TIRANDO O ATRASO (Crítica)

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Por Juca Claudino

SE BEBER, NÃO CASE. CASO DECIDA-SE CASAR, ESPERE ATÉ SEU CÔNJUGE MORRER PARA PODER BEBER DE NOVO.

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“Tirando o Atraso” é um filme que tenta fazer humor com algumas piadas “politicamente incorretas” (muitas vezes machistas), tornando-se assim irregular a partir do momento em que algumas geram um efeito cômico desejado, outras ficam abaixo disso. No fim das contas, a atuação de Robert De Niro acaba criando um personagem tão peculiar ao seu “dirty grandpa” (avô “sem-vergonha”, “pervertido” como diz o título original de forma coloquial) que evita com que o humor do filme acabe sendo camuflado pela mesmice do roteiro, que no final encerra uma história que pretende ser unicamente hilária de uma forma melodramática meio senso comum. Ainda deve ser levado em conta que Zac Efron não se apequena perante a figura de De Niro atuando ao seu lado, e consegue fazer uma performance considerável naquele que deve ser o gênero no qual o ator se aventurará com maior frequência para os próximos anos de sua carreira (após este trabalho e “Os Vizinhos”): a comédia besteirol.

A proposta de “Tirando o Atraso” é nos dar aquele humor “ácido”, “politicamente incorreto”, e com isso nos divertir durante a 1 hora e 42 minutos de exibição. Quanto a isso, a missão do filme não é necessariamente fácil. Ele deve nos reconquistar a cada cena, e provar ser bem humorado a cada nova piada. O diretor do filme, Dan Mazer, produziu e escreveu alguns projetos para a TV e é nessa área que mais se foca. Todavia, seu trabalho mais repercutido na sétima arte foi, embora tenha dirigido o longa de comédia “Dou-lhes Um Ano” em 2013, assinar o roteiro e produzir “Bruno” (2009) e “Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América” (2006) junto com outros cineastas. A sua parceria com Sacha Baron Cohen, além de outros projetos com mesmo gênero, dá credenciais ao diretor para que consiga conduzir a acidez de “Tirando o Atraso”. E de fato, as piadas envolvendo temas tabus como drogas e orgias em diversos momentos do filme nos provocam gargalhadas. Porém, as situações cômicas não são constantemente hilárias, com algumas cenas em que de fato não rimos tanto assim. Logo, tendo em vista o gênero e a proposta do filme, este acaba sendo uma película “irregularmente” cômica, muitas vezes utilizando piadas de cunho machista – o filme certamente não se sairia muito bem no Teste de Bechdel, além de em alguns momentos retratar a mulher de uma forma um tanto objetificada – para tentar nos surpreender com a “despudor” do roteiro.

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Mas de fato, o grande fator que consegue manter o filme minimamente divertido durante sua duração é a atuação da dupla principal. Sobre o trabalho de Robert De Niro, ninguém duvida mais de seu talento. Depois de quase de 50 anos de carreira, do ator de 72 anos o que podemos esperar é uma grande facilidade em conseguir convencer com sua atuação. E nesse filme, a peculiaridade que ganha seu personagem – um “vovô” que quando sua esposa morre e então se vê solteiro, quer “tirar o atraso” – é tão risível que Dick Kelly (o nome desse personagem) se torna cativante a ponto de seu destino nos interessar. É esse o grande fator que nos irá gerar um interesse pela história. Já Zac Efron, que havia lançado “Vizinhos” em 2014, novamente consegue convencer em um filme desse gênero. Ao estereotipar o “homem sério”, que vive em prol do trabalho e do seu status profissional (adotando um visual bem “coxinha”), e esse estereótipo ser jogado em meio àquela imensidão de, para a visão de seu personagem Justin Kelly, “imoralidades” e “sem vergonhices”, temos o show de bizarrices com o qual o filme crê que iremos rir. Um estereótipo fora do seu habitat guiado pelo estereótipo oposto, mas o mais legal disso é que o primeiro é o neto e o segundo é o avô.

Tal situação bizarra e a maneira como a dupla principal do elenco, principalmente De Niro, conseguem desenvolver o humor nesse contexto, salva o filme da mesmice a qual somos expostos no desenvolver da trama – mesmice em relação aos tantos roteiros de Hollywood que tentam gerar um final idealizado e romântico de forma superficialmente trabalhada e pouco catártica. O filme tenta gerar uma “moral da história” que é nada mais que o bom e velho “carpe diem”: não se entregue as máscaras da sociedade, busque a felicidade sempre! A questão é que isso é feito de uma forma “senso comum”: o melodrama cheio de falas batidas e clichés mal aproveitados. Logo, enquanto o filme tem uma face cômica e “inconsequente”, temos uma comédia que cumpre com seus preceitos narrativos e (sobretudo) comerciais. Já quando adota o “felizes para sempre idealizado”, nos afeta pouco.

“Tirando o Atraso” talvez não se destaque dos filmes de comédia que lhe são concorrentes, mas trabalha a “acidez” e o “politicamente incorreto” de suas piadas de forma a gerar um divertimento. De Niro e Efron estão bem no filme, e conduzem todo o humor da película a partir de seus personagens estereotipados e cativantes. Embora seu roteiro contenha alguns pontos entediantes, também tem pontos realmente cômicos. É um filme que consegue descontrair, sobretudo.

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SINOPSE

Jason Kelly (Zac Efron) está prestes a se casar com a filha supercontroladora de seu chefe e no caminho mais curto para se tornar sócio no escritório de advocacia em que trabalha. Até o dia em que sua avó morre, e seu avô o convida para acompanhá-lo na viagem prometida no leito de morte dela. Não tinha como recusar…

Logo no dia seguinte ao enterro, o certinho Jason e seu desbocado e assanhado avô Dick (Robert De Niro) saem rumo à paradisíaca e agitada Daytona Beach para cumprir a promessa. Entre festas doidonas, brigas de bar e uma épica noite no karaokê, Dick está determinado a tirar o atraso dele e do neto – uma verdadeira missão para aproveitar a vida ao máximo e convencer o neto a fazer o mesmo ou, no mínimo, a beber muito antes de casar.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: John Phillips
Título Original: Dirty Grandpa
Gênero: Comédia
Duração: 1h 42min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 4 de fevereiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

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1 Comentário

  1. William Haddad

    como sempre ROBERT DE NIRO…fabuloso