Tudo Acaba em Festa (Crítica)

Emílio Faustino

Ahhh o cinema! Existem filmes que conseguem marcar nossas vidas pra sempre, alguns por serem muitos bons, outros por serem simplesmente terríveis. E entre esses filmes que de alguma forma se tornaram memoráveis, existem aqueles que são tão aleatórios que sem o menor esforço conseguem entrar pro hall dos filmes esquecíveis, assim podemos classificar o filme “Tudo acaba em festa”, aleatório e esquecível.

Nessa tentativa de comédia que proporciona poucas e constrangidas risadas do público, Vlad (Marcos Veras) é um acomodado funcionário que decide organizar a festa de fim de ano da empresa para impressionar sua ex-namorada, Aline (Rosanne Mulholland) e de quebra, melhorar o clima entre os funcionários. Seria uma tarefa fácil se não fosse a resistência dos colegas de trabalho.

É interessante observar que embora a grande motivação do personagem seja impressionar a ex, o romance do casal é subdesenvolvido, acelerando tanto os acontecimentos entre os dois, que em uma cena eles se conhecem e na seguinte já estão namorando. Impossibilitando dessa forma que o público possa desenvolver qualquer tipo de empatia ou torcida pelo casal, afinal, não é mostrado ao público o que fez um gostar do outro. O resultado na tela é um casal apático e sem a menor química.

É por essa razão que ninguém sofre com o término do casal e tão pouco fica feliz coma retomada da relação. Não é nenhum spoiler falar da volta do casal aqui quando o título do filme se chama “Tudo acaba em festa”, não é mesmo?

No âmbito empresarial o que se vê é um festival de piadas embasadas em estereótipos de classe, gênero e profissões. Onde a mocinha do telemarketing irá falar constantemente no gerúndio, mesmo fora de seu ofício afim de garantir uma risada que não acontece. “Estaremos analisando se iremos para a festa de fim de ano”, diz a chefe do telemarketing.

Ainda tem o pessoal do TI, que são caracterizados como os geeks desprovidos de senso estético e traquejo social, a estagiária do interior que puxa o “R” e não tem noção de limites, a motogirl religiosa que fala como um caminhoneiro e por aí vai ladeira a baixo.

“Tudo acaba em festa” é um filme raso apoiado em estereótipos que não apresenta nada de novo ou meramente interessante.

Alguém pode dizer: “mas desde que o mundo é mundo o humor usa de estereótipo para fazer as pessoas rirem”, minha resposta para este argumento batido: a gente sabe, mas é da natureza humana evoluir e querer apresentar um pouco mais do mesmo.

Em última instancia, quem gosta do humor de “A praça é nossa” e “Zorra Total” irá adorar o filme, o que por incrível que pareça representa boa parte da população brasileira.

Pôster de divulgação: Tudo Acaba em Festa

Pôster de divulgação: Tudo Acaba em Festa

SINOPSE

Vlad (Marcos Veras) é um dos funcionários do setor de Recursos Humanos de sua empresa. Com o fim do ano se aproximando, ele se torna o responsável por organizar a “festa da firma”, uma festa de fim de ano para levantar o moral do quadro de funcionários, abalado profundamente por causa de uma sequência de demissões. Determinado a provar seu valor para sua ex-namorada, ele aceita o desafio. Tudo começa bem, mas as coisas acabam saindo do controle de Vlad, que terá que fazer o possível e o impossível para resolver todos os problemas e fazer a festa dar certo.

DIREÇÃO

André Pellenz André Pellenz

FICHA TÉCNICA

Roteiro: André Pellenz, Danilo Gullane, Sylvio Gonçalves
Título Original: Tudo acaba em festa
Gênero: Comédia
Duração: 1h 27min
Classificação etária: 12 anos
Lançamento: 15 de novembro de 2018 (Brasil)

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