Tidelands – 1ª Temporada | (Crítica)

Kadu Silva

Um quebra-cabeça instigante!

Uma das regiões do mundo onde existem diversas histórias de lendas e mitologias ao montes, sem dúvidas, é a Austrália, lá vivi até hoje o povo aborígine que tenta conservar as diversas histórias milenares do seu povo, que acaba sendo parte do DNA da população australiana. Muito desses contos tem origem no mar, que banha grande parte do território australiano, e a série original Tidelands aproveita desse imaginário para criar uma trama de suspense de realismo fantástico muito instigante.

A série narra a trajetória de Call (Charlotte Best) uma ex-presidiaria que volta a Orphelin Bay, pequena vila de pescadores onde cresceu, e logo passa a investigar a morte misteriosa de um pescador. A tribo formada por estranhos habitantes, metade sereia e metade humano, os “Tidelanders” são os principais suspeitos e essa aproximação com esses seres (“diferentes”) trará muitas revelações tanto para ela como para o povo local.

O roteiro tem acertos e diversos erros, acerta ao conseguir misturar uma história de mitologia com um suspense policial e trazer, mesmo com o uso do realismo fantástico uma veracidade a trama, no entanto, erra em deixar pontas soltas e usar de recursos preguiçosos para impulsionar a narrativa, além disso, apresenta um excesso de auto-explicação. Para uma história de suspense é um erro muito grave, pois tira do espectador a possibilidade de criar ideias próprias, o que torna todo desenrolar muito previsível, mesmo usando referencias de Game of Thrones (se assistir a série entenderá porque). Vale mencionar ainda que a série não aprofunda em temas relevantes que começa a abordar e são deixados de lado ao longo da narrativa como o preconceito ao diferente, por exemplo.

As referencias não param por ai, existe uma áurea em torna da trama que nos leva a lembrar de Breaking Bad e Ozark, grande parte do arco dramático é construído em torna de grandes semelhanças a essas produções citadas, o grande diferencial mesmo é trazer para o restante do mundo esse olhar mitológico local que a Austrália tem em demasia.

Um ponto positivo que (felizmente) é comum nas séries hoje em dia é a liberdade na abordagem de temas e assuntos “polêmicos”, a violência, sexo, nudez aparecem sem mascara, o que torna, mesmo nesse universo fantasioso, a série de mais fácil identificação com o grande publico. E além disso, o formato de ir aos poucos revelando pedaços do quebra-cabeça que envolve a grande trama faz com que se prende a atenção a cada novo episodio.

Tecnicamente a série tem alguns pontos positivos, como a fotografia que é exuberante, ela aproveita das belas paisagens da Austrália como cenário para a trama e assim faz parecer que se trata de uma produção mais sofisticada que de fato é, e o elenco que de forma geral acaba dando credibilidade para a história, tem grandes performances de alguns atores, inclusive Marco Pigossi (O Nome da Morte) que consegue criar camadas extras para seu personagem que ainda tem muito a dizer numas futuras temporadas.

Tidelands é uma série de um bom suspense, ainda que seja pouco criativa e inovada em sua estrutura.

Pôster de divulgação: Tidelands

Pôster de divulgação: Tidelands

FICHA TÉCNICA

Título Original: Tidelands
Ano: 2018
País: Austrália
Criação: Stephen M. Irwin, Leigh McGrath
Direção: Stephen M. Irwin
Elenco: Charlotte Best, Aaron Jakubenko, Peter O’Brien e grande elenco
Duração: 8 episódios de 41 minutos cada

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