TUBARÃO (Crítica)

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5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Jaws
Ano do lançamento: 1975
Produção: EUA
Gênero: Thriller, Suspense
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Carl Gottlieb e Peter Benchley

Sinopse: Um terrível ataque a banhistas é o sinal de que a praia da pequena cidade de Amity virou refeitório de um gigantesco tubarão branco, que começa a se alimentar dos turistas. Embora o prefeito queira esconder os fatos da mídia, o xerife local (Roy Scheider) pede ajuda a um ictiologista (Richard Dreyfuss) e a um pescador veterano (Robert Shaw) para caçar o animal. Mas a missão vai ser mais complicada do que eles imaginavam.

Por Jason

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A primeira coisa que marca no filme Tubarão é a sua premiada trilha sonora, apresentada de maneira eficiente já nos letreiros iniciais, quando a câmera passeia pelo fundo do mar com o ponto de vista da criatura monstruosa que mais tarde aterrorizará a costa da cidade Amity Island ao som dos acordes aterrorizantes criados por John Williams.

Logo no prólogo, o espectador assiste aterrorizado o ataque a uma banhista, numa sequência perfeitamente executada e sugestivamente perturbadora. No dia seguinte, a vítima é dada como desaparecida e o Chefe Brody (Roy Scheider) vai investigar o caso. O corpo é encontrado mutilado na beira da praia e Brody acredita que a causa da morte é um provável ataque de Tubarão. É a partir dela que se dará todo o mote central dessa produção que se transformou num clássico inquestionável do cinema: todo o problema seguinte vai decorrer da ganância dos líderes políticos da cidade.

O povoado de Amity está perto de receber muitos visitantes e turistas pois é uma cidade cujo comércio se movimenta principalmente no verão e o líder político do lugar não quer afastá-los. A coisa se complica quando um menino é devorado pela criatura marinha enquanto tomava banho no mar. Um oceanógrafo é chamado para ajudar Brody assim como um pescador. Mesmo com o problema rondando a costa da cidade, as pessoas continuam ignorantes sem querer interditar a praia. Negligente, o prefeito acredita que Brody está se precipitando e não quer que se fale em tubarão para não causar pânico nos visitantes. Contra todos os alertas, libera os visitantes para tomarem banho. Brody e o oceanógrafo não veem outra saída a não ser irem para o mar atrás do monstro e é daí que nascem as inesquecíveis situações do filme, num combate épico dos homens contra o tubarão em pleno oceano onde a besta, seres humanos – e o próprio barco em que estão – serão levados até o limite.

Mesmo com efeitos especiais que envelheceram terrivelmente, principalmente na segunda metade, Tubarão é estruturalmente perfeito e é sem dúvidas um dos melhores filmes da carreira de Steven Spielberg. Baseado em romance homônimo, o fenômeno literário de Peter Benchley, a primeira metade apresenta o problema, o tema, os personagens e a forma como eles lidam com a situação. Na segunda, a solução escolhida pelos personagens para dar fim a todo o sofrimento é ir a luta com as armas que eles dispõem. Os problemas durante a produção, com o tubarão de mentira dentro da água, fizeram com que a criatura marinha fosse escondida ao máximo, o que só melhorou o suspense do filme. Spielberg também se usou de um artifício que repetiria mais tarde, com Jurassic Park: se no filme dos dinossauros ele alterna cena com animatrônicos e computação, aqui ele alterna cenas com criaturas reais e animatrônicos para formar um composto sólido. O ritmo é outro ponto a favor, cortesia da premiada edição vencedora do Oscar. O espectador sabe que a criatura está no mar e ataca furtivamente, o que deixa abertura para um roteiro onde tudo imprevisível, como os pescadores que pescam o tubarão errado ou os meninos que usam uma barbatana para assustar os banhistas.

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Os personagens são bem desenvolvidos. Brody, por exemplo, que tem um trauma de um quase afogamento é a reprodução da obsessão por eliminar o problema. Na procura por acabar com a criatura marinha e no embate final, ele precisa se superar e superar seus medos à medida que sua vida começa a passar por turbulência, seja como marido ou como pai preocupado. É desengonçado, não leva o menor jeito como homem do mar e é o contraponto ao personagem Quint (Robert Shaw). Quint é arrogante, uma pessoa ignorante, mas que tem clareza suficiente para conhecer a ameaça com a qual está lidando. O problema é que Quint não respeita sequer os limites de sua embarcação, obcecado também pelo dinheiro que poderá ganhar com o animal – que por sua vez também parece estar louco em transformar aqueles homens em refeição. O personagem de Richard Dreyfuss, por sua vez, faz o papel de guia condutor para o espectador, para que ele compreenda com o que os personagens estão lidando.

Naquele ano de 1975, quando a temporada de verão americano era morta em lançamentos de arrasa quarteirões, Spielberg escolheu este momento oportuno para lançar sua produção. O público não costumava ir aos cinemas na época e migravam para as praias para passar a temporada. O marketing foi certeiro. Nascia ali o conceito blockbuster e a industria cinematográfica começava a mudar as estratégias de lançamento de seus filmes que culminaria com o lançamento dois anos depois de Star Wars. Tubarão venceu 3 Oscars, rendeu parque temático mas também trouxe sequências inferiores realizadas pela tentativa do estúdio de repetir a façanha do primeiro filme e lucrar em cima de uma marca que se mostrou extremamente lucrativa. Afinal, o filme bateu recordes de bilheteria – arrecadando quase 500 milhões de dólares, cerca de cinquenta vezes o seu orçamento – e Spielberg nos presentou com um clássico.

A história do cinema agradece.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Som, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição

Indicação: Melhor Filme

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Música Original

Indicações: Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor – Steven Spielberg e Melhor Roteiro – Peter Benchley e Carl Gottlieb

BAFTA
Ganhou: Melhor Música

Indicações: Melhor Filme, Melhor Direção – Steven Spielberg, Melhor Roteiro – Peter Benchley e Carl Gottlieb, Melhor Ator – Richard Dreyfuss, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora.

GRAMMY
Ganhou: Melhor Trilha Sonora composta para um filme.

TRAILER

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4 Comentários

  1. Érico

    Outro ponto forte é a montagem incrível do filme 🙂

  2. Gabriel Monti

    Este filme é uma obra-prima ! A cena da narração do Indianapolis por Quint é memorável !