THE NORMAL HEART (Crítica)

THE NORMAL HEART

4estrelas

Por Igor Pinheiro

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Por mais que as coisas tenham melhorado, o preconceito homossexual está longe de acabar, bem longe mesmo. Mas se temos essa melhora, mesmo que mínima, é porque, antigamente, quando a homofobia era ainda maior, alguém fez a diferença, ganhou uma guerra e foi combatendo esse preconceito, não importando pelo que precisasse se passar. No auge da epidemia de AIDS nos Estados Unidos, temos ambientado o novo filme para TV da HBO, The Normal Heart, dirigido por Ryan Murphy e adaptado da peça homônima.

No longa, acompanhamos a luta de Ned Weeks (Mark Ruffalo) pelos direitos dos homossexuais nos anos 80, formando um grupo de apoio quando o HIV começa a se espalhar e matar membros da comunidade gay de forma rápida e, aparentemente, ignorada propositalmente pelo governo.

Até chegar à mensagem final, sobre esperança e luta, tudo o que o filme faz é nos incomodar, questionando como é possível que o preconceito consegue ser maior do que a preocupação com a vida e a saúde do próximo. E assusta notar a semelhança de comportamento entre os mais preconceituosos de antigamente com os de hoje, mais de 30 anos depois, e mesmo que a história não seja real.

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A validade de um longa como The Normal Heart nunca será questionada, mas a forma como tudo é feito pode ser perigosa, uma vez que pode cair dentro de preconceitos formados dentro do próprio grupo de segregados, e isso não vale só para a homofobia.

Um dos maiores erros da produção, nesse sentido, é a direção de Ryan Murphy. Tudo bem que uma parte é implicância minha, mas alguns momentos, como o do casamento, são extremamente levados para um lado dramático exagerado. Não é a cena não comova, muito pelo contrário, mas parece que tudo gira em torno disso, perdendo a essência, perdendo a verdadeira função por trás de tudo.

O que salva o filme, além do ótimo roteiro, é o elenco. Mark Ruffalo e Julia Roberts estão brilhantes e é muito bom ver cada um em sua cena clímax (Mark é o único ator cujo personagem tem mais de uma cena em que é o centro, todos os outros têm apensa uma cena de impacto maior) e olha que eu costumo ter preguiça dela, mas sempre acabo mordendo a língua. Jim Parsons sempre será o Sheldon, mas nem por isso deixa de ser bom, só é muito diferente ver atores marcados se arriscando em outros papéis, por mais que Jim também atue na peça homônima. Mas o grande nome do filme, para mim, é Joe Mantello, que também está na peça e é o líder da cena mais forte do filme. A única escolha que me desagrada é a de Matt Bomer, que, apesar de estar muito bem, ter emagrecido para o papel e tudo mais, acredito fazer passar o tipo de apelo errado para o público, mas enfim…

Com certeza The Normal Heart estará presente em algumas premiações ao longo do ano e levará alguns prêmios, principalmente por parte do elenco. Vale conferir, filme necessário, que poderia ser um pouquinho melhor, com mudanças que talvez não atraíssem tanto boa parte do público que vai assistir.

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SINOPSE

Ned Weeks (Mark Ruffalo) é um escritor e seu namorado de Felix (Matt Boomer) contrai o vírus da AIDS, fazendo com que ele se torne um grande ativista. Sua principal bandeira é mostrar para o mundo que a doença não deve ser vista como um “câncer gay”, ideia comprada pela médica cadeirante Emma Brokner (Julia Roberts), que passa a agitar a causa dentro da comunidade científica.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Ryan Murphy” espaco=”br”]Ryan Murphy[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Larry Kramer
Título Original: The Normal Heart
Gênero: Drama
Duração: 2h 13min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

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3 Comentários

  1. Lucas

    recomendoo, não estava esperando muito, e o filme me mostrou o contrário. História muito bem escrita que mostra um retrato do inicio da epidemia da Aids no começo dos anos 80

  2. Pablo Diassi

    A presente análise parece bastante confusa diante da própria subjetividade. Matt Bomer é um equívoco apenas de estar muito bom é uma contradição que nem de longe se justifica e a direção do Murphy revela-se cada vez mais múltipla ou mesmo braçal, mas jamais ruim. Poderia ter falado mais do filme em si e menos do filme que queria que fosse…

  3. Raunny Almeida

    Quando estava lendo essa crítica no início até concordei com algumas palavras , porém o mesmo crítico se mostra confuso em sua análise. Tudo bem, concordo com a questão da direção do Murphy que em algumas cenas fora demasiadamente pesada e um tanto forçada. Não concordo com algumas questões levantadas: as atuações dos demais atores que tem apenas uma única cena de impacto (com exceção do Mark). Posso listar inúmeras cenas em que vários atores tem gloriosas cenas… Jim Parsons: cena do enterro, cena final quando tira o número de Félix Turner da agenda. Julia: inúmeras, talvez a mais lembrada seja a da exposição sobre a doença para o secretário de saúde de Nova York, mas temos ainda a cena do casamento em si, da parte do cara da TV que não quer entrar no quarto, etc. O maior erro foi questionar a atuação do Matt Bomer. Ele que ganhou o Globo de Ouro no último domingo e dizer que ele quis passar a mensagem errada? Então o que você entendeu sobre o personagem? Aliás, o filme se baseia numa peça que foi adaptada de um livro que conta a HISTÓRIA REAL (no caso do casal Need e Félix), portanto a alegação da cena do casamento não distorce a mensagem do filmes, tendo em vista que tudo se trata de amor e de que todos somos iguais!