TIM LOPES – HISTÓRIAS DE ARCANJO (Crítica)

TIM LOPES  HISTORIAS DE ARCANJO

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Por Pedro Vieira

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No dia 5 de junho de 2002 foi confirmada a morte do jornalista investigativo Tim Lopes, assassinado enquanto fazia uma reportagem, caso que gerou imensa comoção em toda a imprensa. Buscando relembrar a morte do famoso repórter e recuperar momentos importantes da vida do mesmo, surge o documentário “Tim Lopes – Histórias de Arcanjo” (que faz referência ao verdadeiro nome do jornalista), idealizado pelo próprio filho de Tim, Bruno Quintella, que assume o roteiro, e por Guilherme Azevedo, o diretor do longa.

Inicialmente passando pela região do assassinato do pai, Quintella vai entrevistando pessoas que se envolveram direta ou indiretamente com o acontecimento, e a partir daí consegue resgatar fatos do passado, e ilustrar a vida de Tim, a fim de demonstrar sua influência na produção jornalística brasileira. Nesse aspecto o filme é bem ilustrado com imagens de arquivos, além das próprias reportagens escritas por Tim Lopes em jornais, utilizando a técnica de ressaltar certos trechos para o espectador compreender do que a matéria trata como um todo.

A partir daí o documentário tem a oportunidade de passar rapidamente por diversos temas jornalísticos e de cunho social, sempre centrado em demonstrar como Tim Lopes interagia com eles. Tem se assim uma visão das dificuldades de se fazer jornalismo na época da ditadura militar, expondo como Tim agiu em relação a isso. Mostra-se ainda como ele buscava fazer matérias antes impensadas por alguns, a exemplo da que teve foco na vida dos caminhoneiros ou na que falava sobre o dia a dia dos trabalhadores de uma fábrica.

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Tim é colocado no patamar da pessoa inovadora que ele era, que explorava proceder com suas reportagens de forma antes não pensada, se infiltrando no meio das pessoas “objetos” de sua reportagem. Sua preocupação social é muito significante para o documentário, que ganha força especialmente quando trata da importância de Tim em relação à população negra brasileira. O filme expõe como o jornalista conseguiu trazer para a mídia a imagem do negro na sociedade, seu estilo de vida e sua cultura, tão marginalizada pelo resto da população. É importante ressaltar o papel de Tim para que a população tenha se atentado para os problemas daqueles que eram sempre julgados pelos mais favorecidos, denunciando diversos dos problemas passados por eles.

O documentário só peca em seu final. Ao voltar para a região da infância de Tim, o filme não só acaba tentando trazer para o a tela do cinema um apelo emocional desnecessário, como também expõe uma fase da vida do jornalista que pouco interessa para a produção como um todo. A força do documentário não está nos momentos predecessores à carreira jornalística de Tim, mas si no período em que esta carreira engatou, e ainda no momento pós a morte do repórter, que deixou uma lacuna para o jornalismo investigativo brasileiro.

A montagem é fenomenal. Sabe bem como encaixar cada tema da vida de Tim de forma que um sempre está ligado ao outro, dando um bom desenvolvimento para o documentário como um todo. Há única quebra nesse quesito é no momento de retorno ao passado, que novamente se mostra como o principal “calcanhar de Aquiles” da produção. A fotografia é igualmente excepcional, com boas escolhas de planos nos momentos em que não se trata de entrevistas, e que não só documentam o real, como também trazem pequenas metáforas da visão de Quintella e Azevedo sobre a vida de Tim – algo que também é feito ao utilizar fotografias do passado, auxiliadas pelo discurso dos entrevistados.

Como um tributo ao falecido jornalista, “Histórias de Arcanjo” consegue expor os mesmos assuntos tratados por Tim Lopes em sua vida, enquanto se molda como uma homenagem a ele.

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SINOPSE

Filme que conta a trajetória e vida do jornalista Tim Lopes a partir do ponto de vista de seu filho. Dez anos após a morte de Tim, evento que chocou os cidadãos brasileiros, o longa procura contar outras histórias além das de quando ele era jornalista. Contém imagens de arquivos, feitos por Tim Lopes e por outros, e depoimentos de amigos, família e admiradores.

DIREÇÃO

Guilherme Azevedo Guilherme Azevedo

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Bruno Quintella
Título Original: Histórias De Arcanjo – Um Documentário Sobre Tim Lopes
Gênero: Documentário
Duração: 1h 24min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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2 Comentários

  1. adilson villanova

    ola , gostaria de saber a onde esta passando o filme no Rio de Janeiro

    • Kadu Silva

      Olá Adilson, obrigado pela visita no Ccine10. Então o filme no Rio de Janeiro só tem exibição no Ponto Cine (Guardalupe – sala 1).
      Boa sessão para você e quando assistir, venha deixar seu comentário aqui.
      Até breve.