TOQUE DE MESTRE (Crítica)

TOQUE DE MESTRE

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Por Davi Gonçalves

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Toque de Mestre é um exercício estilístico dos mais completos, apostando em vários elementos essenciais para a construção de um bom suspense – inclusive, como alguns críticos sugeriram, no melhor estilo hitchcockiano de se filmar. No entanto, o excesso de clichês do gênero – que acabam causando a previsibilidade do roteiro – impedem que o longa de Eugenio Mira seja uma obra-prima do gênero ou mesmo um filme memorável, apesar do potencial da história para tal.

A trama de Toque de Mestre acompanha o pianista Tom Selznick (personagem de Elijah Wood), que retorna aos poucos cinco anos após um hiato ocasionado por um concerto fracassado. No palco, o inseguro musicista recebe ameaças de um assassino (estrategicamente alocado) que exige que Tom execute o concerto sem nenhum erro – inclusive fechando a apresentação com a composição que cinco anos antes causara o grande vexame de sua carreira e que, desde então, o persegue como um fantasma.

Levando em consideração a curta duração do filme (cerca de 1 hora e meia, com os exaustivos créditos), a narrativa de Toque de Mestre teria tudo para dar certo. Cada passo do personagem (de sua chegada ao teatro ao desfecho surpreendente) é retratado praticamente em tempo real. Tudo funciona bem no filme até seus primeiros 30 minutos – quase ao final do primeiro ato do concerto de Tom, quando, ao que tudo indica, estamos diante de um suspense de tirar o fôlego. Bebendo até mesmo nas fontes hitchcockianas, temos até uma espécie de “macguffin” (elemento narrativo que move a trama): um piano, instrumento único e que havia sido feito sob medida para o tutor do protagonista.

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O que ocorre a partir daí é um excesso de clichês do gênero que tornam o filme um exercício de estilo sem muita sofisticação, nada novo que valha a pena. Esses excessos acabam tornando a trama extremamente previsível – a começar pela utilização da voz off, maneira pela qual o diretor decidiu retratar o personagem de John Cusack, o grande vilão da trama, cujas motivações são inverossímeis e totalmente desnecessárias. Nem mesmo a voz off é capaz de criar muita empatia pela personagem, apesar de aumentar em certos momentos a curiosidade sobre a identidade do assassino.

Para completar a situação, o elenco de Toque de Mestre não contribui. Elijah Wood foi, definitivamente, mal escalado para o personagem (escalação que me lembrou muito Daniel Radcliffe em A Mulher de Preto, de 2012). Conhecendo a biografia de Tom, é difícil associar a imagem de Elijah ao personagem. Alem disso, seu belo par de olhos azuis arregalados a todo momento (numa tentativa frustrante de aumentar a tensão do roteiro) não contribui e cansa o telespectador, porque é forçado. Os outros antagonistas da trama também são recheados de trejeitos exagerados que o tornam personagens apáticos e sem carisma – inclusive Kerry Bishé, responsável por interpretar a esposa de Tom. A química entre o casal é deprimente, dificultando ao espectador acreditar que estamos diante de um casal apaixonado, como sugere o filme.

Toque de Mestre está longe de ser um filme ruim – e funciona muito bem como suspense para qualquer plateia simples, mas não para um cinéfilo com o mínimo refinamento. O filme até consegue chamar a atenção do espectador em diversos momentos, mas seu roteiro previsível (resultado de uma serie de clichês mal utilizados) faz com que essa mesma atenção fique dispersa por qualquer razão – o que não deixa de ser uma pena. Com um final clássico de um suspense hitchcockiano, Toque de Mestre é um ótimo exercício de gênero mas que não impressiona nem cativa.

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SINOPSE

Antes da apresentação que marca seu retorno, um pianista que sofre de medo do palco descobre um bilhete assustador em suas partituras. A ameaça afirma que ele terá que fazer o melhor concerto de sua vida, sem um único erro, se quiser salvar a si mesmo e também sua esposa.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Eugenio Mira” espaco=”br”]Eugenio Mira[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Damien Chazelle
Título Original: Grand Piano
Gênero: Thriller
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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