THE POST – A GUERRA SECRETA (Crítica)

Kadu Silva

Uma história do passado, mas muito atual!

O cinema pode nos divertir, nos levar a lugares mágicos, além de diversas outras possibilidades, mas quando ele acontece para contar histórias que transforam o mundo, ou um país, revela a “arma” poderosa que seu conteúdo pode fazer para alertar as novas gerações de erros que marcaram o passado. O BRILHANTE The Post – A Guerra Secreta é um desses longas que são necessários para trazer para o público exemplos que precisam ser lembrados.

Esse exemplo é a icônica Kat Grahan (Meryl Streep), uma dondoca que foi obrigada a administrar o jornal até então local, The Washington Post, após o falecimento de seu marido. Exatamente quando estava iniciando seu comando, se vê obrigada a decidir se revela ou não documentos secretos do governo dos Estados Unidos sobre a guerra do Vietnã.

O roteiro da estreante Liz Hannah e Josh Singer (Spotlight: Segredos Revelados) é brilhante porque além narrar com domínio essa marcante história, ainda encontra espaço para incluir diversos outros importantes assuntos na trama, sem tornar o filme cansativo ou demasiadamente longo. Vemos a liberdade de imprensa, o poder da verdade em conflito com os interesses governamentais, o empoderamento feminino, o comercial em conflito com o editorial de uma redação, além dos bastidores da investigação jornalística, tornando assim a obra uma verdadeira ode ao jornalismo.

THE POST - A GUERRA SECRETA (Crítica)

Steven Spielberg (A.I.: Inteligência Artificial), está genial (como quase sempre), ele usa sua lente como instrumento para narrar a trama, o posicionamento da câmera é pensado para compor o momento dos personagens. A fotografia e a montagem se encontram também inspiradíssimas na produção, além da trilha sonora de John Williams que transforma que auxilia na transformação do suspense dentro da trama, levando a plateia a uma verdadeira angustia, até a apoteose final.

Além do roteiro ter composto muito bem os personagens, dando espaço para que todos brilhassem no filme, a escolha do elenco é memorável, todos estão ótimos. Tom Hanks é mais uma vez competente com seu Ben arrogante e forte, mas Meryl Streep toma o filme para ela, principalmente porque sua personagem passa por uma transformação grande, e ela faz com uma sutileza impressionante essa mudança. Uma cena no terceiro ato é para aplaudir de pé, preste atenção.

Falando da atriz, o filme mostra esse empoderamento feminino, símbolo da personagem de Meryl de forma nada panfletária (felizmente), somente retratando a forma como a mulher era vista e tratada na época e como tinha que tentar se impor para simplesmente falar algo que pensava.

The Post – A Guerra Secreta além de homenagear o jornalismo e dar voz a luta feminina na igualdade de gênero, é uma obra necessária para que a luta pela verdade sempre seja a escolha incontestável.

Pôster de divulgação: THE POST - A GUERRA SECRETA

Pôster de divulgação: THE POST – A GUERRA SECRETA

SINOPSE

Kat Graham (Meryl Streep) é a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o editor-chefe do jornal, ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico. Quando o New York Times inicia uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação do país na Guerra do Vietnã, com base em documentos sigilosos do Pentágono, o presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, de forma que nada mais seja divulgado. A proibição é concedida por um juiz, o que faz com que os documentos cheguem às mãos de Bradlee e sua equipe, que precisa agora convencer Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Liz Hannah, Josh Singer
Título Original: The Post
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 1h 55min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 25 de janeiro de 2018 (Brasil)

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1 Comentário

  1. Marcos Bossolon

    Não sei se isso entra como Spoiler, mas se entrar ja quero deixar avisado a quem estiver lendo

    Uma cena muito bacana sobre esse EMPODERAMENTO feminino acontece quando kay está descendo as escadas de nde houve o julgamento e enquanto todo mundo entrevistas o pessoal do New Yorkk Times (homens), kay segue por uma fila de mulheres admirando-a.
    meryl streep está sensacional nesse filme.