TRUQUE DE MESTRE: O 2° ATO (Crítica)

Juca Claudino

Você acredita em mágica?

No longínquo ano de 2013, de manifestações por reformas políticas no Brasil e denúncias gritantes por Edward Snowden no mundo, Louis Laterrier (diretor de “O Incrível Hulk”) lançava seu novo filme: “Truque de Mestre” (“Now You See Me”, em inglês), que reclamava alguns gêneros cinematográficos saudosos para Hollywood. A indústria da ilusão enlatada tivera mestres em retratar usando do mistério, como foi Alfred Hitchcock a ponto de tornar-se referência nisso, ou então diversos dos filmes noir que perpetuaram-se na memória cinéfila, como “O Falcão Maltês” e “A Dália Azul”, muitos colocando, junto ao mistério, thriller e tramas policiais. Tramas policiais, inclusive, presentes em diversos filmes de assalto, dos quais vêm à mente por exemplo “Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas” (marco de Arthur Penn), “Um dia de Cão” (marco de Sidney Lumet), “O Grande Golpe” (marco de Stanley Kubrick) e “Onze Homens e um Segredo” (marco de Steven Soderbergh?). Por fim, filmes de detetive como “Operação França” (William Friedkin) e “A Pantera Cor-de-Rosa” (de Blake Edwards, com Peter Sellers roubando a cena).

Mistério, assalto, detetive… “Truque de Mestre” trazia tudo isso consigo – e parece que filmes com tal pegada estavam se dissipando nessa Hollywood da era dos blockbuster faraônicos regados a concentradas doses de CGI – todavia para muitos sem a grandiosidade dos filmes citados. “Truque de Mestre” colocava doses de humor e otimismo em troca de uma construção menos soturna e violenta do que muitos dos exemplos que dei (porém bem menos cômica que “A Pantera Cor-de-Rosa”). Talvez em tom se aproximasse de “Onze Homens e Um Segredo”, mas enfim…

Mesmo que (atenção para a metáfora entre o filme e um bolo), na sua massa, “Truque de Mestre” opte por um senso comum no desenvolvimento da jornada de seus heróis, e assim agregando pouco ao filme que ainda recorre a idealizações óbvias, sua cobertura é notável: além de criar personagens com personalidade contagiosamente atrativas – com algumas construções estereotipadas da personagem feminina, de fato – é mais contagiante ainda na forma como usa dos truques de mágica para desenvolver as diversas situações do filme – gerando bastante originalidade nesse aspecto. Por fim, dividindo levemente as opiniões, podemos dizer que essa película, mereceu uma continuação.

Eis que chega 2016: no Brasil, ao invés de uma reforma política que solidificasse mais nossa democracia tivemos a volta do PDMB ao poder e, no mundo, “Snowden” virou filme dirigido por Oliver Stone (“Platoon”) – e deve estrear em breve. Além disso, “Truque de Mestre: O Segundo Ato” chega ao cinema, agora dirigido por Jon M. Chu (diretor de filmes como “Justin Bieber: Never Say Never” e “Justin Bieber’s Believe”) e, felizmente, teve a volta de Ed Solomon no roteiro da produção. Tal fato da volta de Ed Solomon ao roteiro é comemorável pois, embora o longa opte por obviedades e fórmulas prontas da mesma forma como o primeiro na sua “massa” (o que já era previsível), sua “cobertura” se mantém muito saborosa: novamente, são as inesperadas e às vezes inexplicáveis viradas surpreendentes na trama que dão o tom empolgante ao longa. Porém, mais que isso: o primeiro filme trabalha diversos personagens e termina com a revelação estarrecedora do grande segredo do longa de 2013. E nesse “segundo ato”, o roteiro prepara novas reviravoltas tão alucinantes quanto e realoca os personagens na trama toda de forma muito proveitosa e original.

Além do mais, quando George Lucas produzia “O Império Contra-Ataca”, disse necessitar uma continuação ser maior e mais megalomaníaca que o primeiro episódio, pois assim o pública a espera. E, no caso de “Truque de Mestre: O Segundo Ato”, tal regra é seguida à risca: ele inteligentemente se expande daquele microcosmo de Las Vegas do primeiro filme e agora torna-se uma saga mundial, tendo boa parte da história acontecendo em Macau (a “Las Vegas” chinesa – ou seria Las Vegas a “Macau” estadunidense?). Com pretensões mais grandiloquentes, ainda é a franquia fascinante na sua forma enigmática de brincar com a ideia da ilusão e da falibilidade dos sentidos, a partir disso criando uma atmosfera de suspense.

Por fim, ao término das contas podemos dizer que “Truque de Mestre: O Segundo Ato” mantém-se na linha do primeiro e, por mais que o diretor não seja o mesmo, o filme teve pouco do seu visual e atmosfera do primeiro episódio alterados para esse segundo. Diria, inclusive, que quem se divertiu com o primeiro terá a mesma satisfação nessa continuação, já que a película permanece tão funcional quanto o “Truque de Mestre” de 2013, tão empolgante e tão comovente quanto. E mesmo que haja uma troca de elenco no qual Isla Fisher (intérprete de Henley Reeves) sai do time inexplicavelmente e Lizzy Caplan (agora no papel de Lula… ops, quer dizer Lola) entra em seu lugar de uma forma um tanto mal explicada – a questão é que a primeira não renovou contrato para esse segundo longa -, os personagens continuam tendo personalidades chamativas.

Mas há algo a mais para ser dito antes de encerrarmos esse texto: chama atenção “Truque de Mestre: O Segundo Ato” (e talvez isso até vá na linha da máxima de George Lucas apresentada dois parágrafos acima) em como se aprofundou na ideia por detrás dos “quatro cavaleiros” como “Robin Hoods”. Tudo nesse segundo filme parece ganhar um fardo maior e os personagens parecem ter se tornado mais idealistas, uma vez que a denúncia à corruptibilidade do mercado financeiro, além da denúncia de sua exploração aos desempoderados, está mais forte nessa película.

PS: a brincadeira entre Lula e Lola se deve pelo fato do nome original da personagem ser Lula, porém no Brasil ter sido traduzido por Lola (por motivos comerciais). Vai entender, né…?

TRUQUE DE MESTRE O 2 ATO

SINOPSE

Após enganar o FBI um ano antes, o grupo de mágicos é forçado a se reunir mais uma vez e realizar uma nova série de golpes elaborados que culminarão na maior ilusão que já fizeram até agora.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Jon M. Chu” espaco=”br”]Jon M Chu1[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ed Solomon
Título Original: Now You See Me 2
Gênero: Suspense
Duração: 1h 55min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 9 de junho de 2016 (Brasil)

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