TRIÂNGULO DO MEDO (Crítica)

TRIANGULO DO MEDO

3emeio

FICHA TÉCNICA

Título Original: Triangle
Ano do lançamento: 2009
Produção: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Gênero: Thriller
Direção: Christopher Smith
Roteiro: Christopher Smith
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Quando Jess (Melissa George) parte para o alto mar com um grupo de amigos a bordo de um veleiro, ela tem o pressentimento de que algo está errado. Seus temores se confirmam quendo uma tempestade atinge a embarcação deixando-os à deriva. Em seguida, um misterioso navio aparentemente abandonado surge e embarcar parece ser uma boa idéia. Logo, todos perceberão que não estão sozinhos e que alguma coisa está caçando os novos tripulantes.

Por Jason

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Triângulo do medo é um filme interessante de suspense feito com baixo orçamento, que acabei descobrindo por acaso e trazendo Melissa George no papel de Jess, uma garçonete que tem um filho autista e parece sofrer de algum desligamento mental. Jess é convidada por um cliente, Greg, para um final de semana velejando com os amigos dele, mas uma estranha tempestade surge do nada e surpreende o grupo, naufragando o veleiro e deixando-os no mar aguardando uma salvação. Na viagem estava Heather, que foi convidada a contra gosto por Greg e após o naufrágio desaparece e é dada como morta pelo grupo.

De repente, um navio aparece e parece estar abandonado. O grupo embarca, até descobrir que há uma pessoa dentro dele e se divide, tentando encontrá-la e acreditando se tratar de Heather. Ocorre que todos acabam morrendo, assassinados por essa pessoa misteriosa. Jess descobre que a pessoa que está no navio é na verdade uma cópia de si mesma e que o grupo está preso numa espécie de limbo temporal, onde os acontecimentos de repetem incessantemente. O problema se dá a partir daí. Jess precisa provar para as pessoas o que está acontecendo, mas a estratégia se mostra desastrosa. O filme começa então a mostrar as mesmas situações só que de outros pontos de vistas.

As cópias de Jess e do grupo vão se multiplicando. Na cabeça dela, ela precisa matar todos que entrarem no navio, quantas vezes forem necessárias e então conseguirá retornar para casa. O filme passa todo o tempo mostrando as idas e vindas do grupo, com Jess tentando mudar o padrão e salvar um e outro, mas sempre sem conseguir. Quando a Jess que o espectador acompanha desde o começo do filme consegue escapar do navio, vai parar numa praia e volta para a casa. O filme então retorna para o seu próprio começo, mostrando que Jess ainda precisa dar um fim ao pesadelo que está longe de acabar.

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O roteiro oferece, contudo, pistas do que está acontecendo: o navio se chama Aeolus, pai de Sísifo na mitologia grega, o mortal que enganou a morte e por isso foi condenado por toda a eternidade a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida, fazendo-o repetir o gesto. Dito isso, pode-se supor que Jess, que era uma péssima mãe como se percebe ao final, morreu em um acidente e que os outros amigos também faleceram – quando o veleiro afundou (Heather, a convidada, na verdade, teria sobrevivido). O navio seria um tipo de limbo onde as almas passam seus dias repetindo os acontecimentos e se destruindo, com Jess no purgatório (o quarto no navio é o mesmo número da casa dela), até encontrarem uma forma de aceitarem os seus pecados e se redimirem. Completam o cenário de inferno de Dante sobre as águas uma figura ao final do filme, um motorista, que lembra a morte ao se aproximar de Jess, deixando tudo obscuro ao redor e que diz que ela nada pode fazer pelo filho morto.

