TORO (Crítica)

Matheus Souza

Nesta segunda parte da série de longas intitulada “Trilogia da Vida”, temos Carlão, também conhecido como Toro, um ex-detetive assombrado por seu passado criminoso, que após ser afastado da carreira policial, passa a atuar como taxista. Ao decidir ajudar o trabalho de uma jornalista concedendo algumas opiniões e depoimentos, Carlão começa a reviver velhos fantasmas, e a partir de suas memórias o público começa a se inserir na trama do longa.

Embora o filme comece com algumas semelhanças e conexões com a primeira parte da trilogia, vemos claramente uma mudança na linguagem audiovisual utilizada. A mais clara está na paleta de cores utilizada, que sai do preto e branco, além de que gradativamente fica perceptível que o filme é menos introspectivo que o anterior. Embora que, nos primeiros minutos da obra, nosso narrador reflita sobre alguns fatos, não temos uma voz frequente a fazer reflexões e divagações sobre a vida.

As últimas ligações com a película anterior está no modo desse filme funcionar, já que ele apresenta um papel de spin-off do primeiro, um coadjuvante de Insubordinados agora adquire a função de protagonista. Fora isso, temos a trilha sonora, outro ponto positivo repetido. Ela novamente está bem sincronizada com a temática, ajudando significativamente na composição dramática de algumas cenas. Por mais que contem com equipes diferentes, é inevitável não comparar as duas produções, até por fazerem parte da mesma saga. “Toro” é desde os momentos iniciais mais agradável que seu antecessor, creio que por não causar tanto estranhamento inicial, o que algumas pessoas podem ter sentido em “Insubordinados”.

O primeiro ato do filme, mesmo que agradável, é um tanto quanto “morno”, mas gradativamente o público é seduzido pela estória, até se ver completamente fisgado por volta de 35 minutos decorridos, quando a película decide mostrar o protagonista bruto e de feições dura, o mais vulnerável possível. Neste momento, temos uma mudança na personalidade do filme, que decide colocar o dedo na ferida da sociedade ao tratar como trauma um assunto comum, mas pouco discutido publicamente.

As atuações são todas competentes, mesmo que em alguns momentos haja uma mudança no grau de qualidade expressiva por parte de alguns coadjuvantes, por sorte são breves tais cenas. Apenas uma atuação conseguiu me chamar atenção: a atriz Naruna Costa, conseguiu se destacar em meio a muitos atores talentosos, pois a todo o momento inspirou extrema naturalidade e realidade quanto a expressão e o modo como falava.

Toro é um filme que decide se aventurar no gênero policial e investigativo em sua segunda metade, deixando em segundo plano o lado dramático explorado como prato principal por seu antecessor. O filme consegue ser um pouco mais agradável que “Insubordinados”, pois mesmo sendo menos reflexivo, se aprofunda em temas mais complexos nos momentos que decide explorar sua veia dramática. Tais pontos positivos fazem com que minha recomendação seja ainda mais forte para esta película e deixando com algumas expectativas quanto a qualidade de “Hector”, parte final da Trilogia da Vida.

TORO2

SINOPSE

Carlão (Rodrigo Brassoloto), mais conhecido como Toro, leva uma vida completamente atormentada pelas lembranças da vida do crime. Após ter sido afastado da corporação e preso, ele foi solto e agora se sustenta trabalhando como motorista de táxi. Mesmo tentando, encontra dificuldades em enterrar sua antiga imagem, sendo esta a única possibilidade de seguir em frente.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Edu Felistoque” espaco=”br”]Edu Felistoque[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Júlio Meloni
Título Original: Toro
Gênero: Drama
Duração: 1h 28min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 24 de novembro de 2016 (Brasil)

Comente pelo Facebook