TATUAGEM (Crítica)

TATUAGEM

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Por Emílio Faustino

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Depois de ser acolhido pela crítica e vencedor do 41º Festival de Cinema de Gramado e do Festival Mix Brasil que premia filmes com temática sobre a diversidade sexual. O longa-metragem “Tatuagem” chega aos cinemas questionando o conceito de liberdade ao apresentar a história de um jovem soldado que se apaixona por um ator.

Tendo em vista tais premiações, confesso ter chegado ao cinema esperando uma história um pouco mais elaborada do que a apresentada.

Eu explico… Sabe aquela visão que o brasileiro tinha do cinema nacional até pouco tempo atrás? Onde cinema brasileiro era sinônimo de: sexo, drogas, violência e palavrão? Então… Este filme não está muito longe disso, o que muda, é que ao invés de mulheres nuas de corpos esculturais, o que se vê na tela são homens de corpos medianos.

Desta forma, o erotismo é algo bastante presente no filme, promovendo sensações que transitam do desejo ao asco. As cenas de nudez usadas em demasia são por vezes desnecessárias e sem maiores propósitos senão o de chocar, o que de certa forma banaliza o nu, dando um ar de vulgaridade ao que poderia ser algo mais artístico.

É importante salientar que a nudez não é um problema, pelo contrário, ela é uma excelente ferramenta na arte em geral e como a história se passa a maior parte do tempo em meio a um grupo de atores o uso dela é facilmente compreensivo. Mas a nudez, pela nudez fica algo vazio, tenho a sincera impressão de que ao final do filme as pessoas comentarão mais das pessoas peladas do que da história em si.

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Destaque negativo para o “musical do cu” que consegue tirar constrangidas risadas do público ao mostrar a apresentação do grupo de teatro cantando uma música que narra os mais variados tipos do cu. Na história o cu é colocado como símbolo da democracia, uma vez que se trata de uma parte do corpo inerente a todo ser humano. (Mas até ai, pâncreas, olhos, boca, também são né…)

Superado isso, o filme contrasta a tensão melancólica da sombra da ditadura militar com a arte anárquica do teatro musical escrachado. A história ambientada em 1978, tem a cidade de Pernambuco como plano de fundo, que contribui com suas cores vibrantes, sabiamente exploradas pela direção do filme.

A fotografia é um dos pontos altos do longa que abusa do uso de câmeras de mão e filtros vintage que contribuem na formação da identidade visual do filme, que por sinal é bastante expressiva.

A justificativa do título do filme não é das melhores e o desfecho é pra lá de previsível, porém, o excelente trabalho dos atores que transbordam vida aos personagens, dão ao longa a credibilidade necessária para que o telespectador se interesse pelos seus respectivos desfechos.

Destaque para a atuação de Irandhir Santos (O som ao redor, Tropa de elite 2) que esta completamente diferente de tudo que já fez antes.

A trama ainda encontra espaço para apresentar os mais variados tipos de antagonismo dos homossexuais, como as questões religiosas, o preconceito cultural que envolve família e moral e sobre tudo o autonegação daqueles que não se aceitam e tentam se enquadrar na sociedade. Este é o caso do soldado Fininho que mesmo após descobrir o prazer com um homem, se esforça para gostar de garotas.

“Tatuagem” é um filme que dificilmente passará indiferente aos que optarem por assistir, é um bom filme para quem esta vivendo o momento da descoberta sexual. Mas também não é tuuuuuudo isso que a crítica diz não.

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SINOPSE

Recife, 1978. Clécio Wanderley (Irandhir Santos) é o líder da trupe teatral Chão de Estrelas, que realiza shows repletos de deboche e com cenas de nudez. A principal estrela da equipe é Paulete (Rodrigo Garcia), com quem Clécio mantém um relacionamento. Um dia, Paulete recebe a visita de seu cunhado, o jovem Fininha (Jesuíta Barbosa), que é militar. Encantado com o universo criado pelo Chão de Estrelas, ele logo é seduzido por Clécio. Não demora muito para que eles engatem um tórrido relacionamento, que o coloca em uma situação dúbia: ao mesmo tempo em que convive cada vez mais com os integrantes da trupe, ele precisa lidar com a repressão existente no meio militar em plena ditadura.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Hilton Lacerda
Título Original: Tatuagem
Gênero: Drama
Duração: 1h 50min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 16 anos

TRAILER

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