Em contrapartida, em outra linha de raciocínio não menos óbvia, Jess parece ser vítima da cabeça do seu filho autista, que criou aquele mundo para escapar dos maus tratos dela e enxerga tudo de outra forma – no começo do filme, Jess recolhe um veleiro afundado da piscina, deixado pelo menino, que está pintando uma figura azulada como… o mar revolto. Ela diz ao filho algo sobre ter pesadelos (seria tudo um pesadelo?), limpa uma tinta azulada que cai no chão depois que ele se assusta com uma figura na janela (outra versão dela mesma) e se sente culpada por ter que deixá-lo para viajar. Nota-se também que durante a viagem, Greg não para de fazê-la lembrar do seu filho. Já em casa, a Jess “original”, depois de passar por toda a tormenta no navio, percebe como era má com o menino e acaba com essa sua versão. Isso poderia ser visto como uma expressão de desejo do menino de substituir aquela mãe ruim por uma que o amasse.

Mas o filme também não explica porque Jess não lembra de nada (ela estaria fingindo?), mesmo estando na cena do acidente que a matou. Também não dá para saber porque Jess racionaliza que matando todo mundo poderá voltar para casa, sendo que a saída mais viável seria fazer com que todos ajudassem a sair (será que por ser uma alma penada ela precisaria evoluir sendo uma pessoa melhor com todos para encontrar a salvação?). Enfim, são só ideias. Melissa George resume sua atuação a cara de espanto e de perdida. O restante do grupo é pior, incluindo Liam Hemsworth e pouco tem a fazer. O filme não explica e o espectador pouco tem noção da função dos personagens secundários, já que são mal delineados, pouco contribuem para a trama (estão lá só para as mortes) e em qualquer teoria sobre o roteiro eles parecem que não se encaixam. Os efeitos são toscos, não dá para esperar muito de um filme independente e barato, e o que segura o filme são as ideias de seu roteiro, que desperta a curiosidade no espectador em saber o que está acontecendo e buscar uma explicação – que por sinal, o filme não dá claramente, o que pode ser frustrante para alguns. O resultado de tudo isso é um filme mediano, mas ainda assim intrigante.

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TRAILER

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13 Comentários

  1. Thiago

    Esse filme é ótimo. Está bem longe de ser mediano na minha opinião

  2. Annie

    Assisti o filme hoje, e embora tenha entendido a história achei o filme em si chato demais. Não parecia só a Jess que estava perdida, senti que o elenco inteiro estava perdido.

    • Gladstone

      qual foi seu entendimento do filme?

  3. Gladstone

    Cara, eu sei que o filme é piscologia pura. mas acho que teria que assistir mais vezes para entender melhor. agora que li a critica eu pude ter um norte. eu ja havia entendido o fato de que ela percebeu que não era uma boa mãe. ela nao tinha paciencia e preparação para lidar com o problema do filho. porém quando ela percebe já é tarde de mais, pois o acidente que mata o filho e a ela mesma, faz com que ela queira mudar o passado, o que é impossivel. ela fica presa nisso. acho que o autor quis mostrar que não podemos mudar o passado,mas que é possivel aprender com os erros.. o final do filme é o começo da história.

  4. Eduardo Adauto da costa

    Achei o filme regular para ruim. parece uma colagem de outros filmes sobre triangulo das bermudas e outros temas similares. apesar do clima de mistério do início, o filme e suas teorias de labirinto, mitologia e lapso de tempo são explicadas pelos personagens quase como uma aula. O elenco é mediano, as interpretações são lisas, sem emoção. Alguns personagens como a heather estão sem função. parece que ela está no filme para insinuar que o greg é gay. ele fica aborrecido porque a levam no passeio, diz à jess que o casal amigo empurra namoradas para ele. o downey diz que ele não se importa de morar com um rapaz de 18 anos mas que não gosta que levem mulher para o barco. e a própria heather diz para ele não se preocupar porque ela não está interessada nele. logo depois ela morre e não reparece no filme. a situação fica no ar sem agregar nada à trama. jess tem problemas com o filho autista e sente culpa. ela realmente poderia ter se tornado uma assassina em função de um surto, mas isso não transparece ou não se configura como possibilidade real. a apresentação da repetição dos fatos só se salva pelos ângulos diferentes nas mesmas situações, mas também não agregam emoção ao filme. o taxista que representa a morte também não traz novidade apesar de ser a melhor caracterização e interpretação de cena. a recondução ao ciclo de repetições com o embarque da jess (que pensa que engana a morte ao não voltar) é mal resolvida, não convence porque ela é a única que sabe das sequências dos fatos. as conclusões que se pode tirar do filme, que podem ser muitas, não são instigantes a grandes arroubos intelectuais na mina opinião.

