TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME (Crítica)

Kadu Silva

Faroeste contemporâneo

Muitas vezes para quem não vive e/ou conhece de perto a cultura dos Estados Unidos, a imagem que se tem é de um país tecnológico com e glamour por toda a parte, mas vira e mexe a sétima arte nos mostra que não é bem assim. Os norte-americanos são na verdade, os caipiras do mundo e ainda mantém pensamentos e principalmente atitudes bem conversadoras, principalmente nas cidades mais interioranas. Em Três Anúncios para um Crime o criativo cineasta Martin McDonagh (Na Mira do Chefe) escancara isso e ainda narra uma história quase surreal de um faroeste contemporâneo.

Na trama Mildred Hayes (Frances McDormand) após aguardar por sete meses o esclarecimento sobre a morte de sua filha adolescente, resolve alugar três outdoors numa estrada quase deserta, aonde estampa frases anunciando a ineficiência da polícia local e principalmente a do delegado Bill (Woody Harrelson). A partir desse momento a pacata cidade se torna um caldeirão de acontecimentos inimagináveis.

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME (Crítica)

O brilhante roteiro de Martin McDonagh, tem diversos acertos a se destacar, primeiro, o desenvolvimento de todos os personagens é magistral, cada um parece carregar uma história interessantíssima que faz a plateia querer mais de cada um deles. Além disso, a trama extremamente bem contada, encontra espaço para revelar sem pudor diversos “podres” da sociedade norte-americana. McDormand faz tudo isso num humor negro irresistível.

Outro ponto brilhante do roteiro é que não existe maniqueísmo nessa história, nenhum personagem é totalmente do bem e nem do mal, todos são apresentados de forma humana com qualidades e defeitos, e por isso, rapidamente a pláteia se vê envolvida não só pela encantadora história, mas por todos carismáticos personagens.

Nada disso seria tão perfeito se o elenco não acompanhasse o belo texto, McDormand escolheu a dedo cada ator para seus personagens e assim vemos todos brilharem e arrebatar a plateia com suas atuações que beira a perfeição, mas dois merecem destaque, Frances McDormand (Quase Famosos) faz de Mildred Hayes um ícone cult, é talvez uma das melhores atuações dos últimos tempos no cinema, e não tão longe disso, tem Sam Rockwell (A Condenação), que faz o desajuizado (malucão) policial Jason, não atoa ambos estão na cena final do filme e os dois personagens vão da doçura de um ato ingênuo a uma atitude deplorável, tudo de forma orgânica e no timing certo.

“Três Anúncios para um Crime”, nasce de uma simples ideia para revelar personagens e reviravoltas apaixonantes.

Pôster de divulgação: TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME

Pôster de divulgação: TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME

SINOPSE

Inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha, Mildred Hayes (Frances McDormand) decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby (Woody Harrelson), responsável pela investigação.

DIREÇÃO

Martin McDonagh  Martin McDonagh

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Martin McDonagh
Título Original: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Gênero: Drama
Duração: 1h 55min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 25 de janeiro de 2018 (Brasil)

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4 Comentários

  1. Regis

    A crítica seria totalmente bem feita, nao fossem alguns deploráveis erros de português, como usar mau no lugar DE.mal, entre outros. Que feio!

    • Kadu Silva

      Obrigado Regis pelo comentário. De fato passou alguns erros, tudo porque a crítica foi realizada na correria da Mostra Internacional de cinema. O feedback é importante para que possamos olhar com mais cautela (cuidado) nas próximas que entrarem no ar. Abraço.

  2. Luís Renato Figueiredo

    Boa crítica, mas dá uma olhada na sinopse. Não é filho e ela não contrata gangue nenhuma.

    • Kadu Silva

      Oi Luís, obrigado pelo comentário! De fato a sinopse estava errado, já foi alterada. Abraço!