TÔ RYCA (Crítica)

Kadu Silva

Exagerado e pouco original, ainda assim tem seus méritos

Muito se fala que o cinema nacional é ruim e que os sucessos de bilheteria ganham diversas sequências, de fato isso em parte é verdade, mas isso não é nada diferente de diversos outros países no mundo, o que acontece é que o que chega de fora aqui já passou por uma peneira de qualidade, dando a “falsa” impressão que o que é de fora tem mais qualidade. Essa introdução é para dizer que Tô Ryca é apenas um filme regular porque (infelizmente) erra mais do que acerta, ainda que tenha uma boa intenção na mensagem final do longa.

O longa narra a história de Selminha (Samantha Schmütz) uma frentista que está prestes a deixar seus dias de pobreza ao descobrir que é a única herdeira de um tio distante, no entanto para colocar a mão no dinheiro ela terá que cumprir um desafio proposto pelo tio, onde ela terá que gastar 30 milhões de reais em 30 dias, sem contar para ninguém e sem usar o dinheiro em bens materiais. E nessa maratona ela vai descobrir muito mais sobre a vida do que imaginava.

O roteiro de Fil Braz (Minha mãe é uma Peça: O Filme) erra em novamente retratar o suburbano de forma caricata com exageros que beira o mal gosto, o desenrolar da história também é previsível mesmo com o desafio que permeia a narrativa, sem contar ainda que o filme parece recorte de diversas outras comedias nacionais sobre o pobre “milagrosamente” ficando rico, no entanto acerta em propor através da trama inusitada uma reflexão sobre o momento político atual onde candidatos manipulam a opinião público para seguir seus dogmas religiosos.

O filme marca a estreia do diretor Pedro Antonio no cinema, ele é conhecido por dirigir e produzir programas humorísticos para TV paga, sua direção é muito burocrática ainda que tenha essa larga experiência com o universo do humor, ou seja faltou um pouco de ousadia na condução da trama.

Outra curiosidade é que o filme marca a despedida de Marília Pêra (Pixote: A Lei do Mais Fraco) do cinema, Tô Ryca foi o último longa da atriz que nós deixou em dezembro do ano passado.

O elenco apesar de estar na zona de conforto fazendo personagens que lembram outros de suas carreiras, em geral se saem bem. A química entre Samantha Schmütz (Vai que Cola: O Filme) e Katiuscia Canoro (A Esperança é a Última que Morre) é muito interessante e ambas são as responsáveis pelos momentos mais engraçados do longa.

Tô Ryca não é uma obra prima do cinema nacional, pelo contrário é um produto simples que tem como alvo principal o grande público, mas ainda assim tem em suas entrelinhas elementos que podem contribuir para uma reflexão política, social e moral.

TO RYCA

SINOPSE

Selminha (Samantha Schmütz) é uma frentista que tem a chance de deixar seus dias de pobreza para trás ao descobrir uma herança de família. Mas para conseguir colocar a mão nessa grana, ela terá que cumprir o desafio lançado por seu tio: Selminha precisa gastar 30 milhões de reais em 30 dias, sem acumular nada e nem contar para ninguém. Mas, nessa louca maratona, ela vai acabar descobrindo que tem coisas que o dinheiro não compra.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Fil Braz
Título Original: Tô Ryca
Gênero: Comédia
Duração: 1h 34min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 22 de setembro de 2016 (Brasil)

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