THE CONFESSION TAPES – 1ª Temporada | (Crítica)

Elisabete Alexandre

Tenho uma lista com todos os filmes e séries dos quais já assisti e gostaria de escrever uma crítica sobre. Acreditem, essa lista só cresce, porque tempo é algo que me falta. Mesmo assim, burlei as regras e passei à frente a mais recente série documental da Netflix: The Cofession Tapes.

Quem já assistiu Making a Murderer vai entender muito bem do que se trata, na essência, essa nova série; estou falando de confissões forçadas de crimes dos quais esses acusados, na verdade, não cometeram. Isso mesmo: é possível conseguir uma confissão de assassinato de uma pessoa completamente inocente e nem é tão difícil assim; inclusive, é mais comum do que você pensa.

Imagine a situação: dois adolescentes em fase de formação de caráter, autonomia e numa condição de pós-trauma por causa da perda brutal de parentes/amigos, conhecem pessoas mais velhas que os fazem sentir-se parte de algo, como num clubinho; elas são articuladas, agressivas, persuasivas… capazes até de conseguir fazer o ser humano mais cético acreditar em Papai Noel. Eu sei, parece coisa de ficção, mas essas pessoas existem de verdade. Claro, todo o processo leva tempo, mas não é nada impossível. Esse é o cenário incicial de The Cofession Tapes.

THE CONFESSION TAPES – 1ª Temporada | (Crítica)

Se você fizer um Google agora com a seguinte pesquisa: “presos injustamente nos EUA”, o resultado vai ter deixar de queixo caído. Há casos recentes de pessoas que ficaram presas por mais de 20 anos, outras no corredor da morte por quase 30 e por aí vai. É surreal. E esses casos não são exclusividade dos EUA (mas é claro!), nem exceção. No Brasil, e em várias outras partes do mundo, há pessoas inocentes vivendo atrás das grades, e muitos outros aguardando no corredor da morte; aliás, não sei e nem posso mensurar o que é pior, se ficar preso durante anos ou até toda a vida, ou ser condenado a pena de morte por algo que você não fez. Difícil.

Estamos vivendo tempos sombrios: criminoso confesso (e esse não forçado!) indo viajar para o exterior logo após a confissão; juiz dizendo que um homem ejacular no pescoço de uma mulher dentro do transporte público não gera constrangimento para a vítima; pessoa correndo com mala de dinheiro fruto de propina não é preso; outro juiz autorizando o tratamento médico de pessoas homossexuais, porque ser gay é claramente uma doença; presidente-meliante-golpista é pego, em áudio gravado e divulgado nacionalmente, dizendo a outro criminoso que deve manter o pagamento de “mesada” à réus condenados; o comandante megalomaníaco de um pequeno país ameaçando todos os dias destruir o resto do mundo; tornados e tempestades com poder de destruição jamais antes registrados e, mesmo assim, ainda tem gente dizendo que aquecimento global não existe. Ok, paro por aqui; a minha outra lista já é grande o bastante e, apesar de adorar listas, essa eu não quero fazer. Mas enfim, você deve estar pensando “Elisabete, o que isso tem a ver com confissões de homicídio?” e eu digo: tudo, porque estamos falando de justiça, e essa, meu amigo, é uma só – ou deveria ser. Faça esse paralelo e comece a analisar pontualmente o que chamamos de “justiça”, essa palavrinha com sete letras e inúmeros significados, cada um deles dependendo do referencial aplicado.

Em tempos de Joesley Batista, José Eugenio do Amaral Souza Neto, Rocha Loures, Waldemar Cláudio de Carvalho, Temer, Kim Jong-un e Trump, The Confession Tapes torna-se uma série necessária. Reproduzo aqui as relevantes palavras de Atif Rafay, um dos “criminosos confessos” do documentário, no final do segundo episódio: “a justiça não vai acontecer só porque se é inocente”; e agora completo: nem porque não se é.

Pôster de divulgação: THE CONFESSION TAPES – 1ª Temporada

Pôster de divulgação: THE CONFESSION TAPES – 1ª Temporada

FICHA TÉCNICA

Título Original: The Confession Tapes
Ano: 2017
País: EUA
Criação: Kelly Loudenberg
Direção: Kelly Loudenberg
Elenco: David Burns, Loretta Fisher, Brian Hutchinson
Duração: 7 episódios de 58 a 79 minutos cada

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1 Comentário

  1. Árian

    Acabei de Assistir ao primeiro epsodio dai fui pesquisar se a historia teve mais algum desfecho nao apresentado na serie e acabei esbarrando nessa critica. e, confesso, nao conseguirei ver mais nenhum epsodio. Injustiça me faz muito mal. Nao consigo nem descrever o que estou sentindo, mas é algo muito parecido com ansiedade.