TERRA SELVAGEM (Crítica)

Kadu Silva

Uma aula de como contar uma história.

Existe um ditado popular que é muito usado, mas nem sempre dito na hora correta, mas para “Terra Selvagem”, ele cabe como uma luva. “Menos é mais”. De forma intimista e sutil o estreante diretor Taylor Sheridan dá uma aula de como narrar uma história.

No suspense (Terra Selvagem) conhecemos o caçador de coiotes, Cory (Jeremy Renner), um homem traumatizado pela perda de uma filha adolescente e devido a isso, um homem quase sem expressão de sentimentos. Numa de suas caçadas cotidianas, ele se depara com um corpo de uma garota congelado e resolve então investigar o crime. Ao seu lado, ele tem a agente novata do FBI, Jane (Elizabeth Olsen) que desconhece a região.

Mesmo em se tratando de um suspense (pesado), Taylor não usa do formato clichê de “enganar” o público com falsas pistas, a trama é contada, e os detalhes se revelando cena a cena, até o grande segredo do arco dramático. Primeiro conhecemos em detalhes os principais personagens, seus dramas pessoais e só no terceiro ato é que somos apresentados aos pormenores do crime, com isso, a plateia se identifica com os personagens e se familiariza com o ambiente, de forma ao se deparar com o clímax final, o impacto é de tirar o fôlego.

TERRA SELVAGEM (Crítica)

O filme pode ser lido somente pela camada mais superficial do crime e a investigação, que já seria uma ótima obra blockbuster, mas Taylor, consegue com sua história nas mais profundas camadas criar analogias sobre o homem x o ambiente em que vive, a racionalidade x a sobrevivência, o instinto de vingança e diversos outros assuntos que somente nas entrelinhas podemos notar, mas tudo isso é de forma muito sutil.

A sutiliza também foi o principal ingrediente da composição de Jeremy Renner (Atração Perigosa), que realiza uma de suas melhores performances no cinema. Cory é o típico homem sensível, que criou uma casca dura de proteção após diversos traumas pessoais, o ator chega entrega esse homem com perfeição. Elizabeth Olsen (Capitão América 2: O Soldado Invernal) também se destaca com a forte e determinada Jane, sua entrega ao projeto foi tanta que inclusive ele não usou duble em cenas e acabou sofrendo uma cegueira temporária causada pela neve, felizmente foi somente um susto.

O esmero pelos detalhes também continua nos aspectos técnicos, fotografia, direção de arte e na trilha sonora poderosa, sem contar, logicamente, a condução correta do diretor que soube explorar tudo a favor de sua narrativa, mesmo nas cenas difíceis, ele não apela para a escolha fácil, dessa forma perde a atenção da plateia durante toda o desenrolar de sua narrativa.

Terra Selvagem serve como um excelente entretenimento e também sabe deixar diversas reflexivos sobre como é complexo o ser humano.

Pôster de divulgação: TERRA SELVAGEM

Pôster de divulgação: TERRA SELVAGEM

SINOPSE

Cory (Jeremy Renner), caçador de coiotes e predadores traumatizado pela morte da filha adolescente, encontra o corpo congelado de uma menina em meio ao nada e decide iniciar uma investigação sobre o crime. Ao lado dele está uma agente novata do FBI (Elizabeth Olsen) que desconhece a região.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Taylor Sheridan” espaco=”br”]Taylor Sheridan[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Taylor Sheridan
Título Original: Wind River
Gênero: Suspense
Duração: 1h 47min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 2 de novembro de 2017 (Brasil)

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