Melancolia vibrante de uma sonhadora

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Apesar do cinema dos Estados Unidos ser mais conhecido mundialmente pelo de Hollywood, existe uma grande parcela das produções que surgem do movimento independente. E mesmo sem grandes verbas de divulgação, acaba ganhando fama, devido a festivais mundo a fora. Tangerine do diretor Sean Baker é mais um exemplo, que inicialmente chamou atenção dos críticos, por ter sido rodado apenas com o IPhone 5s, mas ao conferir a obra, nota-se que ela tem muito mais a oferecer que somente a sua técnica de gravação.

A começar por dar o protagonismo a duas transexuais negras e por revelar uma Los Angeles nada glamorosa com muito droga, prostituição e violência.

Nessa história tão real, uma das transexuais é Sin-Dee (Kitana Kiki Rodriguez), que acaba de sair da prisão depois de 28 dias presa a outra é Alexandra (Mya Taylor) a melhor amiga de Sin-Dee. As duas estão conversando, quando Alexandra acaba comentando que o namorado da amiga, Chester (James Ransone) está a atraindo com uma mulher, de verdade. É nesse momento que Sin-Dee corre por Los Angeles em busca da amante e de seu namorado para acertar as contas.

A história se passa na véspera de natal e o diretor faz questão de a todo momento mostrar que se trata de um momento em que a maioria da população está unida com seus familiares em comemoração, mas é exatamente nesse dia de felicidade, amor e união que acompanhamos a vida dessas duas transexuais e de outros personagens, gritar em alto e bom som, que o mundo não é um comercial de TV, existe muita amargura e desigualdade bem perto de você e muito disso pela hipocrisia da sociedade em geral.

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O roteiro também de Sean Baker (Uma estranha amizade) chama atenção por não ter pudor em retratar o universo da prostituição, ao falar de sexo e drogas, os diálogos inteligentes e com diversas referencias pop faz uma piada com os personagens e usa essa leveza para suavizar dramas existenciais sobre amizade, família, amor e determinação. Além disso coloca luz nesses personagens pouco retratados no cinema dessa forma tão sincera.

Outro ponto alto do filme é a trilha sonora, que é fundamental para a narrativa, já que ela consegue dar dinâmica para a trama, ora tem uma canção clássica de Beethoven e logo em seguida tem uma eletrônica com batidas fortes. Um excelente modo de caracterizar a complexidade das personagens.

Pela busca de Sin-Dee pela cidade o filme ganha ares de road movie, e assim acompanhamos a personagem pelo metro, pelas calçadas (até a da fama), pelos pontos de prostituição e ainda em um táxi, onde se revela outro personagem interessante Razmik (Karren Karagulian), casado, pai de uma garotinha, mas que não consegue deixar o desejo por transexuais de lado.

É nesse submundo obscuro, vibrante e frenético, que Tangerine nos mostra a energia de Sin-Dee, um verdadeiro retrato da transexual que apesar de todas as mazelas que a vida pode oferecer para uma pessoa a margem da sociedade, se mostra uma amiga acima de tudo e uma sonhadora, ao ver em Chester (seu namorado) a possibilidade de um belo romance como nos contos de fadas da Cinderela.

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SINOPSE

Sin-Dee Rella, transexual e prostituta, retorna da prisão e descobre, através de sua melhor amiga Alexandra, e também trans, que está sendo traída pelo namorado e agenciador Chester. Sin-Dee parte então em busca de Chester e sua amante, “uma mulher de verdade”. Sean Baker filma, munido apenas de um iPhone 5s, uma comédia-dramática natalina e revela uma Los Angeles diversa e melancólica.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Sean Baker
Título Original: Tangerine
Gênero: Comédia dramática
Duração: 1h 26min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 4 de fevereiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

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