THERESE D. (Crítica)

 

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Um grito feminista nos anos 20

Se em pleno século XXI ainda vemos injustiça quanto a minorias ou grupo que não são dominantes, imagina isso no século passado nos anos 20? Pois é, nessa época as mulheres não tinham direto a quase nada, sua principal função era ser dona de casa. Só que sempre existem algumas que resolvem não aceitar viver sobre esse regime social.

Thérèse Desqueyroux é uma jovem que desde criança carregava em sua mente um turbilhão de ideias que eram muito a frente de seu tempo, como citado no filme, uma alma complexa, mas apesar disso acabou casando com um homem que via nela a possibilidade de aumentar sua fortuna e como esperado viveu de forma infeliz ao lado desse homem até que seu instinto a levou a tentar eliminar seu marido envenenando.

O roteiro foi adaptado do romance Thérèse Desqueyroux, considerado a obra-prima de Fraçois Mauriac, escritor francês vencedor do Nobel de literatura em 1952. O roteiro do longa-metragem segue o intimo dessa mulher, desde a adolescência até a vida adulta e mostra como sua mente parecia querer sair de seu corpo e se libertar de sua condução atual.

A narrativa do filme é intimista e bem lenta, tudo é contando com calma para que o público entre no estado de depressão que a personagem principal vem vivendo. A dor, a solidão, a falta de animo só aumentam a cada ano que se passa em sua vida e Audrey Tautou, demonstra com precisão esse estado sofrível da personagem.

O diretor Claude Miller, que infelizmente não viu o filme pronto, porque faleceu na pós-produção consegue explorar no tom certo, nesse grito de liberdade feminino que talvez fosse o grito de muitas mulheres nessa época.

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Sua câmera utiliza o mais belo ângulo em cada cena para transformar tudo em algo deslumbrante no quesito visual – a sensação que cada detalhe foi milimetricamente pensando para que a cena saísse uma pintura na telona.

Mas infelizmente o filme apresenta alguns sérios problemas. O primeiro é a escolha de Audrey Tautou, sim, apesar de ela ser o motor do filme, pela forma que acontece a história a sua escolha não caiu bem para a personagem, visto que ela tem mais idade que a personagem deveria ter na história, ficou claramente estranho – obvio que sua escolha é um modo de fazer do filme um sucesso de bilheteria.

Outro problema é que apesar da sinopse, o que vemos é que não há nada no filme que consiga transforma-lo em algo envolvente, não existe um clímax forte ou um acontecimento que nos leve a querer chegar até seu desfecho, o grande mérito é Audrey Tautou que carrega o filme nas costas.

Como já citei tem a mensagem da libertação, de ir em busca de “algo” mais feliz para sua vida, mesmo que seja utilizando as últimas consequências, tem a fotografia lindíssima do filme, tem nossa eterna Amelie (Audrey Tautou), mas acaba sendo pouco para o potencial que o filme apresenta.

Ainda assim, vale a pena conferir, mesmo com esses deslizes é uma produção tecnicamente impecável, sem contar que muitas pessoas irão se identificar com essa mulher, que infelizmente ainda se encontra no dia de hoje vivendo sobre um regime social, apenas para não contrariar ou chocar o outro.

DESTAQUE

Como sempre os filmes franceses apresentam trilhas sonoras incríveis, esse longa-metragem não fica atrás, é delicadamente pensando cada momento sonoro, para ressaltar o tom depressivo que vive a personagem principal.

SINOPSE

França, década de 1920. Thérèse (Audrey Tautou), é uma adorável e espirituosa jovem mulher que se casa com Bernard Desqueyroux (Gilles Lellouche), seu vizinho, transformando assim suas respectivas terras em uma grande propriedade. Bernard tolera a personalidade e as opiniões fortes de sua brilhante esposa, mas ela logo se vê sufocada pelo tédio de sua vida provincial e pela mediocridade intelectual de seu marido. Ela sonha com o a efervecência cultural de Paris e começa a procurar uma maneira de revolucionar sua vida.

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ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Audrey Tautou (Thérèse Desqueyroux)” espaco=”x”]Audrey Tautou[/do][do action=”cast” descricao=”Gilles Lellouche (Bernard Desqueyroux)” espaco=”x”]Gilles Lellouche[/do][do action=”cast” descricao=”Anaïs Demoustier (Anne de la Trave)” espaco=”br”]Anas Demoustier[/do]

DIRETOR

[do action=”cast” descricao=”Claude Miller” espaco=”br”]Claude Miller[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Claude Miller
Título Original: Thérèse Desqueyroux
Gênero: Drama
Duração: 1h 47min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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