  5. RUY M GOULART

    Filme muito inteligente. dou nota 10 pra esse filme. vou assistir de novo.

  6. Delcio Gonçalves Costa

    Realmente é um dos meus filmes mais inteligentes, é gostoso filmes que não nos dê pistas de um entendimento fácil, se torna um filme imortal para que outras gerações possam assisti-lo. Alguns dificultam um entendimento, mas esse superou todas as expectativas. Sempre pra mim é nota 10 a criação dessa pérola.

  7. Pires

    como podem algumas pessoas ainda chamar este filme de inteligente? pelo amor de deus! filme mal resolvido, mal elaborado e pessimamente interpretado. a ausência de pistas explicativas não foi mero capricho do roteirista, mas falta de opções mesmo, tanto é verdade que o início do filme dá-se com os ciclos estabelecidos já há um longo tempo. e depois com os fins não resolvidos para as outras “jesses”, como aquela que está com a cabeça ferida pelo tiro de raspão e a que corre assustada após ter visto uma outra “jess” a apontar-lhe uma arma. acrescenta-se a isso o descompasso criado pela jess da ótica do triler que tenta salvar o grupo do “assassino” que está no navio, sendo que isso simplesmente não se repete nos ciclos posteriores.
    A idéia é excelente mas no entanto foi rasamente explorada e fracamente interpretada. Na minha opinião é no máximo apenas um bom entretenimento quando não se requer muita exigência.então assista sem muita expectativa, que foi meu caso, que a experiência, sem dúvida, será muito melhor.

  8. alice

    Gostei do filme. Especialmente, pOR ABORDAR UM POUCO DE MITOLOGIA, FÍSICA…, GOSTO DA TEMÁTICA.
    o DESCONTENTAMENTO DE VÁRIAS PESSOAS É, BASICAMENTE, QUE A MAIORIA NÃO GOSTA de pensar.
    Querem tudo mastigadinho.
    eNTÃO, Quando aparece algo que precisa de um olhar não superficial E, PRINCIPALMENTE, QUE REQUER PENSAR elas reclamam.
    sEM DÚVIDAS, UM DOS MELHORES FILMES QUE ASSISTI ESTE ANO.

  9. Iveraldo sousa

    Até o meio antes do naufrágio parecia legal porém depois virou um balaio de gatos…filme péssimo pra quem gosta de suspense mesmo e isso explica as pouquíssimas visualizações do.mesmo no you tube apesar da sinopse ser bem atrativa.

  10. JHONATA XAVIER

    Eu assisti duas vezes, o motorista de taxi realmente parece ser a morte, e quando ele a deixou na marina, disse que esperaria por ela, e ela prometeu que voltaria, só que não o fez, então como punição, o taxista a condenou a esse limbo temporal, e faz um pouco de sentido, já que o Navio em si parece estar ligado a aquela mitologia da pedra.

  11. CarlosAlê

    Ninguém conseguiu explicar de onde saíram as várias versões da Jess. Se para voltar ao passado ela precisa sair viva do barco, somente os outros tripulantes teriam versões múltiplas vindas do passado dela. A não ser que outros tripulantes também tivessem motivos para retornar ao barco, levando ela consigo a partir do seu próprio passado, mas o roteiro não sugere isto. Ainda não sei se é furo ou está mal explicado.
    Em outras palavras, é somente uma Jess que retorna ao barco e que retorna à praia. Se ela não conseguir sair do barco, nenhuma outra Jess vai rever o filho e sofrer o acidente e reiniciar o ciclo com “novos” tripulantes.

  12. CarlosAlê

    Se todos os tripulantes precisam morrer para que apareça outro barco, nunca haveria o encontro entre duas tripulações. Isto o roteiro não explica. em certo momento tem até três Jess no barco.